Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008 / Etiquetas:

A explosão de Lisandro López



Ao bisar na vitória do FC Porto frente ao Marítimo, a sua primeira vítima em Portugal, no local do pecado original, em encontro válido pela 19ª jornada da Liga portuguesa, que os dragões venceram por 0x3, Lisandro López ultrapassou em um (16), o número de golos, que tinha marcado internamente, na Liga, nas suas duas primeiras épocas com a camisola do FC Porto (15). Mas, mais que isso, Lisandro López assumiu o papel de actor principal no xadrez de Jesualdo Ferreira, sendo, neste momento, um dos elementos nucleares da máquina azul e branca.

Lisandro López chegou ao FC Porto em 2005/06, junto com Lucho González, proveniente do Racing Club de Avellaneda, depois de ter sido o melhor marcador do Torneo Apertura 2004, com 12 golos (18 no total da época 2004/05) em 19 encontros. Ainda assim, Lisandro López aterrava em Portugal, com menos cartel que o seu compatriota, mas não demorou a conseguir um lugar no onze de um FC Porto em renovação, depois da desastrosa campanha em 2004/05, tendo feito uma boa pré-temporada, onde jogou preferencialmente sobre o lado esquerdo do ataque, no apoio a Benni McCarthy, como aconteceu no Torneio de Amesterdão, com um futebol prático, vistoso e eficaz, feito de muitas deambulações e diagonais no ataque e constantes trocas de posição com o internacional sul-africano, deixando, também, indicações de ser um jogador de muita entrega e um apoio importante aos seus colegas do sector mais recuado, no sistema de 4x3x3, que Co Adriaanse, que o consideraria no final dessa época um número dez, começou por apresentar. Lisandro López é, além disso, a prova provada, de que uma mentira repetida muitas vezes, como muitos tentaram apregoar, se torna verdade, aos ouvidos de quem tem curta memória. Aqui fala-se concretamente da suposta (se não tiver sido por mais nada) inadaptação de Gonzalo Bergessio, ao Benfica, e do branqueamento que se tentou fazer, comparando a situação vivida pelos dois jogadores, que em comum só têm o facto de jogarem na frente de ataque e de ambos serem argentinos.

Isto porque, Lisandro López começou também a época como titular no FC Porto, tendo feito os primeiros três jogos, nessa condição, e participado em seis dos primeiros sete jogos dos dragões na Liga desse ano – falhou a 4ª jornada por lesão –, tendo sido importante, por exemplo, no Funchal, frente ao Marítimo, à 6ª jornada, onde o FC Porto levou um dos maiores banhos de bola da era Adriaanse, durante a primeira parte desse jogo, ao marcar o primeiro golo dos dragões – seu primeiro na Liga –, lesionando-se frente ao Benfica, à 7ª ronda, o que o fez parar algumas semanas. Voltou à 10ª jornada, num jogo que o FC Porto venceu em Paços de Ferreira, e conseguiu o seu primeiro e único 'bis' dessa temporada, duas semanas depois, na recepção à Académica, antes de se estrear finalmente na Liga dos Campeões, frente ao Glasgow Rangers, numa altura em que os portistas tentavam recuperar o terreno perdido, por derrotas justamente em Glasgow e, em casa, frente ao Artmedia, onde fez o único golo da sua equipa, insuficiente para a vitória. Daí para a frente, Lisandro López foi sempre presença assídua no onze titular do FC Porto, com mais dois golos – Penafiel e Leiria –, até ao empate nulo, em Vila do Conde, à 20ª jornada – marca o fim de Diego no FC Porto –, onde os dragões realizaram uma péssima exibição, embora nas duas últimas partidas, depois da derrota na Amadora, que sucedeu 18ª ronda, já registasse menor tempo de utilização. Além da exibição em Vila do Conde, Lisandro López foi um dos prejudicados pelo surgimento do brasileiro Adriano que, contratado ao Cruzeiro, depois de uma primeira passagem por Portugal, ao serviço do Nacional, rapidamente justificou a aposta, com golos, realizando um primeiro semestre de 2006 esplêndido. Até final de época, Lisandro, embora tenha participado em nove jogos, em 14, só voltou a ser titular em mais três, marcando 2 golos.

Em 2006/07, Lisandro López realizou uma temporada positiva, tendo sido um elemento muito importante durante a primeira metade da Liga, sobretudo pelo trabalho realizado em prol do colectivo, servindo de fantástica 'muleta' a Hélder Postiga, na frente de ataque, mas também pelos golos marcados, que ajudavam o FC Porto a cimentar a sua posição de líder, conquistando uma grande vantagem, na viragem do campeonato, quase desperdiçada nas contas finais. Porém, na segunda volta, apesar de ter estado nas derrotas em Leiria e, em casa, frente ao Estrela da Amadora, ambas por 1x0, e já depois de ter feito três golos, em dois jogos frente à Naval – o seu segundo bis na Liga – e ao Beira-Mar, e de ter participado na vitória caseira frente ao Sporting de Braga, por 1x0, lesionar-se-ia, falhando compromissos importantes dos dragões, como os clássicos frente ao Benfica e ao Sporting, que os dragões não conseguiram vencer, sendo que, sobretudo frente ao Sporting, a equipa, ineficaz ofensivamente e completamente manietada pela irreverência dos jovens leões, sentiu imenso a sua ausência. Lisandro López voltaria à 26ª jornada, num triunfo no Restelo, entrando ao minuto 65, e em boa hora o fez, ajudando a equipa na difícil recta final, onde voltaria a garantir um lugar no onze principal do FC Porto, perante a perigosa aproximação do Sporting, tendo feito mais dois golos, em novo bis, na jornada decisiva, frente ao Desportivo das Aves, que os azuis e brancos, venceram por 4x1, que ditou a conquista do título por parte dos portistas. Na Liga dos Campeões 2006/07, em oito jogos disputados, Lisandro marcou três golos.

Esta época, tudo tem corrido de feição a Lisandro López, com números de tal forma esclarecedores que não deixam dúvidas aos mais cépticos, sobre a sua qualidade e utilidade. O argentino, que alinhou na Supertaça numa posição mais central do meio campo ofensivo em que Jesualdo Ferreira apostou (4x1x2x1x2), falhou a primeira jornada, por castigo, mas de então para cá alinhou em todos os encontros da Liga, tendo-se estreado no ataque, na posição nove, que não mais largou, frente ao Sporting, embora nesse jogo tenha sido muito mais que isso já que, precioso tacticamente, recuava no terreno, como é, aliás, seu apanágio, mas até à primeira zona de construção, isto é, ao raio de acção de Miguel Veloso, que extinguiu bem nessa ocasião. Em 18 jogos, a nível interno, para a divisão principal do futebol português, 'Licha' López marcou 16 golos, o que perfaz uma média de 0,89 golos por jogo e o tornam o rei dos goleadores da Liga 2007/08, bem destacado da concorrência. Na Liga dos Campeões, em seis jogos, Lisandro López fez mais dois golos, ambos de cabeça, tendo sido decisivo, frente ao Marselha, no Dragão, sendo que, o outro tento foi assinado na derrocada do FC Porto de Liverpool.

Lisandro López, avançado que tanto pode actuar numa posição mais central do ataque, como descaído para uma das faixas, ou mesmo atrás do ponta-de-lança, como segundo avançado, o posto que mais conheceu, nos primeiros anos de carreira, é um produto das escolas do Racing Club de Avellaneda, clube também conhecido por 'Academia' no país dos Pampas, pelo qual se estreou em Junho de 2003, tendo tido uma ascensão meteórica, já que em menos de meio ano, conquistou a titularidade e um ano e meio depois, tornava-se o melhor marcador do campeonato argentino, e destaca-se pelos movimentos interiores, que, nos últimos metros de terreno, protagoniza como ninguém, no futebol português, pelo apurado sentido de baliza, revelando-se frio e letal no momento da definição, seja em remates de cabeça, pé esquerdo ou pé direito, o seu melhor, que executa em força e com grande precisão, e pelo sentido colectivo, sendo incansável no trabalho para a equipa, a fechar os primeiros espaços à frente do meio campo, sempre em pressão sobre o portador da bola, e na recuperação de bolas, tanto aí, como no meio campo defensivo, inclusivamente na área da sua equipa, onde também é muito útil. Sendo muito aguerrido e lutador, o que faz jus aos genes, mas que, por outro lado, não significa que seja um jogador duro, pois não é, inclusivamente, está entre os mais disciplinados do plantel do FC Porto e da Liga, Lisandro López, que não é um jogador muito alto, mas tem um bom poder impulsão, é ainda muito rápido, tanto a correr, quanto a executar, optando por várias conclusões ao primeiro toque, onde também lhe vale a qualidade técnica muito acima da média que possui e que utiliza tanto ao nível do passe, mais curto, onde tira partido ainda de boa visão de jogo, como em situações de um para um, aspecto em que também é temível, precisamente pela rapidez de execução, que o tornam um avançado de nível mundial. Em suma, parafraseando um amigo, Lisandro López é Deus.

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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008 / Etiquetas: ,

FC Schalke 04: a força do futebol alemão



O Schalke 04, vice campeão da Bundesliga, onde ocupa actualmente o quinto lugar, com 35 pontos, tantos quanto os que tem o Bayer de Leverkusen, quarto classificado, e a oito de distância do líder Bayern München, é o adversário do FC Porto, nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. A turma alemã chega a esta fase da prova, como consequência do segundo lugar que obteve no grupo B, com oito pontos, atrás do Chelsea, que o venceu, com 12, mas à frente do Rosenborg, que acabou em terceiro, com sete, e do Valência, último do grupo e uma das grandes decepções da primeira fase, que encerrou a sua participação na Europa em 2007/08, com cinco pontos.

O treinador do Schalke 04 é Mirko Slomka, que assumiu a equipa no início de 2006, depois da saída de Ralf Rangnick, tendo a transição entre os dois sido feita por Oliver Reck, antigo guarda-redes da equipa. Mirko Slomka, antigo jogador de futebol mal sucedido e que, vendo não ser possuidor de grandes qualidades dentro das quatro linhas, cedo resolveu terminar a sua carreira, feita em clubes de menor dimensão, na Alemanha, ainda que tenha chegado a representar o Hannover 96, para se dedicar ao ofício de treinador, é um técnico jovem, de 40 anos, que começou a sua carreira no banco, muito cedo, aos 22, precisamente no Hannover 96, treinando os escalões etários mais jovens durante 10 anos, entre 1989 e 1999, de onde passou para o alternativo Tennis Borussia Berlim, onde depois de um primeiro ano a treinar os juniores, assumiu, ao segundo ano, pela primeira o cargo de treinador principal, sem grande sucesso. Em 2001/02, com a chegada de Ralf Rangnick ao Hannover 96, Slomka, visto como um homem da casa, acompanhou-o, regressando assim ao lugar onde se iniciou, para exercer funções de treinador adjunto. E esteve com Rangnick, desde então, até à saída deste, do Schalke 04. Foram quatro anos e meio, como adjunto, aprendendo os métodos de trabalho necessários à sua emancipação, que lhe permitiram aceitar o grande desafio que era treinar o Schalke 04, em 2006. Visto com muita desconfiança pelos meios mais conservadores da imprensa alemã, que fartou-se de o criticar, não deixando de usar expressões de gosto duvidoso para esse fim, em geral, e do Schalke 04, em particular, quando assumiu o comando técnico da equipa, Slomka não se deixou abater, mesmo tendo sido colocado à prova pela indisciplina de alguns jogadores, que com muita força no balneário tentavam fazer valer sobre si, o seu maior carisma, para levar as suas ideias pessoais adiante, e subtrair a confiança do treinador, junto dos adeptos e dos gerentes do clube. Mostrando um à vontade muito grande, Slomka respondeu à altura, mostrando coerência e firmeza, afastando esses focos de problema, como o guarda-redes Frank Rost, que chegou a tentar impor-se ao treinador e iniciar uma revolta, antes de um jogo frente ao Bayern München, ou o brasileiro Licoln, que sob as ordens do alemão deixou de ter lugar cativo na equipa. Actualmente, embora já tenha experimentado outras variantes tácticas durante esta época, Mirko Slomka aposta num 4x4x2 como táctica base do Schalke 04, que se desdobra ofensivamente em 4x1x3x2, sendo que a linha defensiva, por exemplo, avança muito, quase até à linha de meio campo, em situações de ataque. O Schalke 04, que jogará frente ao FC Porto, que já eliminou há 31 anos da Taça Uefa na única vez que ambas as equipas se encontraram oficialmente, - na primeira-mão dos oitavos-de-final - o seu 100º jogo e procura a sua 50ª vitória nas competições europeias, onde já logrou vencer uma Taça Uefa em 1996/97, não desenvolve um jogo muito rápido e vistoso e prefere adoptar um futebol mais directo, como costuma ser apanágio da maioria das equipas alemãs, fazendo várias diagonais curtas, na intermediária, com trocas posicionais entre os três elementos do miolo mais ofensivos, que, num dos seus últimos jogos que tive oportunidade de assistir (Schalke 04 versus Stuttgart), foram Rakitic, Ernst e Kobiashvili. Em situações defensivas, a equipa do Schalke 04 recua muito e em bloco, aperta as linhas atrasadas, que jogam muito próximas, com todas as unidades, inclusive os avançados que são incansáveis no trabalho, a virem ao meio campo defensivo, fechar os espaços, onde se revelam bons interpretes, ainda que, talvez para não se descompensarem, não pressionem tanto o portador da bola, nesse momento, como o fazem quando, por exemplo, perdem a bola no ataque, onde várias unidades tanto do ataque como do meio campo, caem logo em cima dos seus adversários, não os deixando sair facilmente a jogar, e optem mais pelo jogo de paciência, mais posicional e à espera do erro adversário. O aspecto do jogo em que o Schalke 04 se mostra mais forte é sem sombra de dúvida, as bolas paradas, sendo muito eficaz a defendê-las e a atacá-las, sendo que nesse particular, em que são muito bem cobradas – tanto livres laterais quanto pontapés de canto – por uma das suas unidades com maior qualidade técnica, Rakitic, que coloca muito bem a bola na área, o Schalke 04 coloca muitas unidades na área adversária, onde o central Krstajic e o lateral Westermann, muito altos e bons cabeceadores, tanto a rematar à baliza como a assistir ao poste mais distante, surgem bem ao primeiro poste, em diagonais, de dentro para fora, onde se costuma colocar Asamoah, que com a sua força, segura sempre um dos adversários, nas suas costas, ficando o Schalke 04 em superioridade numérica (normalmente dois para um), e Bordon entra muito em acções frontais, de trás (11 metros) para a frente, juntando-se a Kevin Kuranyi, que se coloca normalmente entre o guarda-redes e o poste mais distante, exigindo sempre a marcação de um defesa central contrário, aproveitando muitas vezes, porque é forte e também bom cabeceador, sobras e ressaltos de bola, na pequena área, para finalizar. Fernando Meira, por exemplo, nesse encontro, foi muito infeliz no duelo com Kuranyi, que marcou dois golos, nas suas barbas, em jogadas de bola parada. O Schalke 04 é, contudo, uma equipa facilmente ao alcance do FC Porto, dado que revela algumas dificuldades tanto de construção, onde embora conte muito com os avançados que batalham muito, sobretudo Asamoah, não tem um verdadeiro dez, não obstante, Rakitic, a sua unidade mais técnica, que o faz parecer um pequeno Maradona no meio dos seus colegas, e Kobiashivili serem jogadores muito bons no passe, sobretudo curto, que o Schalke utiliza mais, quando opta por sair em futebol apoiado, dando pouca rotação e variando aí, pouco o seu jogo, como na defesa, onde concede algum espaço, sobretudo nas costas dos laterais, que são muito ofensivos, e no centro da defesa, que demonstra algumas dificuldades, perante um futebol mais técnico, como costuma ser o do FC Porto, ainda que à frente dela, seja difícil entrar, dado que os dois médios centro, são autênticas carraças no trabalho defensivo e na recuperação. O FC Porto é favorito na eliminatória mas terá de o provar dentro de campo, já que do outro lado está uma equipa que, embora tenha baixas para este jogo, reforçou-se muito a pensar na segunda metade da época, com aquisições valorosas como Zé Roberto, Vicente Sanchéz e Albert Streit.



Guarda-redes
O titular na baliza do Schalke 04 é Manuel Neuer. Internacional sub-21 alemão, Neuer, de 21 anos, guarda-redes ágil e extremamente forte do ponto de vista físico, que tira partido da sua elevada estatura para um bom controlo do espaço aéreo, ainda que em lances de bola parada, acuse alguma inexperiência e não arrisque muito pouco a sair da baliza, com bom poder de antecipação e que se mostra muito atento a defender entre postes, onde se posiciona bem, mas ainda comete alguns excessos, em adiantamentos precipitados, que por exemplo, no jogo frente ao Stuttgart, para a Bundesliga, lhe trouxe o dissabor de ter sofrido um golo num chapéu primoroso de Antonio da Silva, efectuou a sua formação no clube que representa, no qual ocupa o posto de número um, da equipa principal, há duas épocas, depois do afastamento do anterior titular Frank Rost. Entre outras opções para a baliza, às ordens de Mirko Slomka, estão Mathias Schober, de 31 anos, que regressou esta época à turma de Gelsenkirchen, onde se formou e iniciou a carreira, para servir de suporte – tem sido o suplente –, oriundo do Hansa Rostock, pelo qual foi titular durante seis temporadas, entre 2001/02 e 2006/07, Ralf Fährmann, 19 anos, um internacional sub-20 alemão, que tem uma estampa física impressionante e de quem se diz possuir bom potencial, o que levou o Schalke 04 a recrutá-lo muito cedo ao Chemnitzer FC, em 2003/04, e Toni Tapalović, croata de 27 anos, que também começou no Schalke 04, ao qual regressou no último defeso, depois de várias passagens tergiversantes por clubes como Bochum e Kickers Offenbach, para representar a formação secundária, sendo neste momento o quarto guardião do plantel do Schalke 04.



Defesa
A linha de quatro defesas apresentada por Mirko Slomka não costuma variar muito. Assim, Rafinha e Heiko Westermann são habitualmente titulares sobre as laterais direita e esquerda, respectivamente, enquanto Marcelo José Bordon e Mladen Krstajic encontram o seu espaço no centro da defesa. Rafinha, 22 anos, internacional pelo Brasil, está no Schalke 04, que o adquiriu ao Coritiba por cinco milhões de euros, desde 2005. Lateral direito tecnicamente dotado e de forte vocação ofensiva, quer nas subidas à linha, quer em entradas em diagonais, Rafinha, que também passou pelas categorias de base do São Paulo e do Juventus-SP, antes de ingressar no Coritiba, revela-se muito forte nos cruzamentos, seja junto à linha de fundo ou ainda na intermediária, a 30/40 metros da baliza, cortando exemplarmente a bola para a área, mas é algo frágil a fechar dentro, na sequência de bolas paradas, tendo no jogo aéreo o ponto fraco do seu jogo, embora não defenda mal fora, onde tirando partido, de uma boa leitura táctica, aspecto em que tem crescido imenso, consegue pressionar e desarmar muitas vezes os adversários que lhe surgem pela frente em lances de um para um. Do lado esquerdo da defesa, Heiko Westermann, que passou pelo SpVgg Greuther Fürth de forma vistosa, e chegou esta época ao Schalke 04, proveniente do Arminia Bielefeld, onde realizou duas épocas de grande nível (entre 2005 e 2007) tem sido rei e senhor. Ele que é um defesa central de origem, adaptou-se muito bem à posição, tendo-se cotado, por exemplo, na recepção caseira do Schalke 04 ao Stuttgart, que a sua equipa venceu por 4x1, como o melhor jogador da sua equipa, não só pela capacidade atacante que demonstrou quer pelas subidas que protagonizou sob o corredor esquerdo, com cruzamentos bem medidos e aberturas fantásticas de pé direito a rasgar a defensiva contrária, quer em lances de bola parada, no ataque, onde se revelou insuperável, entrando muito bem ao primeiro poste, ganhando várias bolas, quer para o lado oposto, onde surge Kuranyi, quer em remates à baliza, que lhe valeram, numa ocasião, um golo. Westermann, jogador destro, internacional germânico de 24 anos, muito voluntarioso, para além de fechar fora sob pressão, defende muito bem dentro, dadas as suas características de central, mas sente algumas dificuldades a recuperar no terreno, dado que ataca muito, e a velocidade não é uma das suas maiores qualidades, o que se torna mais visível quando pela frente, apanha um jogador que tem nesse particular, um dos seus pontos fortes. No centro da defesa, as opções mais consistentes do Schalke 04, têm sido dois internacionais, um brasileiro, Marcelo José Bordon, que é o capitão de equipa, e outro sérvio, Mladen Krstajic. Bordon, de 32 anos, que está na sua quarta temporada ao serviço do Schalke 04, já leva nove temporadas ao mais alto nível, no futebol alemão, tendo representado anteriormente o Stuttgart, durante cinco estações, onde chegou, proveniente do São Paulo, que o foi buscar ao Botafogo de Ribeirão Preto, o seu primeiro clube, e é um defesa central, líder no eixo da defesa da turma de Slomka, muito forte no jogo aéreo, onde tira partido da sua estatura elevada para se impor, nas duas áreas, mas que já não tem a velocidade de outros tempos, impondo-se antes pela experiência adquirida, o que faz com que, não hesite em recorrer à falta, algumas inteligentes, outras nem tanto, que ou servem para dobrar os seus colegas de sector, ou acontecem em jogadas, onde mostra um tempo de entrada deficiente. Marcelo José Bordon, eficiente ao nível do passe curto e longo, tem ainda um forte remate, que executa com o pé esquerdo, o seu melhor, preferencialmente na execução de livres centrais, ligeiramente descaídos para o lado direito do ataque do Schalke 04, ainda que tendo espaço o possa aplicar de longe, em bola corrida. Mladen Krstajic, é outro central com muita experiência internacional, em virtude das internacionalizações que conta pela Sérvia – tem mais de 50 no currículo – e do seu percurso, também já longo na Bundesliga, onde chegou em 2000, para representar o Werder Bremen, procedente do Partizan de Belgrado, que o contratou ao FK Kikinda, que por sua vez o tinha garantido muito jovem e em início de carreira, ao Celik Zenika, tendo transitado no início de 2004/05 para o Schalke 04. Em Bremen, Krstajic rapidamente construiu o seu espaço entre os titulares, condição que traz desde essa altura, tendo só falhado, por exemplo, alguns jogos já esta temporada, por lesão. Tal como o seu colega de posto Bordon, Krstajic é um jogador poderosíssimo no futebol aéreo, fazendo valer a sua presença em ambas as áreas, defendendo bem o espaço dentro da sua, e atacando a bola tão bem ou melhor dentro da adversária – revela-se mais forte ainda que Bordon –, seja em movimentos frontais, ou em diagonais em direcção ao primeiro poste, ao qual são batidas as bolas paradas do Schalke 04. No entanto, tal como Bordon, Krstajic é um defesa central canhoto, algo tosco e duro de rins, que concede muito espaço aos avançados contrários e sente inúmeras dificuldades quando a bola é jogada ao nível do solo, para travá-los, tanto em progressão com movimentos e fintas curtas, ou em entradas em triangulações, ao primeiro toque, aspecto que o FC Porto, com o seu temível Lisandro López, com o apoio do seu compatriota Lucho González, pode aproveitar para explorar. Mirko Slomka dispõe ainda de outras opções, que não devem alinhar de início com o FC Porto, como Matthias Abel, lateral direito de 26 anos, fisicamente muito forte e consistente a defender, que chegou ao Schalke 04, há duas temporadas, depois de se ter destacado ao serviço do Mainz 05, mas que tem sentido imensas dificuldades para jogar pelo conjunto de Gelsenkirchen, encontrando-se tapado por Rafinha, o que o levou a ser cedido ao Hamburg, na segunda metade da época passada, para ajudar a equipa do norte da Alemanha a escapar à despromoção, embora também lá pouco tenha jogado (sete jogos), mas com a curiosidade de em todos eles o Hamburg não ter perdido, tendo vencido seis, Benedikt Höwedes, um internacional alemão sub-21, de 19 anos, que já brilhou pela selecção alemã de sub-18 – ajudou a conquistar o Europeu de sub-18 em 2007 – e que sendo um central visto como um possuidor de enorme potencial e de ter um futuro radioso pela frente, se encontra em fase de crescimento, sendo uma alternativa aos habituais titulares, que não lhe têm concedido muito espaço (ainda só fez dois jogos na Bundesliga), e Christian Pander, internacional alemão de 24 anos, que tem sido o jogador mais prejudicado pelo aparecimento e qualidade das exibições de Heiko Westermann, que lhe roubou o lugar no lado esquerdo da defesa, embora neste momento esteja lesionado e não seja opção, por isso mesmo. Christian Pander, que se estreou em Agosto último pela principal selecção da Alemanha, chegou ao Schalke 04 em 2001, depois de ter passado pelas camadas jovens de clubes de menor dimensão como o último que representou antes de ir para Gelsenkirchen, o Preußen Münster, e é um lateral esquerdo moderno, com forte propensão atacante, e dono de um pontapé com o pé esquerdo, temível, sobretudo na marcação de livres directos, pela força e colocação com que faz a bola dirigir-se em direcção às balizas adversárias.



Meio-campo
Na zona intermediária, Mirko Slomka tem escolhido jogar com quatro unidades; duas de cariz mais defensivo, Jermaine Jones e Fabian Ernst, ambos pelo centro, ainda que em ataque, um deles, Ernst, se desdobre para a frente do outro, Jones, mais posicional, formando uma linha de três, com Ivan Rakitić, que surge mais pelo lado direito, e Levan Kobiashvili, pela esquerda, ainda que essa linha não se estenda em toda a plenitude, ou seja, Rakitić e Kobiashvili, procuram muitas vezes posições interiores, formando até um pequeno losango, dado que os quatro elementos do miolo apertam ao meio e juntam-se muito na saída para o ataque, embora o croata, apareça por toda a frente de ataque, abrindo espaço às entradas de Rafinha pelo corredor direito, o que também faz com que o brasileiro não ataque tanto como pode e está vocacionado a fazer e esteja sempre alerta às subidas que protagoniza, arriscando só pela certa, para não descompensar a defesa, ao passo que Kobiashvili, mais defensivo, encarrega-se de suportar o meio campo, aparecendo sobretudo nos primeiros passos da construção ofensiva, em triangulações curtas com Ernst e boas combinações com o lateral esquerdo, Westermann, que sobe muito, defendo-lhe ainda a posição num primeiro momento da transição defensiva. Estas foram ilações dadas pela intermediária do Schalke 04 ao longo do jogo com o Stuttgart, que marcou o regresso da Bundesliga, no início de Fevereiro, que me parece, perante a ausência por lesão de Zlatan Bajramovic, um médio de 28 anos, internacional pela Bósnia Herzegovina, com muitas épocas de futebol alemão, onde sempre jogou, primeiro pelo St. Pauli, que o lançou para o futebol, e antes de chegar a Gelsenkirchen, onde tem sido habitual titular e costuma ser elemento nuclear quer pelo papel que desempenha nas transições defesa/ataque e ataque/defesa, na zona central de meio campo, pelo Freiburg, a ideal para o Schalke 04 apresentar frente ao FC Porto. Jermaine Jones, de 26 anos, natural dos Estados Unidos, mas internacional pela Alemanha, por uma vez, que já teve passagens marcantes pelo Eintracht Frankfurt e pelo Bayer Leverkusen, entre outros clubes, é um jogador com grande disponibilidade física, por vezes rude nas entradas, muito forte no primeiro passe, ele que faz bem a ligação na saída para o ataque e, principalmente, porque não hesita em ir ao choque, revela-se tenaz na recuperação de bola, e actua como primeiro elemento à frente da defesa, mais posicional que os seus companheiros de sector. Ao seu lado, Fabian Ernst é outro jogador com grande capacidade de recuperação, mas participa mais nas jogadas de ataque da sua equipa, dado que tem instruções de Mirko Slomka, para se adiantar mais no terreno, surgindo mais perto dos homens da frente. Ernst, outro internacional germânico, de 28 anos, que já representou, além do Schalke 04, mais três clubes em 10 anos de carreira, a saber, Hannover 96, onde começou, até 1998, Hamburg, até 2000 e Werder Bremen, onde viveu momentos altos, até 2005, não é muito dotado tecnicamente, mas é um gladiador, até na aparência, e mostra aspectos interessantes ao nível da leitura de jogo, sendo precioso tacticamente na manobra do Schalke 04. Como médio direito, joga habitualmente Ivan Rakitić, internacional croata de apenas 19 anos, que nasceu na Suiça, tendo sido inclusivamente internacional helvético até aos sub-21, tendo optado, em 2007, por se dedicar à causa croata e representar o país dos pais ao mais alto nível, e que chegou esta temporada ao Schalke 04, com o título de melhor jogador jovem do campeonato suíço em 2006/07, oriundo do FC Basel, clube onde completou a sua formação iniciada no FC Möhlin-Rhyburg e jogava desde 2005. Dentre os jogadores europeus, ainda abaixo dos 20 anos, Ivan Rakitić é, neste momento, um dos mais empolgantes, não só pela forma como se movimenta por toda a frente de ataque, quer na procura de espaço em posições mais interiores, quer juntando-se aos colegas da frente, numa posição mais entre linhas, ou abrindo, fazendo uso da sua inteligência, a frente de ataque em três, caindo junto à linha direita, quando Kuranyi se fixa na área e Asamoah, cai na esquerda, nunca ficando muito amarrado à táctica, mas também pela forma como de trás para a frente, usando a velocidade, cai nas costas dos defesas contrários, para, fazendo uso da sua incomensurável qualidade técnica, finalizar, quase sempre de primeira, ainda que não tenha marcado muitos golos, esta época. No entanto, Rakitić é mais que isso, isto é, é só o jogador que bate as bolas paradas do Schalke 04, aquilo em que o conjunto de Mirko Slomka é mais forte, o que faz de forma esplêndida (três dos quatro golos do Schalke 04 frente ao Stuttgart foram obtidos na sequência de bolas paradas cobradas por si). Internacional pela Geórgia, Levan Kobiashvili, de 30 anos, jogador versátil, de cadência defensiva, muito resistente, bom no passe curto e forte tacticamente, capaz de desempenhar papéis de igual relevo, quer na defesa, sobre o lado esquerdo, se necessário, quer no meio campo, mais defensivo, ou também sobre o flanco canhoto, onde mais tem jogado ultimamente e, apesar de tudo, mais rende, dado que é originariamente essa a sua posição, está no futebol alemão há quase 10 anos, onde representou apenas dois clubes, sendo o outro, o Freiburg, que lhe serviu de porta de entrada na Bundesliga e onde esteve cinco temporadas, até ao Verão de 2003. Kobiashvili, que começou no Awasa Tbilisi, tendo passado depois pelo Metalurg Rustavi, Dínamo Tbilisi e Alania Vladiskavkaz, não vinha a jogar tanto esta temporada, como o tinha feito nas últimas, mas depois da paragem de Inverno, com a saída de Mesut Özil, o titular do lado esquerdo do meio campo do Schalke 04 durante a primeira metade da época, que rumou ao Werder Bremen, por quatro milhões e meio de euros, agarrou um lugar na equipa e não o voltou a perder. Se é verdade que perdeu Özil, uma das suas principais estrelas na primeira metade da época, também não deixa de ser verdade, que o Schalke 04 se reforçou imenso na reabertura de mercado e em posições do meio para a frente. Para o meio campo, chegaram Albert Streit, jogador alemão de origem romena, que se destacou como uma das melhores unidades da surpresa Eintracht Frankfurt, durante a última época e meia, mas sobretudo na primeira metade desta, onde começou o seu percurso profissional, embora registe também passagens pelo Wolfsburg e pelo 1.FC Köln, neste com algum sucesso, e joga sobre qualquer uma das alas, onde pode surgir, sobre a direita, Zé Roberto, jogador de 27 anos, baixo, muito veloz e de grande qualidade técnica, mostrando ainda capacidade de explosão nos últimos 30 metros, sendo forte no passe decisivo, quer vertical quer lateral, que rompe preferencialmente pelo meio, e que foi outra das aquisições de Inverno, chegado do Botafogo, onde realizou uma época excelente em 2007, depois de já ter passado pelo futebol nipónico, ao serviço do Kashiwa Reysol, e há já alguns anos por Portugal, nomeadamente pelo Benfica B, não tendo tido oportunidade de jogar na primeira equipa dos encarnados. Outras opções para o meio campo à disposição de Mirko Slomka são Markus Heppke, médio ala direito de 21 anos, internacional sub-20 pela Alemanha, que não tem sido utilizado esta época, Gustavo Varela, internacional uruguaio de 29 anos que foi contratado pelo Schalke 04 em 2002, ao Nacional Montevideo, com qualidades técnicas e sangue quente, que se mostra competente nos processos ofensivos, podendo deambular por toda a frente de ataque, um pouco à semelhança do que faz Rakitić, ainda que leve uma época em branco no que a utilizações na Bundesliga, diz respeito, e outro internacional uruguaio, Carlos Javier Grossmüller, médio centro de 24 anos, ex-Danubio, ele que foi um dos melhores jogadores da temporada passada no Uruguai, mais entregue a missões defensivas.



Ataque
Na frente de ataque, o Schalke 04 joga habitualmente com dois homens, bastante móveis, que caem muito nas faixas laterais, aproveitando os lançamentos longos, para entrar de fora para dentro, como faz exemplarmente Kevin Kuranyi, ou mesmo em acções verticais, o que é mais recorrente em Gerald Asamoah, e que trabalham muito, não se coibindo de pressionar a defesa adversária, num primeiro momento, e de vir atrás defender e tapar os primeiros espaços já dentro do meio campo defensivo, em prol da equipa do Schalke 04. Os titulares preferidos de Mirko Slomka são, como se pode perceber pela descrição acima, o avançado centro, Kevin Kuranyi, internacional alemão de 25 anos, nascido no Brasil – Rio de Janeiro – onde jogou, em duas fases, no Serrano de Petrópolis, mediada por uma experiência no Sporting 89 San Miguelito, do Panamá, filho de pai com dupla nacionalidade, alemã e húngara, e mãe panamiana, que, apesar de tudo, se fixa mais na área, entre os defesas centrais adversários, onde, fazendo uso da sua elevada estatura, mas também de um bom poder de impulsão e de desmarcação, recebe bem e ganha muitas bolas, de cabeça, que utiliza a preceito, quer a servir para entradas de colegas seus vindos de trás, quer nos remates directos à baliza, o que também faz muito bem com o pé direito, quando encontra espaço para o aplicar, ainda que não peça licença nem para o fazer nem para partir para cima dos adversários, já que quando recebe a bola, não fique à espera do que lhe fazer a seguir, isto é, de uma linha de passe, optando antes por, mesmo não sendo muito dotado tecnicamente, agredir a defensiva contrária, sobressaindo ainda pela entrega com que actua e pelo oportunismo que transporta, sobretudo dentro da pequena área contrária, e Gerald Asamoah, avançado de 29 anos, de origem ganesa, também internacional pela Alemanha, com marca já registada no Schalke 04, onde cumpre a sua nona temporada, depois de ter representado, entre outros, o Hannover 96, que é, em primeiro lugar, um batalhador e que, apesar de não ser tão objectivo assim nos últimos metros, a definir, faz valer a sua capacidade de choque e força, para desgastar imenso os defensores opositores, que são obrigados a recorrer imensas vezes à falta, para travar as suas investidas, já que Asamoah além de ser rápido, segura muito bem a bola. Em alternativa, para uma das duas posições da frente, um dos sectores em que o Schalke 04 se encontra melhor servido, existem vários jogadores bem reputados, como são os casos de Peter Løvenkrands, internacional dinamarquês de 28 anos, que tanto pode jogar numa posição de segundo avançado, como descaído para o lado esquerdo do ataque, a extremo, onde, fazendo uso da sua velocidade, quer a entrar em diagonais, de fora para dentro, de dentro para fora, ou indo à linha, causa desequilíbrios, que usa, para cruzar ou rematar directamente à baliza, já que tem um remate forte, que lhe proporcionou vários golos, inclusive ao FC Porto, quando actuava no Glasgow Rangers (2000 a 2006) – antes jogou no Akademisk Boldklub –, Vicente Sanchéz, internacional uruguaio de 28 anos, muito móvel, portador de excelentes dotes técnicos e com capacidade de finalização, que lhe permitem jogar descaído para uma das alas ou mais em cunha na área adversária, que o destacaram, tanto no Toluca, onde jogou desde que saiu do Nacional Montevideo em Julho de 2001 até Janeiro passado, antes de ingressar no Schalke 04, como na selecção do Uruguai, na última Copa América, onde foi uma das figuras principais, Halil Altintop, internacional turco de 25 anos, irmão de Hamit Altintop, médio completo do Bayern München, que já passou, entre outros, pelo 1.FC Kaiserslautern e pelo Wattenscheid 09, e que cumpre como segundo avançado, já que tem técnica e movimenta-se bem nos últimos metros, e o ponta-de-lança Søren Larsen, de 26 anos, internacional pela Dinamarca, que chegou ao Schalke 04 em 2005, por dois milhões e meio de euros, depois de se ter firmado como goleador no Djurgårdens, com um impacto imediato - marcou 10 golos na Bundesliga em 2005/06 - que não soube manter nas última época e na actual, sendo cada vez mais parca a sua utilização na equipa de Slomka, e que tem no jogo de cabeça a sua grande arma, utilizando a sua estatura que é muito alta, para se impor no espaço aéreo e marcar alguns golos, mas é limitado tecnicamente.

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Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008 / Etiquetas:

Cristián Rodríguez: cabeça (e pés) de Cebolla



De todos os jogadores que chegaram, no início desta temporada, ao Benfica, Cristián Rodríguez era talvez o que tinha a tarefa mais ingrata, dado que chegava para preencher uma vaga aberta pela saída de Simão Sabrosa, antigo capitão e ex-figura de proa dos encarnados, que regressou a Espanha, para representar o Atlético de Madrid, depois de uma passagem por Barcelona, entre 1999 e 2001, mas soube responder à altura e, pese o nevoeiro, que, neste momento, esconde o seu futuro, já que não se sabe onde jogará na próxima época, correndo mesmo à boca pequena a hipótese de uma troca, no final da temporada, da Luz pelo Dragão, é, além de uma aposta ganha, claramente um dos melhores jogadores que chegou ao Benfica esta estação, o terceiro melhor marcador da equipa na Liga, só superado pelos pontas de lança Óscar Cardozo e Nuno 'Gomes', que têm mais jogos disputados. Cristián Rodríguez, que entretanto se destacara ao serviço da selecção do Uruguai, na Copa América, onde se cotou como um dos melhores elementos da sua selecção, tinha dado nas vistas, muito cedo, no início de carreira, quando começou, no Peñarol, pelo qual foi campeão uruguaio em 2003, chegando mesmo a ser apontado, na altura, como a maior esperança do futebol uruguaio, mas falhara na primeira abordagem ao futebol europeu, pelo Paris Saint-Germain, onde chegou em 2005 - fez apenas cinco jogos a titular num total de 36 utilizações em dois anos de PSG -, oriundo do clube de Montevideo, e era incerta a sua capacidade de resposta ao desafio de jogar no futebol português.

A sua estreia com a camisola do Benfica aconteceu a 2 de Setembro de 2007, frente ao Nacional da Madeira, num encontro referente à 3ª jornada da Liga, que as águias dominaram e venceram por 0x3; Rodríguez entrou para o lugar de Nuno 'Gomes' ao minuto 63, e não tendo produzido nada de relevante nesse encontro, fê-lo, duas semanas depois, na recepção do Benfica à Naval, para a 4ª jornada, que os encarnados venceram também por 3x0, ao abrir o activo, com um remate cruzado de fora da área, tendo ainda feito uma assistência para o terceiro, da autoria de Nuno 'Gomes'. De então para cá, Cristián Rodríguez fez mais quatro golos pelo Benfica, todos para a Liga portuguesa, mas mais nenhum com o pé, todos de cabeça, o que não deixa de ser um facto curioso, num jogador que até nem é muito alto (1,75m), sendo que nunca marcou mais de um tento por encontro e, os cinco jogos que registaram golos seus, acabaram com vitórias do Benfica. 'Cebolla' Rodríguez facturou o primeiro dos encarnados frente ao Paços de Ferreira, à 9ª jornada, após um livre lateral cobrado por Rui Costa, do lado esquerdo, ganho de cabeça, nas alturas, à entrada da pequena área e ao primeiro poste, para um remate cruzado que só terminou no fundo das redes de Peçanha, e exerceu o papel principal num dos seis golos com que o Benfica brindou o Boavista, na rodada seguinte, ao marcar de cabeça, na recarga a um primeiro remate de Rui Costa, defendido por Peter Jehle, antes de conseguir mais dois, quase a papel químico, isto é, a partir de lançamentos laterais de Binya, ambos na mesma zona, embora ao Estrela da Amadora, à 14ª jornada, o tenha obtido a partir de uma entrada fulgurante, ao primeiro poste, e, frente à Naval, na partida de ontem, para a 19ª jornada, o tenha feito depois de uma mau alívio, da defesa figueirense, aproveitando para colocar, de cabeça, em arco, junto ao poste mais distante, ao qual se encontrava o guarda-redes Wilson Júnior.

O que mais se destaca em Cristián Rodríguez, não é, no entanto, a quantidade de golos que tem marcado de cabeça ao serviço do Benfica, embora isso, por si só, dado o jogo de cabeça não ser o seu ponto mais forte, embora revele bom tempo de salto e poder de impulsão, marque pontos a seu favor, mas sim as suas características que o tornam um dos jogadores mais interessantes do actual plantel do Benfica, não sendo por isso de estranhar o apetite de outros clubes nos seus serviços, também porque é um jogador com potencial e que pode crescer ainda mais. Jogador intuitivo e dinâmico, com grande sentido de colectivo e de grande entrega ao jogo, apesar de raramente conseguir uma constância em termos de performance durante os 90 minutos, Cristián 'Cebolla' Rodríguez, internacional uruguaio, de 22 anos, que tem um aspecto de jogador a tender para o pesado e joga como médio ofensivo, tanto do lado esquerdo como do lado direito, embora saiba procurar posições interiores, o que faz bem, mostra-se forte na leitura dos lances de ataque, nos piques, quer a partir de combinações em tabelas, quer na progressão com a bola controlada e no drible, tendo pouco receio em avançar para cima dos defesas contrários em lances de um para um, onde, com espaço, costuma levar a melhor, mas também no passe curto, nos cruzamentos e nos remates frontais, ligeiramente descaídos para o lado esquerdo no sentido em que ataca a sua equipa, ainda que tenha alguns aspectos a limar, sobretudo a nível de recuperação nos primeiros momentos de transição defensiva.

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Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008 / Etiquetas:

Benfica e Nürnberg: história com 46 anos



Benfica e Nürnberg defrontam-se, esta noite, na primeira-mão dos 16 avos-de-final da Taça Uefa 2007/08. Os dois clubes voltam, assim, a encontrar-se numa competição europeia ao fim de 46 anos, sendo que, como na altura, os encarnados, são declaradamente favoritos.

Foi a 1 de Fevereiro de 1962, que Benfica, que, na ronda anterior, tinha passado pelo FK Áustria de forma categórica, e Nürnberg, que chegava a essa fase depois de ultrapassar o Drumconda, da Irlanda, e o Fenerbahce, da Turquia, jogaram, pela primeira vez, entre si, em partida referente aos quartos-de-final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, que traziam outros duelos interessantes, encabeçados pelo que colocava frente a frente Real Madrid e Juventus, que era visto como uma final antecipada, dado que os italianos, comandados por Sivori, John Charles, Boniperti, Nicole e Mora, eram considerados, nesse ano, a equipa mais temível da Europa e principal candidato a destronar Benfica, pese o outro principal candidato morar em Madrid.

Julgamento na neve congelou águias
Como determinado pelo sorteio, o jogo da primeira-mão realizou-se na Alemanha, ao contrário, do que acontecerá este ano. Com condições climatéricas adversas – muito frio e neve – e um terreno pesado, os encarnados, que eram campeões europeus, e que para esse jogo não contavam com o talentoso moçambicano de 19 anos Eusébio, que depois de uma demorada ausência por lesão, voltou a lesionar-se na virilha, uma semana antes do embate, sentiram imensas dificuldades para impor o seu futebol mais tecnicista e saíram vergados por 3x1. Antes do jogo, o 'feiticeiro' Bélla Guttman, treinador do Benfica, já tinha deixado o aviso, depois de assistir à vitória sensaborona do Nürnberg sobre o SV Furth por 2x0, que os alemães deviam “ter feito ‘bluff’ tanto com vista a uma legítima economia de esforços, como pela circunstância de não quererem mostrar, realmente, quanto valiam” e que podiam surpreender, mesmo, sendo, até para a imprensa local, uma equipa que, embora apresentasse o mais rico historial do futebol germânico na altura, estava facilmente ao alcance das águias. Em relação ao jogo da Bavária, propriamente dito, que teve a curiosidade de bater o record de assistência no estádio do Nürnberg, proporcionando aos alemães uma receita de 1450 contos, o Benfica entrou melhor e adiantou-se no marcador ao minuto nove com um golo de Cavém, um dos acólitos encarnados, médio esquerdo nessa ocasião, a passe de Simões, depois de boa jogada do extremo encarnado pela esquerda, mas não soube suster a pressão do Nürnberg, que virou o marcador, a seu favor, antes do intervalo, com golos de Flechnecker, a igualar a contenda, aos 31 minutos, num lance em que Costa Pereira não ficou isento de responsabilidades, e, de Strehl, considerado o melhor jogador dos germânicos, aos 38 minutos, após assistência do autor do primeiro golo, numa jogada em que a defensiva encarnada também não fez tudo o que estaria ao seu alcance. As contas ficaram fechadas, a 6 minutos do fim do tempo regulamentar, quando Flechnecker bisou, num remate de meia distância, em que Costa Pereira, que receberia críticas ferozes no final, sendo apelidado de 'maldito' pelo jornal francês L’Équipe e de 'flor' pelo jornalista d’A Bola Vítor Santos, voltou a falhar. Como consequência, Costa Pereira, que se deixava abater psicologicamente, cada vez que comprometia, pediria dispensa dos dois jogos seguintes do Benfica. Do outro lado, cada jogador do Nürnberg recebeu 730 escudos de prémio pelo triunfo.

1. FC Nürnberg (3): Wabra – Derbfuss, Hilpert – Zenger, Wenauer, Reisch – Flechnecker, Morlock (cap.), Strehl, Wild, Müller.

SL Benfica (1): Costa Pereira – Serra, Cruz – Neto, Germano, Cavém – José Augusto, Santana, José Águas (cap.), Coluna, Simões.

O Benfica chegava confiante ao jogo da segunda-mão, porque entretanto Eusébio, que era por essas alturas alvo do interesse da forte Juventus, que terá chegado a oferecer 10 mil contos, pelo passe do avançado, ao Benfica, que terá ripostado, dobrando o valor do atleta, recuperara da lesão que o tinha afectado durante duas semanas e porque internamente, as coisas pareciam ajustar-se melhor, depois da vitória do FC Porto no campo do líder Sporting, que até à data não tinha qualquer derrota, com um golo do brasileiro Azumir, num jogo em que brilhou o elástico Américo, logo no fim-de-semana seguinte ao jogo de Nürnberg, o que relançava a discussão pelo campeonato, que acabaria mesmo por ficar em Alvalade - o Benfica seria terceiro e o FC Porto segundo classificado. De tal forma, que havia quem garantisse que em Lisboa o pior que podia suceder ao Benfica era ser forçado a um terceiro jogo.

A noite do 'chutador atómico'
O jogo da Luz, que se realizou a 22 de Fevereiro de 2002, curiosamente uma quinta-feira, foi a todos os títulos notável para o Benfica, que aos quatro minutos já vencia por 2x0, com golos do capitão José Águas e de Eusébio. José Águas, avançado centro, que tinha sido considerado o mais difícil de defrontar pelo internacional alemão Wenauer, de 23 anos, depois do jogo da primeira-mão, abriu o activo aos dois minutos, respondendo, de cabeça, afirmativamente, a um cruzamento de José Augusto, e Eusébio ampliou o marcador, aos quatro, com um remate forte, já dentro da área, após assistência do capitão Águas, que tinha sido solicitado por José Augusto. Os dois golos relâmpago, como que deitaram abaixo os alemães, que sofreriam o terceiro golo, das águias, à passagem dos 20 minutos de jogo, quando Coluna bateu Strick – substituía o titular Wabra na baliza que estava indisponível para esse jogo – depois de novo passe de José Águas, que dominava nas alturas, na sequência de um pontapé de canto movimentado pelo jovem Simões. Na segunda metade, o Benfica marcaria mais três golos. Primeiro, marcou Eusébio, que recebeu a bola de Coluna, que por sua vez lhe tinha sido endossada por Simões, após jogada vistosa do extremo, e desferiu um disparo fortíssimo, na passada, que se anichou nas redes da baliza do Nürnberg, Decorria o minuto 54. Daí até final, o Benfica voltaria a marcar mais dois golos, por intermédio do outro extremo, José Augusto, ao minuto 62 e ao minuto 78, que voltava a responder, como noutras ocasiões, com muito oportunismo, às acções de ataque, que pediam uma entrada matadora, fechando o placar em 6x0. Uma vitória memorável e retumbante, com imensos festejos no fim e uma invasão pacífica do terreno de jogo. O ataque encarnado e, em particular, Eusébio seriam alvo de imensos elogios da imprensa internacional, no rescaldo do encontro. A pantera negra, por exemplo, de quem se disse ter feito um jogo perfeito e ultra-moderno, recebeu um novo epíteto, atribuído pelo jornal alemão Bünte Illustrierte, que tinha uma tiragem de cerca de três milhões de exemplares, que o chamou de 'chutador atómico'. Para a história ficou.

SL Benfica (6): Costa Pereira – Mário João, Ângelo – Cavem, Germano, Cruz – José Augusto, Eusébio, José Águas (cap.), Coluna, Simões.

1. FC Nürnberg (0): Strick – Derbfuss, Hilpert – Zenger, Wenauer, Reisch – Flechnecker, Morlock (cap.), Strehl, Wild, Müller.

Eliminado o Nürnberg, o Benfica teve de medir forças com o Tottenham, que tinha eliminado o nas meias-finais da Taça dos Campeões Europeus, e passou pelo desafio, vencendo os londrinos, em casa, por 3x1, resultado superior ao da segunda-mão, em que o Benfica foi a Inglaterra, perder por 2x1, chegando à final de Amesterdão, onde defrontou o todo-poderoso Real Madrid, que suou a bom suar para eliminar a Juventus, nos quartos-de-final – os espanhóis venceram em Turim por 1x0, mas perderam em casa também por 1x0, com um golo do astro ítalo argentino Omar Savoia, e só ao terceiro jogo, que se disputou em Paris, conseguiram resolver a questão a seu favor, vencendo por 3x1 –, vencendo por 5x3, num jogo em que brilharam Ferénc Puskás, para as espanhóis, e Eusébio, para os portugueses, arrecadando a sua segunda Taça dos Clubes Campeões Europeus.

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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008 / Etiquetas: ,

FC Basel 1893: centro do futebol helvético



Líder isolado da Super League, da Suiça, com cinco pontos à maior sobre o Young Boys ao cabo de 20 jornadas, o FC Basel, segundo classificado do campeonato helvético em 2006/07, vencedor da Taça da Suiça em 2007 e futuro adversário do Sporting nos 16 avos-de-final da Taça UEFA, em virtude de ter sido segundo classificado do grupo D, atrás do Hamburg, mas à frente do SK Brann, do Dínamo Zagreb e do Rennes, depois de ter ultrapassado o Sarajevo, na primeira eliminatória, e o Mattersburg, na segunda pré-eliminatória, chega a esta fase da prova, sem ter conhecido o sabor da derrota.

Comandados desde 1999 por Christian Gross, treinador suíço bastante credenciado em casa, que já experimentou a Premier League, entre 1997 e 1998, quando orientou o Tottenham Hotspur, onde não deixou uma imagem muito positiva, depois de ter sobressaído ao leme do Grasshoppers, pelo qual venceu dois campeonatos da Suiça entre 1993 e 1997 (1995 e 1996), o FC Basel, tem cimentado nos últimos anos, a sua posição entre os melhores clubes da Suiça, depois de duas décadas de travessia no deserto, com jejum de títulos, tendo arrebatado, já neste século, três campeonatos (2001/02, 2003/04 e 2004/05) e três Taças (2002, 2003 e 2007), pecúlio que mais nenhum emblema suíço consegue apresentar. A quebra da hegemonia interna perdida, nas duas últimas épocas, para o FC Zurich, onde foi sempre vice-campeão, parece esquecida e ultrapassada, e, neste momento, o FC Basel, que conta com uma curto, mas forte e homogéneo, defensivamente coeso e sem grandes clivagens no ataque, com várias unidades explosivas, embora não conte com um goleador de excepção, pese a presença de Marco Streller, o melhor jogador da equipa, é o mais forte candidato à conquista do campeonato suíço 2007/08, tendo uma vantagem bem confortável para os seus mais directos competidores, que lhe permite encarar e atacar a presença nos 16 avos-de-final da Taça UEFA, onde embora nunca tenha chegado muito longe, já ousou derrotar equipas de renome internacional, sem grande pressão, pois é o Sporting, não só porque é uma equipa com maior experiência e pergaminhos na Europa, mas também porque internamente, já está praticamente arredado da discussão pelo título, afinal de contas, o seu grande objectivo da época, que tem de encarar a eliminatória sob uma perspectiva de favorito. Apesar disso, não é líquido que essa superioridade teórica do Sporting se transponha para o campo de jogo e a resolução da eliminatória, na Suiça, poderá ser um ponto a favor do FC Basel, equipa que espalha bem as suas peças no terreno de jogo, mas que depois revela algumas dificuldades de movimentação, que tentará, para já, tirar partido de um futebol de contenção, onde embora não sejam insuperáveis, longe disso, têm sido peritos, na Europa, esta temporada, com várias saídas rápidas para o ataque, preferencialmente explorando a velocidade dos seus extremos, e funcionar como um contrapeso para as aspirações do Sporting, se os leões entrarem relaxados, com um ritmo de jogo e pressão baixa, ou concederem espaço para a manobra dos helvéticos, isto é, se não encararem o resultado do jogo da primeira-mão, em Alvalade, como factor importante para as contas finais da eliminatória, ainda mais porque o FC Basel, vai apresentar-se bastante desfalcado, pelo menos no encontro da primeira-mão, sendo de notar ausências de peso em praticamente todos os sectores da equipa, como a estrela Streller, no ataque, Chipperfield, no meio campo, e Zanni e Nakata, na defesa.



Guarda-redes

Franco Costanzo, guarda-redes internacional argentino, de 27 anos, produto das escolas do River Plate, onde efectuou parte do seu percurso profissional até 2005 e era o número um relegando para o banco de suplentes o campeão olímpico Germán Lux, é o habitual titular do FC Basel, onde chegou há quase dois anos, depois de ter representado o Alavés, de Espanha, em 2005/06, com a missão de substituir Pascal Zuberbühler, que foi para o West Bromwich Albion. Alto, possante e muito habituado a ambientes hostis, Costanzo defende bem entre postes, onde demonstra muita segurança, isto quando se revela concentrado, e é destemido a sair da baliza, mas também é tido como um guardião demasiado excêntrico, que dá muita importância ao show off, sendo, por isso, capaz do melhor e do pior. Louis Crayton, 30 anos, experiente guarda-redes internacional liberiano, que tem um percurso feito em clubes suíços de menor dimensão, embora já tenha actuado no Grasshoppers e no Lucerne, que o contratou há cerca de dez anos, ao Saint Joseph Warriors, da sua terra natal é normalmente o suplente e principal alternativa a Costanzo para o posto de guarda-redes e até já fez alguns jogos esta temporada, por impossibilidade do argentino, respondendo à altura. O terceiro guardião é o jovem suíço Jayson Leutwiler, de 18 anos. Tido como um valor interessante, Leutwiler, que até já é internacional sub-21, ainda se encontra em fase de crescimento e maturação.



Defesa
Na defesa a quatro apresentada normalmente pelo FC Basel, que se revela eficiente, sem grande assimetrias, embora controle muito melhor o jogo aéreo, que à flor da relva, sendo, até à data, a segunda menos batida do campeonato suíço, com 21 golos sofridos, só superada pela do FC Zürich, que consentiu 20, Reto Zanni, Daniel Majstorovic e François Marque são praticamente indiscutíveis. O posto de lateral direita da equipa é habitualmente ocupado pelo suíço Reto Zanni. Jogador de 28 anos, com imensa experiência a nível interno, que começou no Grasshopper, passando depois pelo St. Gallen, FC Thun, até chegar ao FC Basel, Zanni é um lateral consistente, que se sente melhor a defender em posições interiores, tirando partido dos seus dotes físicos e da sua polivalência, que lhe permite actuar também no centro da defesa, em caso de necessidade, do que junto à linha lateral, onde é obrigado a recorrer por vezes à falta, para não ser deixado nas ‘covas’, revelando, por vezes, excessos nas abordagens e entradas que faz, que lhe têm valido imensos cartões amarelos e alguns vermelhos ao longo da carreira, e que gosta de apoiar o médio ala à sua frente, nas subidas ao ataque. Zanni é, contudo, baixa para o jogo de Alvalade, precisamente, por estar castigado. No eixo da defesa, Christian Gross opta invariavelmente pela dupla que maiores garantias lhe tem dado ao longo da época, composta por Daniel Majstorovic, 30 anos, defesa central internacional sueco, de ascendência sérvia, que está há três temporadas na Suiça, onde chegou oriundo do FC Twente, da Holanda, depois de ter feito carreira na Suécia, onde entre outros clubes representou com imenso sucesso o Malmö, durante quatro épocas, e é o líder da defesa do FC Basel e mostra-se muito forte no jogo aéreo, capítulo em que é praticamente insuperável, impondo a sua presença nas duas áreas, de forma muito marcada, o que lhe vale também vários golos, nas subidas que faz ao ataque em lances de bola parada, mas é algo duro de rins, com dificuldades, para travar lances de um para um, quando pela frente, apanha jogadores tecnicamente dotados, com a bola controlada, onde é obrigado a recorrer à falta, vendo por isso vários cartões amarelos, que lhe dão fama de duro, e por François Marque, um defesa central francês de 24 anos, forte fisicamente e com predicados no jogo aéreo, mas ainda em fase de crescimentos, que chegou no início de 2007 ao FC Basel, proveniente do FC Baulmes, clube das divisões secundárias helvéticas, onde deu muito boas indicações, e, depois de um semestre de adaptação a outra realidade, já que em França começou o percurso sénior nos amadores do RCS La Chapelle, depois de se feito parte da formação no Troyes, e teve uma passagem fugaz, sem ter feito um único encontro, pelo secundário Libourne-Saint-Seurin, aproveitou a última pré-temporada para agarrar a titularidade, que não mais largou, tendo falhado, até ao momento, somente um jogo do FC Basel no campeonato suiço. No lado esquerdo da defesa, a aposta de Gross costuma recair quase sempre sobre o japonês Kōji Nakata, 28 anos, internacional pelo país do sol nascente em 57 ocasiões (esteve nos dois últimos Campeonatos do Mundo), que chegou à Europa, em 2005, para representar o Olympique de Marseille, onde jogou pouco, após sete anos ao mais alto nível na J-League, ao serviço do Kashima Antlers, e em 2006, ao FC Basel. Jogador rápido e eficaz, com boa capacidade ao nível do passe e de leitura táctica, que pode desempenhar funções no miolo, Nakata vai, todavia, falhar o encontro da primeira-mão, por se ter lesionado no início de Fevereiro, na visita de má memória para o FC Basel, ao terreno do Young Boys, onde além ter perdido e visto lesionar-se o seu lateral nipónico, acabou com dez unidades, por expulsão de Majstorovic, que desse modo, foi suspenso e falhou o último encontro antes da viagem a Portugal, que marcou a recepção ao Neuchâtel Xamax. Jogaram, então, no último jogo do FC Basel, nos lugares e posições de Majstorovic e Nakata, respectivamente, Beg Ferati e Ronny Hodel. Ferati é um jovem defesa central de 21 anos, de origem albanesa, que nasceu no Kosovo, e é internacional pela selecção da Suiça de sub-21, chegado na reabertura do mercado ao FC Basel, oriundo do Concordia Basel, por troca com Patrick Baumann, também internacional suíço de sub-21, que saiu em sentido inverso, por empréstimo, para poder jogar com maior regularidade. Poderá, perante a impossibilidade de Zanni, ser chamado à responsabilidade para fechar o lado direito da defesa no jogo da primeira-mão, ainda que a chamada de um elemento do meio campo, dado que Ferati é ainda inexperiente, para jogar a lateral direito, não seja improvável. Ronny Hodel é um lateral esquerdo que aos 25 anos ainda é considerado promissor e um dos melhores laterais canhotos do país, embora tenha o caminho tapado na selecção helvética tanto por Christoph Spycher, do Eintracht Frankfurt, como por Ludovic Magnin, do Stuttgart, e chegou esta temporada ao FC Basel, oriundo do Young Boys, onde foi titular nas duas últimas temporadas, condição que transportava desde os tempos do FC Luzern, onde principiou a carreira. No entranto, Hodel tem demorado a afirmar-se sob as ordens de Christian Gross, embora já tenha realizado vários jogos esta época, mas com a lesão do nipónico Nakata, encontrou finalmente espaço para jogar com regularidade, fixando-se no onze titular, sendo uma aposta mais que certa para ocupar o lado esquerdo da defesa do FC Basel no desafio de Alvalade. Michel Morganella, lateral direito de 18 anos, compõe as opções no que toca a defensores às ordens de Christian Gross, mas não deverá ser um elemento a ter em conta para os jogos com o Sporting, até porque se encontra, de momento, indisponível por lesão.



Meio-campo
Nos jogos em casa, Christian Gross atribui mais flexibilidade ao esquema da equipa optando por jogar com cinco médios (4x1x4x1), que se desdobra para o ataque em quatro (dois+dois) unidades da intermediária, mais duas (um+um) unidades no ataque, e recupera defensivamente com cinco unidades (um+quatro) no miolo, com os extremos a fecharem o flanco e segundo avançado, que joga entre linhas a recuperar para o meio campo. Contudo, fora e frente a adversários mais poderosos, a rigidez táctica é mais visível e, não será de estranhar, a aposta no esquema normalmente utilizado, virado para a defesa, frente ao Sporting, tanto fora, como em casa, se a situação não for muito desfavorável, nem propícia a grandes extravagâncias. Face à ausência de vulto, de Scott Chipperfield, médio internacional australiano de 32 anos que está no FC Basel desde 2001, depois de ter falhado nos testes no Bolton Wanderers, no Inverno desse ano e de ter realizado parte do seu percurso no país dos cangurus, ao serviço do Wollongong Wolves, onde é recordado com imensa saudade, que sobe bem ao ataque e é criativo, com bom toque de bola e leitura de jogo, forte a finalizar à entrada da área – é o segundo melhor marcador da equipa no campeonato suíço – quando lhe é concedido espaço pelos adversários, que actua preferencialmente sobre o lado esquerdo do meio campo do FC Basel, mas que sabe procurar e explorar muito bem posições interiores, o que torna o meio campo, já de si carenciado em termos de construção de jogo, criatividade, magia e explosão, pela saída na reabertura de mercado do fantástico Felipe Caicedo, jovem internacional equatoriano que era a coqueluche da equipa, que rumou ao Manchester City, por um valor na ordem dos sete milhões de euros, e macio, em termos de preenchimento de espaços e recuperação defensiva, ainda mais vulnerável. Para jogar como pivot defensivo de meio campo poderá ser escolhido o recuperador de bolas senegalês de 27 anos, Papa Malick Ba, jogador mais posicional, que esteve recentemente ao serviço da selecção do seu país na CAN, não sendo de descurar, para a visita a Portugal, uma aposta de Gross num trio de volantes, em linha, que já experimentou noutras situações, com Ivan Ergic, internacional sérvio de 27 anos, que é o capitão de equipa e que pode desempenhar funções de médio mais defensivo, papel que já cumpriu diversas vezes, esta temporada, e de interior, preferencialmente sobre o lado esquerdo, com o mesmo rigor e eficácia, e Benjamin Huggel, jogador de 30 anos com vasta experiência internacional e de Bundesliga, de onde proveio no início desta temporada, marcadamente defensivo, de destruição de jogo, que é um dos dois homens do centro do miolo, normalmente utilizados por Christian Gross, sendo que o brasileiro Eduardo, que é um avançado, com profundidade de jogo, adaptável a várias posições, tanto no meio como na frente de ataque, onde surge, deambulando nas costas do avançado centro, é praticamente indiscutível no onze, este ano, e é quase certa a sua chamada ao onze para completar o trio do centro do meio campo – o tal homem que surgirá no apoio ao avançado centro –, e isso significará ou saída de um dos três jogadores supracitados, sendo que neste particular, o elo mais fraco tem sido ao longo da temporada, Papa Malick Ba – que pode, portanto, ser o tal elemento a recuar para a lateral direita, se Gross quiser dar maior experiência ao sector recuado –, recuando Ergic para o posto do senegalês, como primeiro volante, ou ao deslocamento do sérvio para uma das faixas do meio campo, o que é já mais improvável, dado que face às condicionantes, David Degen, internacional suiço de 24 anos, forte nos desequilíbrios junto às faixas, tirando partido da sua boa capacidade de drible, que suplente utilizado diante do Neuchâtel Xamax, e está no FC Basel, onde viveu os melhores anos da ainda curta carreira, depois de ter começado no Aarau, emprestado pelo Borussia Mönchengladbach, deverá ocupar um dos lugares junto a uma das linhas laterais no meio campo, já que embora jogue preferencialmente sobre a direita, também pode trocar com facilicidade de flanco e evoluir sobre a esquerda. Se jogar sobre o lado direito, Carlitos, jogador português de origem cabo-verdiana, antigo internacional de sub-21, que começou no Amora e despontou no Estoril-Praia, antes de ingressar no Benfica, onde não vingou, passando depois pelo Vitória de Setúbal, até ter ido parar ao futebol suíço, com o Sion como porta de entrada, seguindo-se o FC Basel, tecnicamente dotado, com qualidades no drible, que o tornam forte no um para um e utilíssimo para jogar em contra-ataque, e no remate, poderá passar para o flanco esquerdo, posição onde curiosamente mais rendeu na sua ainda curta carreira, ao serviço do Estoril, despertando a atenção do Benfica. Será mesmo mais fiável dizer-se que Degen e Carlitos são neste momento as opções mais fortes para ocupar as posições de médio ala/extremo do FC Basel frente ao Sporting, em Alvalade, onde também surge como hipótese, para o lado canhoto, Marko Perović, de 24 anos, que foi o outro jogador que chegou no mercado de Inverno, emprestado pelo Crvena Zvezda, onde se formou, para colmatar a lacuna aberta pela saída de Felipe Caicedo. Jogador dotado tecnicamente, cumpre um papel semelhante ao de Degen e Carlitos, com quem até tem algumas parecenças no estilo de jogo, criando desequilíbrios na ala esquerda, para depois aplicar sem grandes cerimónias um forte remate, sempre que lhe é concedem espaço para o tentar. Estreou-se pelo FC Basel, no sábado, frente ao Neuchâtel Xamax, substituindo precisamente Scott Chiperfield, e marcou, em cima do apito final, o último golo da sua equipa no triunfo de 3x0. Outros jogadores de meio campo, do qual saiu também na reabertura o internacional do Liechtenstein, Franz Burgmeier, por empréstimo, para o FC Thun, ao dispor de Christian Gross são os sub-20, Adelson Cabral, Fabien Frei e Valentin Stocker, sendo que os dois primeiros até têm tido chamadas regulares à equipa ao contrário de Stocker, que ainda não fez qualquer jogo. Adilson Varela ‘Cabral’, jogador esforçado, forte na recuperação e transporte de bola, que pode alinhar em qualquer um dos lugares do centro do meio campo, mais defensivo, mas também como interior, ou até na posição dez, é um internacional suíço de sub-21, que nasceu em Cabo Verde há 19 anos e chegou esta época ao FC Basel, como forte esperança, oriundo do FC Lausanne-Sport, onde foi um dos poucos jogadores que sobressaiu, na péssima campanha da equipa, na segunda divisão Suiça em 2006/07. Fabien Frei, de 19 anos, também é internacional sub-21 pela Suiça e irmão de Alexander Frei, proeminente avançado suíço que alinha no Borussia Dortmund. Ainda em início de carreira, Frei, que joga no meio campo, mais descaído para a direita, onde tem encontrado algum espaço para jogar nesta sua primeira época como profissional, é visto como um jogador de elevado potencial, em quem os responsáveis do FC Basel, onde se formou, depositam enormes esperanças para o futuro.



Ataque
Na frente do ataque, o FC Basel costuma actuar com um homem mais fixo na área, ou seja, um ponta-de-lança que saiba jogar em cunha entre os centrais contrários, que é acompanhado pelas entradas de trás, de um dos médios ofensivos, que é Eduardo, que aparece bem nos últimos metros, ou dos alas, que rompem junto à linha e rompem em diagonais, desequilibrando as marcações contrárias. Normalmente, esse avançado de área, que explora bem o jogo aéreo, onde se revela poderoso, e tem um bom remate e grande sentido de oportunidade, é Marco Streller, de 26 anos, um dos melhores jogadores suíços da actualidade e principal estrela da equipa, que regressou esta temporada ao FC Basel, onde começou a carreira, depois de três anos e meio, no futebol alemão, onde representou, por duas vezes, sem ter conseguido causar grande impacto, o Stuttgart, e, pelo meio, o Köln, com a tarefa de marcar golos, o que tem feito amiúde, sendo o melhor marcador do FC Basel, esta temporada, com nove golos só no campeonato da Suiça. Todavia, Streller está lesionado e vai falhar o encontro com o Sporting, e, para o seu lugar, Christian Gross deverá apostar no seu compatriota Eren Derdiyok, que é considerado o avançado mais promissor do futebol suíço, sendo já internacional – estreou-se no particular frente à Inglaterra e logo com um golo –, apesar de ainda só ter 19 anos. Jogador com características próprias de um típico avançado de área, muito poderoso e com killer instinct apurado, que lhe confere um índice de aproveitamento muito interessante, não só no clube como nas selecções de base da Suiça, Derdiyok, que tem ascendência turca, vai na sua segunda temporada ao serviço do FC Basel, que o contratou ao Old Boys, onde marcou 10 golos em 18 encontros, e tem sido o titular nos últimos jogos, face à ausência de Streller. Eduardo, avançado brasileiro que passou pelo Vasco da Gama no início da carreira, antes de vir para a Europa, onde já experimentou para além do campeonato suíço, desde 2006, os campeonatos belga, pelo Charleroi, três épocas, a bom nível, e francês, pelo Toulouse, durante duas temporadas, capaz de desempenhar várias funções, tanto na intermediária, à qual se tem adaptado desde que chegou ao FC Basel, sendo neste momento mais gregário e assistente, tirando partido da sua habilidade, quanto no ataque, onde era temível nos últimos metros, com grande capacidade de finalização, no início da carreira, poderá ainda ser alternativa a Derdiyok, dependendo da atitude e face que Gross queira que o FC Basel apresente em Alvalade, ainda que, no seguimento do que tem sido a sua época, estejamos mais em crer na sua utilização mais atrás, como aliás, referimos.

Táctica

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Domingo, 10 de Fevereiro de 2008 / Etiquetas: ,

Marcelinho:um goleador na Figueira



A Naval 1º de Maio eliminou o secundário Rio Ave nos oitavos-de-final da Taça de Portugal, após prolongamento. O que tem isto de tão especial? Nada! Mas se formos insistentes e olharmos a ficha de jogo, vemos lá o nome de Marcelinho entre os marcadores do encontro e, isso, sim, quer dizer algo, porque começa a ser recorrente.Marcelinho, avançado brasileiro natural de Belo Horizonte, revelado pelo Atlético Mineiro, que completou 24 anos, há precisamente um mês, chegou esta temporada à Naval 1º de Maio, proveniente do Avaí, onde se destacou como goleador, tendo sido o melhor marcador da equipa catarinense no estadual 2007 e um dos artilheiros da Serie B, até ao momento em que saiu do Brasil, depois de duas experiências falhadas na Europa, mais concretamente no Örgyte, da Suécia, em 2005, e no Aalborg, da Dinamarca, em 2006, mediadas por curtas passagens pelo Bahia, onde também fez boa figura, e pelo Coritiba, com menor expressão, com uma missão simples mas de grande importância para os figueirenses, que haviam perdido referências importantes no último defeso como Fajardo, que trocou a Figueira da Foz por Guimarães, ou Nei: fazer esquecer o seu compatriota e colega de posto, que ao sair para o CSKA Sofia, deixou o ataque da Naval órfão, marcando golos.

E, Marcelinho, atacante esgio e rápido, de passada larga, tecnicamente interessante, que se desmarca muito bem e, com grande sentido de oportunidade, acorre na área contrária aos cruzamentos dos seus colegas, tirando partido do seu jogo de cabeça, que é bastante eficaz, para finalizar, o que também consegue fazendo uso do seu potente e colocado remate, normalmente de pé direito, que não tem pejo em executar, tanto de bola corrida, como em lances de bola parada, que bate de forma superior, como se viu ainda no jogo de hoje frente ao Rio Ave, tem cumprido - prometeu marcar 13 golos aquando da apresentação -, sendo neste momento o grande abono de família da Naval.

Marcelinho que tinha apenas três golos marcados no final da primeira volta da Liga portuguesa, já dobrou o registo, tendo marcado consecutivamente nos últimos três encontros, tendo sido importante no triunfo no Bonfim frente ao Vitória de Setúbal e no empate, em casa, frente ao Estrela da Amadora, como já tinha sido decisivo nas vitórias, fora, frente ao Leixões, e, em casa, sobre o União de Leiria. Na Taça de Portugal, o avançado brasileiro tem estado igualmente inspirado e marcou quatro golos, em dois jogos – dois ao Rio Ave e dois ao Boavista, na 5ª eliminatória –, o que somado às contas da Liga, totalizam sete golos nos últimos cinco jogos. É um registo muito interessante de um jogador, que já leva onze golos no total e tem diante do Benfica, que visita a Figueira da Foz, na próxima jornada, mais uma oportunidade, chamar a si a responsabilidade de facturar e centrar parte das atenções que, neste momento, sobretudo pelo momento de forma que atravessa, merece.

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Sábado, 9 de Fevereiro de 2008 / Etiquetas:

A estreia vitoriosa de Capello



A Suiça, anfitriã do Campeonato da Europa de 2008, onde será uma das selecções adversárias de Portugal na primeira fase, deslocou-se a Londres, a meio da semana, para disputar um particular frente à sua congénere inglesa. O desafio, marcava o regresso dos britânicos ao local do crime, isto é, ao estádio – Wembley – onde perderam a qualificação para o próximo Campeonato da Europa, dois meses depois da derrota que lhes foi imposta pela Croácia por 2x3, e trazia a novidade da estreia de Fabio Capello, treinador italiano altamente conceituado pelo trabalho que desenvolveu em clubes como AC Milan, Real Madrid, AS Roma e Juventus, no comando técnico da Inglaterra. O resultado final foi favorável aos da casa – venceram por 2x1.

Os britânicos adiantaram-se no marcador ao minuto 40, numa conclusão de Jermaine Jenas, que, com a baliza à sua mercê, apenas teve de encostar para as redes, após boa jogada de Joe Cole, pela esquerda, mas viram os helvéticos chegarem à igualdade, antes do quarto de hora da segunda parte, com um excelente golo do jovem Eren Derdiyok. Shaun Wright Phillips, assistido por Steven Gerrard, desfez o empate, fixando o marcador final, quatro minutos depois do golo helvético, com uma finalização similar à do seu colega Jenas, na primeira parte, embora o mesmo tenha sido construído de modo diferente, numa jogada típica do velhinho 'kick and rush'.

Tácticas:
Do onze titular com que a Inglaterra, de Steve McClaren, encarou a Croácia, num jogo que se revestia de capital importância para as contas finais do grupo E, de apuramento para o Europeu, restaram, para o amistoso frente à Suiça, apenas três jogadores. Gareth Barry, primeira unidade à frente da defesa, o capitão Steven Gerrard, maestro da equipa, e Joe Cole, um dos jogadores de maior capacidade técnica, nascido em terras de Sua Majestade. Fabio Capello montou um esquema de 4x1x4x1, desdobrável em 4x1x2x2x1 em situação ofensiva, com a novidade Mathew Upson, defesa central do West Ham United, que não disputava um jogo pela Inglaterra desde Novembro de 2004, quando a selecção dos três leões perdeu em Espanha, num encontro também amigável, de preparação para o Euro 2004, no eixo da defesa, ao lado do habitual titular Rio Ferdinand, ladeados pelo red devil Wes Brown, que não esteve muito feliz tanto a defender como a atacar, à direita, e Ashley Cole, outro jogador que não conseguiu uma exibição muito convincente, à esquerda, e à frente de David James, que tirando partido da sua excelente temporada no Portsmouth, regressou ao posto de guarda-redes, onde poucos, para além de Paul Robinson têm agradado ultimamente, mesmo que o guardião do Tottenham pareça, para já, ser carta fora do baralho. Barry, jogador do Aston Villa, muito forte no passe curto, foi o elemento que actuou à frente da defesa, com missões mais defensivas e de distribuição no primeiro momento de construção ofensiva, servindo de elo de ligação com o resto do meio campo, que se compôs com as presenças de David Bentley, jogador com um currículo vasto ao serviço das selecções de base inglesas, que é apontado nas ilhas britânicas como o novo David Beckham, na ala direita, Joe Cole, no flanco oposto, derivando muito para o meio em diagonais, o incansável operário e bom transportador de bola Jermaine Jenas e o capitão Steven Gerrard, ao centro. Wayne Rooney foi o avançado escolhido por Capello para jogar na frente e fez uma exibição multicolor, muito desapoiado na frente, na primeira parte, mas sempre incansável na procura de espaços, e uma segunda parte, de nível superior, tendo-lhe faltado só um golo para a coroar.

A Suiça, de Jacob Kuhn, que prepara com afinco a participação no próximo Campeonato da Europa, onde deseja fazer mais que figura de corpo presente, perfilou-se em 4x2x3x1, com o ex-Nacional da Madeira Diego Benaglio, que esteve particularmente atento durante toda a partida, não tendo tido culpa nos golos sofridos e ainda evitou outros, a ocupar o posto de guarda-redes, atrás de uma defesa a quatro formada por Stéphane Lichtsteiner, um lateral consistente a defender, ainda que tenha sido batido de forma impiedosa no primeiro golo inglês por Joe Cole, e que sobe só pela certa e Christoph Spycher, jogador muito interessante, com boa cadência ofensiva, que se entende às mil maravilhas com Barnetta, cruza bem e esteve eficaz a tapar os caminhos a David Bentley, revelando bom posicionamento também atrás, ainda que depois, perante a velocidade e irreverência de Shaun Wright Phillips tenha sentido maiores dificuldades, nas laterais direita e esquerda, respectivamente, e Mario Eggiman e Philippe Senderos, dois jogadores muito fortes no jogo aéreo, no centro. O duplo pivot defensivo foi composto por Gökhan Inler e Gelson Fernandes, jogadores muito combativos e com bom toque de bola, que preenchem bem os espaços à frente da defesa e ainda participam na construção de jogadas de ataque. No meio campo ofensivo, três jogadores, Daniel Gygax, pela direita, que colado à linha ou mais por dentro, onde procura muitas vezes espaço, pressiona e parte para cima, com muito à vontade, nunca descurando o remate, sem pedir licença para o executar, Hakan Yakin, o playmaker da equipa, pelo meio, na posição dez, e Tranquilo Barnetta, pela esquerda, no apoio ao homem da frente, Isetsima N’Kufo, atleta de origem congolesa, já acima dos 30 anos de idade, que revelou imensas dificuldades em impor a sua presença na área, embora seja batalhador e tenha ido muitas vezes atrás, participar na construção de jogadas de ataque, distribuindo jogo para os flancos.

A inexperiência de Bentley e o flanco esquerdo helvético
A Inglaterra entrou mal no jogo, demonstrando pouca ligação entre sectores – Rooney andou sempre perdido na frente na primeira parte – e muitas dificuldades de construção de lances de ataque, com perdas de bola em locais proibidos, aproveitadas pelos suíços, para experimentarem rápidas transições, aspecto em que foram melhores que os ingleses, no primeiro tempo, e alguns remates de fora da área, testando a atenção de David James. Um dos rostos da entrada nervosa dos britânicos foi David Bentley, que se estreava a titular pela Inglaterra. O jogador do Blackburn Rovers, enquanto jogou sobre o lado direito – depois da entrada de Shaun Wright Phillips passou a ocupar uma posição mais central no lugar de Jermaine Jenas –, revelou imensas dificuldades de progressão, arriscando muito pouco nas subidas à linha, perante a marcação de Christoph Spycher, que raramente lhe concedeu espaço de manobra. Jogador de grande disponibilidade física, Bentley, que segura muito bem a bola, contou com a ajuda de Wes Brown, que protagonizou várias subidas ao meio campo contrário, fazendo inclusive incursões pelo meio, mas que não passou de mais uma unidade incipiente a atacar, quando se tratou de traduzir em objectividade esses mesmos ataques, mas esteve francamente mal nos cruzamentos, quer na cobrança de livres, quer de bola corrida, onde pareceu ser afectado pelos ruídos que vinham das bancadas e pela vontade de mostrar serviço. Na segunda parte, melhoraria o rendimento, à semelhança de muitos dos seus companheiros, em virtude do seu deslocamento para o meio, onde conseguiu efectuar alguns passes muito bem medidos, a rasgar a defensiva contrária. O flanco direito da Inglaterra foi, aliás, um dos handicaps da equipa na primeira parte, também porque defensivamente, Brown e Bentley, que fechou mal em algumas jogadas, mas sobretudo o primeiro, sentiram inúmeras dificuldades face a Spycher e Barnetta, quer pelas subidas à linha do primeiro – tal com Lichtsteiner do lado oposto defende bem e não se coíbe de atacar –, quer pelas entradas em diagonais do segundo, muito inteligente na forma como se move, derivando do flanco para o meio, e remata.

Steven Gerrard no papel de 'quarterback' e a inteligência de Joe Cole
Steven Gerrard foi a unidade mais importante da Inglaterra e assume-se, desde já, como o patrão da equipa, a partir do qual, Fabio Capello deverá formar as linhas no futuro. Perante a falta de soluções no transporte de bola, o jogador do Liverpool, embora também não tenha entrado bem na partida, tendo sido protagonista de várias perdas de bola na primeira zona de construção, desde cedo assumiu o comando das operações no meio campo inglês, recuando ao meio campo defensivo, para lançar a partir daí o ataque, com passes longos, lembrando um pouco a acção exercida por Pirlo, no AC Milan, normalmente cruzados e sempre bem medidos, a solicitar, ora Bentley, que aparecia pouco, ora Jenas, que foi a unidade inglesa que mais apoiou Rooney na primeira parte, dado que aparece muito bem nos últimos 30 metros, mas também Wayne Rooney. Steven Gerrard foi um faz tudo na equipa inglesa. Foi ele que em situações de pressão sobre a defensiva contrária, assumiu o papel central, coordenando as acções, pautando e abrindo o jogo para os flancos. Ele teve acção importante não só no golo inicial, como na primeira grande ocasião da Inglaterra, que mostrou um futebol muito eficiente ao nível do passe que privilegia muito a posse de bola e o ataque pela certa – que não acontecia na era McClaren. Interessantes foram também as combinações ensaiadas pela asa esquerda inglesa, com clara importância de Gerrard, que se revezava com Joe Cole, em troca de posição, aparecendo na esquerda e arrastando sobre si a marcação de um jogador suíço, normalmente Inler ou Fernandes, o que permitia ao jogador do Chelsea, um dos mais inteligentes intérpretes do jogo sem bola sobre as quatro linhas, aparecer no espaço central, puxando Gygax de fora para dentro, fugindo-lhe nas costas, para depois, tirando partido da sua velocidade, se juntar na frente, em acções verticais, embora também tenha feito várias diagonais de excelente execução, ao lado de Rooney, e com isso, Steven Gerrard, que voltava ao centro, abria o corredor esquerdo para o lateral Ashley Cole explorar, sem que tal tenha significado, grandes resultados.



O primeiro golo do jogo nasceu num terceiro momento de ataque inglês, depois de um pontapé de canto aliviado pela defesa helvética, que Rooney recuperou, em primeira instância, na intermediaria, e que Jermaine Jenas recuperou, depois, de nova perda de bola Suiça na saída para o ataque, o que proporcionou jogada de Bentley, que mais uma vez, não arriscou, optando por atrasar para Brown. O lateral direito colocou ao meio em Gerrard, que, perante os combativos médios defensivos contrários, e tirando partido da sua excelente visão de jogo, abriu rapidamente na esquerda, onde apareceu Joe Cole, de trás para a frente, em progressão, fintando muito bem, mesclando o uso do corpo, com o do pé direito, o lateral direito suiço Lichtsteiner, indo depois à linha, onde centrou rasteiro e atrasado para a zona de finalização onde estava o mesmo Jenas, que tinha estado na recuperação e que surgiu sempre muito bem nos últimos metros, ao longo do tempo que esteve em campo, no apoio a Rooney, sendo de notar ainda a importância e inteligência táctica de Bentley, que vindo da direita, entrou nas costas de Jenas, puxando consigo a marcação de Spycher, fazendo com que o médio ofensivo inglês ficasse sozinho, para encostar para as redes do desamparado Benaglio.

Nova postura da Suiça e o acutilante Rooney
Uma equipa deve tirar partido das características das suas unidades, mas deve existir um ponto de equilíbrio e foi isso que faltou à Suiça na segunda parte, expondo-se muito ao erro, porque com as substituições operadas, ao intervalo, por Jacob Kuhn, que trocou Valon Behrami, que arriscou muito no ataque, com muitas subidas, mas esteve muito mal a defender, concedendo inúmeros espaços nas suas costas, por Lichtsteiner e Eren Derdyiok, que fazia a sua estreia pela selecção principal da Suiça, por Nkofu, os helvéticos pareceram voltar mais determinados para a segunda parte, mais ofensivos, o que por outro lado, abriu mais espaços atrás que não tinham sido concedidos na primeira parte. Várias unidades inglesas começaram a subir de rendimento, nomeadamente Wayne Rooney, que começou a surgir mais em jogo, proporcionando momentos de grande espectáculo e autênticas lições de como atacar a bola, e direccioná-la à baliza, sendo também apoiado de forma mais directa, e Steven Gerrard, que esteve mais liberto nas acções, mostrando-se empenhado nas transições de jogo, participando activamente nos contra-ataques, que a Inglaterra, depois de um período inicial de segundo tempo, em que exerceu grande pressão sobre a Suiça, remetendo-a atrás, com muita qualidade ao nível do passe e circulação de bola, entre todas as suas unidades, da defesa ao ataque, sobretudo depois de ter chegado ao 2x1, começou a apostar.

Eren Derdyiok matador
A Suiça, já com Johan Vonlanthen em campo no lugar de Daniel Gygax, chegou ao golo, na jogada imediata às substituições de Shaun Wright Phillips e Peter Crouch por Jermaine Jenas e Joe Cole, numa jogada em que Vonlanthen recebeu a bola e variou de fora para dentro, em diagonal em sentido contrário ao do ataque helvético, puxando Ashley Cole, que o estava a marcar, para o meio, sendo que Rooney, foi obrigado a fechar à esquerda – primeira descompensação na defesa da Inglaterra; Vonlanthen meteu em Hakan Yakin que também fez deslocar Matthew Upson, que realizou uma exibição personalizada, no seu encalço, compensado com a recuperação de posição do lateral Cole, mas para o centro da defesa; Yakin temporizou e deixou em Barnetta, que entrando de fora para dentro, em sentido contrário ao de Yakin, tirou Brown, que ficou a ver jogar, e Upson, da jogada, e colocou na frente onde, entretanto, Yakin se tinha colocado, mas Eren Derdyiok, aproveitou para surgir no espaço vazio, saindo de uma posição sem marcação, onde Cole não o conseguiu pressionar, e ganhou em velocidade a Rio Ferdinand, que pareceu completamente surpreendido pelo movimento do jovem suíço, que desferiu um remate seco, de primeira e de pé esquerdo, para o fundo das malhas da baliza de David James.

Momento decisivo e o gafanhoto Crouch
Com a entrada de Crouch, a Inglaterra ganhou centímetros no ataque, que passou a usar como referência para distribuição de jogo, a partir dos pontapés longos de David James e da defesa. Numa jogada assim, deu-se o segundo golo da Inglaterra, com o ponta-de-lança do Liverpool a ganhar de cabeça, após um pontapé de baliza do guarda-redes inglês, solicitando Wayne Rooney, que depois da saída de Cole, passou a fechar o lado esquerdo do meio campo, mas que em situação ofensiva, aproximava-se da frente, derivando muito para posições interiores, que deu um toque subtil de primeira, para Steven Gerrard, que arrancando pela esquerda em velocidade, perante a descompensada defesa Suiça, conseguiu cruzar para o lado contrário, onde apareceu a flecha Shaun Phillips vindo de trás, para finalizar, na primeira vez que tocou na bola. Uma jogada com um total de sete toques na bola, sendo que em cinco jogadores que nela participaram, quatro tocaram-lhe apenas uma vez. Peter Crouch foi a unidade que mais cresceu no jogo daí até final, dando imenso trabalho sobretudo a Mario Eggiman, dado que Behrami era praticamente uma unidade inexistente a defender, um defesa central – Senderos e Spycher foram os melhores defensores da suíços – que sentiu muitas dificuldades durante todo o jogo para travar tanto Rooney, que lhe ganhou várias acções, pela rapidez, como Peter Crouch, que pela movimentação e inteligência, apareceu-lhe muito nas costas, para finalizar em remates de primeira, como lhe é conhecido. Diego Benaglio, como o tinha feito em relação aos remates de Rooney, que entretanto saíra para dar lugar ao talentoso Ashley Young - entrou ainda Owen Hargreaves para o lugar de Barry para refrescar a intermediária -, não permitiu.

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Copa SP: observando as 'estrelas'

A edição 2008 da Copinha, competição anual de futebol júnior que se realiza no estado brasileiro de São Paulo e que reúne imensos clubes de vários pontos do Brasil, já acabou há algum tempo, mas só nos últimos dias tive oportunidade de visionar, com maior detalhe, algumas das partidas e tirar notas sobre alguns dos jogadores que sobressaíram na competição e que foram, por sua vez, destacados no magnífico site Olheiros, do qual tenho o prazer de fazer parte, e outros que me agradaram. Proponho, então, uma viagem ao universo do futebol júnior brasileiro passando em revista vários nomes, que merecem um olhar atento, no futuro.



Tiago Luís (Santos; avançado) Foi o melhor marcador do Santos e um dos artilheiros da Copinha, com oito tentos. Avançado centro, Tiago Luís destaca-se sobretudo pela rapidez com que aparece nos últimos metros, fugindo de forma muito interessante do meio para os lados, em diagonais, e pelo alto índice de concretização, tendo feito vários golos em remates cruzados, que consegue fazer a partir dessas tais diagonais, com ambos os pés, ainda que seja destro e finalize melhor com o direito, onde se mostra implacável, porque tem também uma grande noção de baliza. Não sendo um poço de magia e técnica, Tiago Luís também se movimenta bem junto à pequena área e revela-se oportuno, fugindo bem à marcação, para aparecer a definir. Dá até a sensação que tinha um pacto com a bola, tal o número de vezes que recebeu a bola em zonas proibitivas, para finalizar. Sendo um avançado de área, Tiago Luís não é muito alto, nem revela muito predicados no jogo aéreo, mas é lutador quanto baste e trabalha para o colectivo, sabe vir atrás buscar jogo e entrar com a bola controlada na área, fazendo sobretudo uso da sua rapidez, para ultrapassar os defesas centrais contrários, e depois é interessante, porque não é aquele tipo de avançado, que fica sempre à espera a bola, indo antes à procura dela, recuando ao meio campo, se tal for necessário, ajudando inclusive em tarefas defensivas, dado que é um lutador e sabe pressionar, o que aliado à atenção com que joga na frente de ataque, lhe rende muitos dividendos. Entretanto, já se estreou pela equipa principal do Santos, com quem renovou o contrato por cinco anos, apesar do interesse de alguns clubes espanhóis, com o Real Madrid e o Sevilha à cabeça, e logo com um golo, frente ao Bragantino.

Rafael Carioca (Grêmio; médio defensivo/volante/interior) Nascido no Rio de Janeiro, Rafael de Souza Pereira, cotou-se como a principal figura do Grémio de Porto Alegre na Copa São Paulo de Futebol Júnior 2008 e como prémio já foi chamado por Vágner Mancini aos trabalhos do plantel sénior do tricolor gaúcho que disputa, neste momento, o estadual do Rio Grande do Sul, embora não seja titular. Jogador da selecção brasileira de sub-18, Rafael Carioca, actuou geralmente como primeiro volante, à frente da defesa da equipa gaúcha, muito embora isso tenha sido, na minha opinião, um desperdício, porque o amarrou tacticamente e é limitador de acções, sendo mais válida a sua utilização num sistema de duplo pivot defensivo, que chegou a ser utilizado em algumas primeiras partes e que lhe dá maior liberdade de movimentos, ou até como médio interior, num suposto sistema de losango. Rafael Carioca é um médio, diria que, a caminhar para o completo, imponente, pela forma como domina todo o espaço à sua volta, seja aéreo, seja sob o relvado, mas que não se limita a isso, já que depois, tirando partido de grandes qualidades sobretudo ao nível da distribuição, fazendo uso de uma boa leitura de jogo, embora possa evoluir ainda mais a nível táctico, o que o tornaria desde logo, a meu ver, um jogador de categoria continental, sabe sair a jogar com a bola controlada, com estilo e enorme categoria, fazendo uso do seu bom toque de bola, ainda que, executando rápido e ao primeiro toque, privilegie o passe, onde também mostra uma predicados muito acima da média. O seu ponto fraco é o remate, onde também não arrisca muito, mas pode sempre ser um aspecto a rever. Chegou a ser falado para o Benfica, como elemento do pacote Diego Souza, mas o negócio acabou por não se concretizar. Tanto pior para as águias, que deixaram escapar uma pérola, por lapidar, obviamente.



Neymar (Santos; médio ofensivo/avançado) Foi frente ao Barra do Garças, na segunda ronda da Copa São Paulo de Futebol Júnior, que o garoto prodígio Neymar, de quem muitos falam há um par de anos, se estreou pelo Santos. Com apenas 15 anos de idade e corpo de menino, entrou precisamente a substituir Paulo Henrique e, logo nesse jogo, apesar da modéstia do adversário do Santos, deixou excelentes indicações, mostrando dotes de um fantástico número dez, embora possa desempenhar funções ainda mais adiantado, no ataque, onde deixou algo a desejar, não pela falta de qualidade, que tem, tanto na forma como parte para cima dos defesas, como nas acções em drible curto e no capítulo do último passe, mas porque perde quase sempre no choque com os jogadores contrários, que fazem valer sobre si o seu maior poder físico, preferencialmente no apoio a um homem de área, jogando nas suas costas ou descaindo para uma das alas, rompendo em diagonais em direcção à baliza contrária, ainda que nos infantis jogasse como homem mais avançado. Jogador versátil, veloz e rápido, tanto a pensar como a executar, com apuradíssima visão de jogo, que utiliza para lançar, quase sempre, ao primeiro toque, as unidades mais adiantas da sua equipa, tendo feito várias assistências e passes de ruptura, tanto verticais, como laterais, Neymar mostra-se bastante adulto na leitura de jogo, optando por entrar em triangulações, o que tirando partido de um excelente nível técnico e de passe, faz de forma qualificada, aparecendo depois em zonas de finalização, onde, como dissemos, perde muito, por não conseguir fazer valer o seu físico, o aspecto onde mais precisa de evoluir, para já, em minha opinião.

Thiago (Grêmio; lateral direito/ala direito) Já tinha lido várias impressões sobre este lateral direito, mas uma coisa é ler outra é ver e comprovar que o que de facto é escrito corresponde à realidade. Thiago foi o melhor lateral direito da 39ª Copa São Paulo de Futebol Júnior e um dos melhores jogadores do Grêmio, que segue a tradição de formar excelentes atletas. Jogador de grande propensão atacante, capaz de fazer todo o corredor direito, tecnicamente dotado, Thiago é um lateral típico brasileiro, que jogará melhor em sistemas de defesa a três, embora na Copinha tenha jogado numa defesa a quatro, até porque embora seja certinho a tapar os espaços fora, revela algumas lacunas a defender posições interiores, aspecto que precisa aprimorar, ainda que isso não seja tão significativo no futebol brasileiro, como é no do velho continente, mas é muito ágil, lembrando, salvo as devidas distancias, Léo, o lateral esquerdo do Benfica, pela forma como aparece com velocidade e em força nos últimos metros, junto à linha, ou mesmo derivando em diagonal para o meio, no apoio aos homens mais adiantados, revelando-se fortíssimo na resolução do último passe, o que lhe vale imensas assistências, e também a tirar cruzamentos, tendo efectuado, não um, mas vários, milimétricos, ao longo do jogo contra o São Paulo e de toda a competição, para o ponta-de-lança de serviço, Rafael Martins, finalizar. Continua nos juniores do Grêmio, onde deve permanecer mais um ano, mas pode ser um jogador interessante no futuro, se continuar a evoluir.

Felipe (Rio Branco; médio ofensivo) Médio ofensivo, Felipe foi o melhor jogador do Rio Branco de Americana, que chegou à final da Copinha, contra algumas expectativas, mas com enorme mérito, tendo só perdido para o Figueirense, onde outro jogador com características idênticas – Talheti – sobressaiu. Felipe, jogador capaz de assumir a batuta de uma equipa, como fez no Rio Branco onde contava com bons coadjuvantes, como foram Danilo, um dos dois volantes, e Tiago Silva, o outro meia que o acompanhava no sistema mais vulgar na competição e do futebol brasileiro, o 4x2x2x2 centralizado, adulto e personalizado em movimentos verticais, ainda que tacticamente algo imberbe - com potencial de progressão -, mas muito habilidoso, que é apelidado pelos colegas de 'Furacão', pela forma como destroça as defensivas contrárias, e que faz da visão de jogo e do passe as suas principais armas, ainda que, tirando partido da sua velocidade e capacidade de finta, seja poderoso com a bola colada ao pé, em progressão, onde é difícil de travar, e ainda a finalizar seja dentro da área, onde surge muito bem, tirando partido de uma boa mobilidade, com remates na passada ou em lances de bola parada, que costuma cobrar – marcou sete golos. O passe de Felipe que, neste momento, joga a Serie A2 do campeonato estadual paulista pelo Rio Branco pertence, em partes iguais, ao seu clube e a um empresário e não deverá tardar muito a conseguir dar o salto para outras paragens, ainda que isso, numa idade tão precoce possa ser um óbice ao seu futuro, já que o jogador ainda precisa limar imensos aspectos, como adquirir maiores noções tácticas e de temporização de jogo. No entanto, está ali um belo médio ofensivo.

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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008 / Etiquetas:

A tragédia de Munique



Passam hoje 50 anos sobre o dia mais negro da história do Manchester United. A 6 de Fevereiro de 1958, no aeroporto de Riem, em Munique, onde faziam escala, para o regresso a casa, depois de terem ultrapassado o Crvena Zvezda, de Belgrado, numa das eliminatórias a contar para os quartos de final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, depois de um empate a três bolas, resultado suficiente perante a vitória caseira, no encontro da primeira-mão, por 2x1, os Busby Babes, cognome dessa lendária equipa do Manchester United, que era bi-campeã de Inglaterra, onde dominava, e muito comentada no velho continente, pelo futebol sofisticado que apresentava, tida como a maior ameaça para quebrar a hegemonia do Real Madrid, que procurava o terceiro título consecutivo, acabariam a sua saga, da forma mais trágica.

Más condições atmosféricas, duas tentativas de levantar voo abortadas e uma terceira que se revelou fatal para 22 dos tripulantes do avião que transportava a comitiva do Manchester United, incluindo sete dos seus jovens jogadores, com o embate do Airspeed Ambassador numa casa adjacente à zona do aeroporto, envolvendo-se em chamas de seguida. O capitão da equipa Roger Byrne, Eddie Colman, Mark Jones, David Pegg, Tommy Taylor, Geoff Bent e Liam Whelan pereceram no acto. Duncan Edwards, 21 anos, o mais talentoso dos Busby Babes e um dos melhores jogadores da época em Inglaterra, pela qual contava já 18 internacionalizações, faleceria duas semanas depois, na sequência dos graves ferimentos sofridos no desastre aéreo. Salvaram-se Matt Busby, o treinador, Harry Greg, Bill Foulkes, Bobby Charlton, Jackie Blanchflower e John Berry, embora os dois últimos tenham visto terminar aí, na sequência do desastre, as suas precoces carreiras.

Devastado, o Manchester United acabou por ser facilmente eliminado da Taça dos Clubes Campeões Europeus, nas meias-finais, às mãos do AC Milan, com um saldo de golos de dois para cinco, não obstante ter dado uma resposta positiva no jogo da primeira-mão, que venceu (o primeiro jogo europeu, após a tragédia de Munique), por 2x1. Internamente, os Red Devils, com uma equipa reconstruída por emprestados e jovens dos seus escalões de base, arrastaram-se até final de um campeonato, em que eram terceiros, a seis pontos do Wolverhampton Wanderers, à 28ª jornada, que se jogou a 1 de Fevereiro de 1958, e que acabariam em nono lugar, com apenas mais uma vitória, cinco empates e oito derrotas desde a tragédia até ao final da competição.

Sir Matt Busby conseguiu recuperar dos graves ferimentos que sofreu em Munique e voltou ao comando do Manchester United para recuperar a auto-estima da equipa e dar-lhe uma nova alma, que honrasse os seus antecessores, conseguindo o feito extraordinário de a tornar a sagrar campeã inglesa em apenas sete anos, após Munique, e campeã europeia de clubes, pela primeira vez na sua história, em dez anos, com aquela outra fabulosa equipa do último Busby Babe, Bobby Charlton, de Dennis Law, George Best, entre outros.

Duncan Edwards 20 golos em 151 jogos com a camisola do Manchester United, pelo qual jogou cinco épocas, e cinco tentos em 18 representações da selecção inglesa aos 21 anos. É parte do legado Duncan Edwards, que era um jogador versátil, forte e de grande qualidade técnica, com um talento incomensurável, a quem muitos auguravam um futuro radioso. É um dos melhores que já vestiram as cores do mítico clube de Old Trafford. Dele, dizia Sir Matt Busby, que, era o melhor jogador do mundo.

Roger Byrne Capitão de equipa, Roger Byrne, que actuava como defesa derivando para a esquerda, onde se iniciou como extremo, era o mais velho (28 anos) dos jogadores que compunham a equipa do Manchester United. Presença assídua na selecção inglesa dos anos 50, Byrne jogou nove temporadas, ao mais alto nível, participando em 245 jogos pelo Manchester United, nos quais logrou marcar 17 golos.

David Pegg Quando faleceu aos 22 anos, David Pegg, extremo esquerdo que o Manchester United recrutou para substituir Tom Finney, já tinha chegado ao fabuloso mundo da selecção dos três leões, pela qual jogou uma vez. Era visto como um jogador muito promissor, que tinha tudo para agarrar um lugar no onze da selecção inglesa.

Tommy Taylor Avançado centro, Tommy Taylor, um dos melhores da época em Inglaterra, marcou, em menos de cinco anos ao serviço do Manchester United, onde chegou depois de ter despontado muito jovem no Barnsley, mais de 100 golos, conseguindo uma impressionante média de dois tentos (112) a cada três jogos (166) efectuados com as cores dos Red Devils. Faleceu aos 26 anos.

Eddie Colman Conhecido como Snakehips, Eddie Colman, que actuava como interior, no meio campo, ao lado do enorme Duncan Edwards, era um dos preferidos dos adeptos do Manchester United. Deixou a escola em 1952 para ingressar no Manchester United, a única camisola que vestiu na sua curta vida. Partiu aos 21 anos.

Mark Jones Médio defensivo, que também podia jogar no eixo da defesa, Mark Jones destacava-se pelo bom jogo aéreo e pela forte capacidade no tackling. Realizou mais de 100 jogos pelo Manchester United e morreu aos 24 anos.

Liam Whelan Descoberto em Dublin, onde jogava no Home Farm, por Billy Behan, o refinado interior direito irlandês Liam Whelan, internacional pelo seu país, chegou ao Manchester United em 1953. Lutava por um lugar na equipa com Bobby Charlton, e marcou quase 50 golos em cinco anos com a camisola encarnada do Manchester United. Tinha 22 anos, quando pereceu ao desastre de Munique.

Geoff Bent Defesa central, Geoff Bent era habitual reserva e só viajou para Belgrado para servir de apoio em caso da não recuperação do capitão Roger Byrne, que se ressentira de uma lesão, sendo, à partida para o confronto com o Crvena Zvezda, incerta a sua utilização. Byrne recuperou e acabou por jogar. Bent não e pouco o fez nos anos que esteve ao serviço do Manchester United. Faleceu aos 25 anos.

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Domingo, 3 de Fevereiro de 2008 / Etiquetas: ,

Benfica não responde ao Inferno da Luz


Ao empatar a zero com o Nacional, o Benfica, que voltou a deixar uma pálida imagem diante do seu público, produzindo um futebol tétrico, defensivamente inconsistente e ofensivamente nulo, distante do que já conseguiu em algumas ocasiões esta temporada, somou o seu segundo encontro consecutivo, em casa, sem golos marcados, o que é lastimável para uma equipa que entrou em campo com a plena consciência de que a não conquista dos três pontos, dado o resultado que o FC Porto tinha conseguido, momentos antes, frente ao União de Leiria, podia arrumar de vez – se é que já não estava – a questão quanto ao futuro vencedor da Liga portuguesa.

O Benfica, que disputou, até ao momento, nove jogos em casa, para a Liga portuguesa 2007/08, não conseguiu introduzir a bola nas redes dos adversários que visitaram o estádio da Luz, em cinco dessas ocasiões, o que capitula parte das suas pretensões, já que fora os encarnados conseguem ter um rendimento de topo, superior em dois pontos ao do líder FC Porto, embora com mais um jogo. Essa inépcia atacante revelada pelo Benfica nos últimos jogos, em casa, é uma – longe de ser única – das razões, que ajuda a explicar a distância que neste momento separa os dois primeiros classificados da Liga portuguesa.

A prestação caseira do Benfica, sobretudo nos últimos jogos, tem sido tão paupérrima, que os encarnados já cederam 11 pontos em casa, produto de quatro empates e uma derrota, em 27 possíveis – 40,74% do total. De resto, o Benfica faz o seu segundo pior registo em casa – nos nove primeiros encontros de todas as épocas da 1ª divisão desde 1934/35 – igualável pelo que conseguiu na longínqua época de 1950/51, quando obteve cinco vitórias, um empate e três derrotas em cinco - o que daria os mesmos 16 pontos pelo actual sistema, embora em termos percentuais de pontos perdidos, já que a pontuação por vitória era diferente, o arranque não seja tão mau como o da época actual - e que só não consegue ser pior que o que as águias fizeram em 1996/97, quando, ao fim de nove jogos na Luz, tinham quatro vitórias, três empates e duas derrotas, a que correspondiam 15 pontos.

Se dissermos que 1934/35, época com campeonato disputado a 14 equipas, em que os encarnados acabaram a 15 (!) pontos do campeão Sporting com um saldo de 12 vitórias, seis empates e oito derrotas, e 1996/97, época em que o Benfica ficou a 27 (!) pontos do campeão FC Porto, com um total de 17 vitórias, sete empates e 10 derrotas – o seu maior número de derrotas de sempre na Liga a par do índice de 2000/01, quando o Benfica foi sexto classificado, a sua pior classificação de sempre – correspondem a duas das piores temporadas do vasto historial do Benfica na principal divisão do futebol português, arrumamos logo a questão, quanto à débil situação interna que o Benfica vive. Indo mais fundo, acrescentamos que os tais cinco jogos caseiros em branco, da equipa orientada por José Antonio Camacho, não têm qualquer precedente na história do clube encarnado na Liga portuguesa.

Já há algum tempo que se fala na fraca capacidade técnica que Camacho tem imprimido no comando técnico do Benfica, nesta sua segunda passagem pela Luz - com muita razão - e perante tais números restam poucas dúvidas de que no caso do espanhol, as frases da canção se aplicam na perfeição: 'nunca voltes ao lugar onde já foste feliz'.

As piores piores épocas do Benfica em casa (somente os primeiros nove jogos):



(clique na imagem para ver com maior detalhe)
critério utilizado: percentagem pontos perdidos

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