
O Schalke 04, vice campeão da Bundesliga, onde ocupa actualmente o quinto lugar, com 35 pontos, tantos quanto os que tem o Bayer de Leverkusen, quarto classificado, e a oito de distância do líder Bayern München, é o adversário do FC Porto, nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. A turma alemã chega a esta fase da prova, como consequência do segundo lugar que obteve no grupo B, com oito pontos, atrás do Chelsea, que o venceu, com 12, mas à frente do Rosenborg, que acabou em terceiro, com sete, e do Valência, último do grupo e uma das grandes decepções da primeira fase, que encerrou a sua participação na Europa em 2007/08, com cinco pontos.
O treinador do Schalke 04 é Mirko Slomka, que assumiu a equipa no início de 2006, depois da saída de Ralf Rangnick, tendo a transição entre os dois sido feita por Oliver Reck, antigo guarda-redes da equipa. Mirko Slomka, antigo jogador de futebol mal sucedido e que, vendo não ser possuidor de grandes qualidades dentro das quatro linhas, cedo resolveu terminar a sua carreira, feita em clubes de menor dimensão, na Alemanha, ainda que tenha chegado a representar o Hannover 96, para se dedicar ao ofício de treinador, é um técnico jovem, de 40 anos, que começou a sua carreira no banco, muito cedo, aos 22, precisamente no Hannover 96, treinando os escalões etários mais jovens durante 10 anos, entre 1989 e 1999, de onde passou para o alternativo Tennis Borussia Berlim, onde depois de um primeiro ano a treinar os juniores, assumiu, ao segundo ano, pela primeira o cargo de treinador principal, sem grande sucesso. Em 2001/02, com a chegada de Ralf Rangnick ao Hannover 96, Slomka, visto como um homem da casa, acompanhou-o, regressando assim ao lugar onde se iniciou, para exercer funções de treinador adjunto. E esteve com Rangnick, desde então, até à saída deste, do Schalke 04. Foram quatro anos e meio, como adjunto, aprendendo os métodos de trabalho necessários à sua emancipação, que lhe permitiram aceitar o grande desafio que era treinar o Schalke 04, em 2006. Visto com muita desconfiança pelos meios mais conservadores da imprensa alemã, que fartou-se de o criticar, não deixando de usar expressões de gosto duvidoso para esse fim, em geral, e do Schalke 04, em particular, quando assumiu o comando técnico da equipa, Slomka não se deixou abater, mesmo tendo sido colocado à prova pela indisciplina de alguns jogadores, que com muita força no balneário tentavam fazer valer sobre si, o seu maior carisma, para levar as suas ideias pessoais adiante, e subtrair a confiança do treinador, junto dos adeptos e dos gerentes do clube. Mostrando um à vontade muito grande, Slomka respondeu à altura, mostrando coerência e firmeza, afastando esses focos de problema, como o guarda-redes Frank Rost, que chegou a tentar impor-se ao treinador e iniciar uma revolta, antes de um jogo frente ao Bayern München, ou o brasileiro Licoln, que sob as ordens do alemão deixou de ter lugar cativo na equipa. Actualmente, embora já tenha experimentado outras variantes tácticas durante esta época, Mirko Slomka aposta num 4x4x2 como táctica base do Schalke 04, que se desdobra ofensivamente em 4x1x3x2, sendo que a linha defensiva, por exemplo, avança muito, quase até à linha de meio campo, em situações de ataque. O Schalke 04, que jogará frente ao FC Porto, que já eliminou há 31 anos da Taça Uefa na única vez que ambas as equipas se encontraram oficialmente, - na primeira-mão dos oitavos-de-final - o seu 100º jogo e procura a sua 50ª vitória nas competições europeias, onde já logrou vencer uma Taça Uefa em 1996/97, não desenvolve um jogo muito rápido e vistoso e prefere adoptar um futebol mais directo, como costuma ser apanágio da maioria das equipas alemãs, fazendo várias diagonais curtas, na intermediária, com trocas posicionais entre os três elementos do miolo mais ofensivos, que, num dos seus últimos jogos que tive oportunidade de assistir (Schalke 04 versus Stuttgart), foram Rakitic, Ernst e Kobiashvili. Em situações defensivas, a equipa do Schalke 04 recua muito e em bloco, aperta as linhas atrasadas, que jogam muito próximas, com todas as unidades, inclusive os avançados que são incansáveis no trabalho, a virem ao meio campo defensivo, fechar os espaços, onde se revelam bons interpretes, ainda que, talvez para não se descompensarem, não pressionem tanto o portador da bola, nesse momento, como o fazem quando, por exemplo, perdem a bola no ataque, onde várias unidades tanto do ataque como do meio campo, caem logo em cima dos seus adversários, não os deixando sair facilmente a jogar, e optem mais pelo jogo de paciência, mais posicional e à espera do erro adversário. O aspecto do jogo em que o Schalke 04 se mostra mais forte é sem sombra de dúvida, as bolas paradas, sendo muito eficaz a defendê-las e a atacá-las, sendo que nesse particular, em que são muito bem cobradas – tanto livres laterais quanto pontapés de canto – por uma das suas unidades com maior qualidade técnica, Rakitic, que coloca muito bem a bola na área, o Schalke 04 coloca muitas unidades na área adversária, onde o central Krstajic e o lateral Westermann, muito altos e bons cabeceadores, tanto a rematar à baliza como a assistir ao poste mais distante, surgem bem ao primeiro poste, em diagonais, de dentro para fora, onde se costuma colocar Asamoah, que com a sua força, segura sempre um dos adversários, nas suas costas, ficando o Schalke 04 em superioridade numérica (normalmente dois para um), e Bordon entra muito em acções frontais, de trás (11 metros) para a frente, juntando-se a Kevin Kuranyi, que se coloca normalmente entre o guarda-redes e o poste mais distante, exigindo sempre a marcação de um defesa central contrário, aproveitando muitas vezes, porque é forte e também bom cabeceador, sobras e ressaltos de bola, na pequena área, para finalizar. Fernando Meira, por exemplo, nesse encontro, foi muito infeliz no duelo com Kuranyi, que marcou dois golos, nas suas barbas, em jogadas de bola parada. O Schalke 04 é, contudo, uma equipa facilmente ao alcance do FC Porto, dado que revela algumas dificuldades tanto de construção, onde embora conte muito com os avançados que batalham muito, sobretudo Asamoah, não tem um verdadeiro dez, não obstante, Rakitic, a sua unidade mais técnica, que o faz parecer um pequeno Maradona no meio dos seus colegas, e Kobiashivili serem jogadores muito bons no passe, sobretudo curto, que o Schalke utiliza mais, quando opta por sair em futebol apoiado, dando pouca rotação e variando aí, pouco o seu jogo, como na defesa, onde concede algum espaço, sobretudo nas costas dos laterais, que são muito ofensivos, e no centro da defesa, que demonstra algumas dificuldades, perante um futebol mais técnico, como costuma ser o do FC Porto, ainda que à frente dela, seja difícil entrar, dado que os dois médios centro, são autênticas carraças no trabalho defensivo e na recuperação. O FC Porto é favorito na eliminatória mas terá de o provar dentro de campo, já que do outro lado está uma equipa que, embora tenha baixas para este jogo, reforçou-se muito a pensar na segunda metade da época, com aquisições valorosas como Zé Roberto, Vicente Sanchéz e Albert Streit.
Guarda-redesO titular na baliza do Schalke 04 é Manuel Neuer. Internacional sub-21 alemão, Neuer, de 21 anos, guarda-redes ágil e extremamente forte do ponto de vista físico, que tira partido da sua elevada estatura para um bom controlo do espaço aéreo, ainda que em lances de bola parada, acuse alguma inexperiência e não arrisque muito pouco a sair da baliza, com bom poder de antecipação e que se mostra muito atento a defender entre postes, onde se posiciona bem, mas ainda comete alguns excessos, em adiantamentos precipitados, que por exemplo, no jogo frente ao Stuttgart, para a Bundesliga, lhe trouxe o dissabor de ter sofrido um golo num chapéu primoroso de Antonio da Silva, efectuou a sua formação no clube que representa, no qual ocupa o posto de número um, da equipa principal, há duas épocas, depois do afastamento do anterior titular Frank Rost. Entre outras opções para a baliza, às ordens de Mirko Slomka, estão Mathias Schober, de 31 anos, que regressou esta época à turma de Gelsenkirchen, onde se formou e iniciou a carreira, para servir de suporte – tem sido o suplente –, oriundo do Hansa Rostock, pelo qual foi titular durante seis temporadas, entre 2001/02 e 2006/07, Ralf Fährmann, 19 anos, um internacional sub-20 alemão, que tem uma estampa física impressionante e de quem se diz possuir bom potencial, o que levou o Schalke 04 a recrutá-lo muito cedo ao Chemnitzer FC, em 2003/04, e Toni Tapalović, croata de 27 anos, que também começou no Schalke 04, ao qual regressou no último defeso, depois de várias passagens tergiversantes por clubes como Bochum e Kickers Offenbach, para representar a formação secundária, sendo neste momento o quarto guardião do plantel do Schalke 04.
DefesaA linha de quatro defesas apresentada por Mirko Slomka não costuma variar muito. Assim, Rafinha e Heiko Westermann são habitualmente titulares sobre as laterais direita e esquerda, respectivamente, enquanto Marcelo José Bordon e Mladen Krstajic encontram o seu espaço no centro da defesa. Rafinha, 22 anos, internacional pelo Brasil, está no Schalke 04, que o adquiriu ao Coritiba por cinco milhões de euros, desde 2005. Lateral direito tecnicamente dotado e de forte vocação ofensiva, quer nas subidas à linha, quer em entradas em diagonais, Rafinha, que também passou pelas categorias de base do São Paulo e do Juventus-SP, antes de ingressar no Coritiba, revela-se muito forte nos cruzamentos, seja junto à linha de fundo ou ainda na intermediária, a 30/40 metros da baliza, cortando exemplarmente a bola para a área, mas é algo frágil a fechar dentro, na sequência de bolas paradas, tendo no jogo aéreo o ponto fraco do seu jogo, embora não defenda mal fora, onde tirando partido, de uma boa leitura táctica, aspecto em que tem crescido imenso, consegue pressionar e desarmar muitas vezes os adversários que lhe surgem pela frente em lances de um para um. Do lado esquerdo da defesa, Heiko Westermann, que passou pelo SpVgg Greuther Fürth de forma vistosa, e chegou esta época ao Schalke 04, proveniente do Arminia Bielefeld, onde realizou duas épocas de grande nível (entre 2005 e 2007) tem sido rei e senhor. Ele que é um defesa central de origem, adaptou-se muito bem à posição, tendo-se cotado, por exemplo, na recepção caseira do Schalke 04 ao Stuttgart, que a sua equipa venceu por 4x1, como o melhor jogador da sua equipa, não só pela capacidade atacante que demonstrou quer pelas subidas que protagonizou sob o corredor esquerdo, com cruzamentos bem medidos e aberturas fantásticas de pé direito a rasgar a defensiva contrária, quer em lances de bola parada, no ataque, onde se revelou insuperável, entrando muito bem ao primeiro poste, ganhando várias bolas, quer para o lado oposto, onde surge Kuranyi, quer em remates à baliza, que lhe valeram, numa ocasião, um golo. Westermann, jogador destro, internacional germânico de 24 anos, muito voluntarioso, para além de fechar fora sob pressão, defende muito bem dentro, dadas as suas características de central, mas sente algumas dificuldades a recuperar no terreno, dado que ataca muito, e a velocidade não é uma das suas maiores qualidades, o que se torna mais visível quando pela frente, apanha um jogador que tem nesse particular, um dos seus pontos fortes. No centro da defesa, as opções mais consistentes do Schalke 04, têm sido dois internacionais, um brasileiro, Marcelo José Bordon, que é o capitão de equipa, e outro sérvio, Mladen Krstajic. Bordon, de 32 anos, que está na sua quarta temporada ao serviço do Schalke 04, já leva nove temporadas ao mais alto nível, no futebol alemão, tendo representado anteriormente o Stuttgart, durante cinco estações, onde chegou, proveniente do São Paulo, que o foi buscar ao Botafogo de Ribeirão Preto, o seu primeiro clube, e é um defesa central, líder no eixo da defesa da turma de Slomka, muito forte no jogo aéreo, onde tira partido da sua estatura elevada para se impor, nas duas áreas, mas que já não tem a velocidade de outros tempos, impondo-se antes pela experiência adquirida, o que faz com que, não hesite em recorrer à falta, algumas inteligentes, outras nem tanto, que ou servem para dobrar os seus colegas de sector, ou acontecem em jogadas, onde mostra um tempo de entrada deficiente. Marcelo José Bordon, eficiente ao nível do passe curto e longo, tem ainda um forte remate, que executa com o pé esquerdo, o seu melhor, preferencialmente na execução de livres centrais, ligeiramente descaídos para o lado direito do ataque do Schalke 04, ainda que tendo espaço o possa aplicar de longe, em bola corrida. Mladen Krstajic, é outro central com muita experiência internacional, em virtude das internacionalizações que conta pela Sérvia – tem mais de 50 no currículo – e do seu percurso, também já longo na Bundesliga, onde chegou em 2000, para representar o Werder Bremen, procedente do Partizan de Belgrado, que o contratou ao FK Kikinda, que por sua vez o tinha garantido muito jovem e em início de carreira, ao Celik Zenika, tendo transitado no início de 2004/05 para o Schalke 04. Em Bremen, Krstajic rapidamente construiu o seu espaço entre os titulares, condição que traz desde essa altura, tendo só falhado, por exemplo, alguns jogos já esta temporada, por lesão. Tal como o seu colega de posto Bordon, Krstajic é um jogador poderosíssimo no futebol aéreo, fazendo valer a sua presença em ambas as áreas, defendendo bem o espaço dentro da sua, e atacando a bola tão bem ou melhor dentro da adversária – revela-se mais forte ainda que Bordon –, seja em movimentos frontais, ou em diagonais em direcção ao primeiro poste, ao qual são batidas as bolas paradas do Schalke 04. No entanto, tal como Bordon, Krstajic é um defesa central canhoto, algo tosco e duro de rins, que concede muito espaço aos avançados contrários e sente inúmeras dificuldades quando a bola é jogada ao nível do solo, para travá-los, tanto em progressão com movimentos e fintas curtas, ou em entradas em triangulações, ao primeiro toque, aspecto que o FC Porto, com o seu temível Lisandro López, com o apoio do seu compatriota Lucho González, pode aproveitar para explorar. Mirko Slomka dispõe ainda de outras opções, que não devem alinhar de início com o FC Porto, como Matthias Abel, lateral direito de 26 anos, fisicamente muito forte e consistente a defender, que chegou ao Schalke 04, há duas temporadas, depois de se ter destacado ao serviço do Mainz 05, mas que tem sentido imensas dificuldades para jogar pelo conjunto de Gelsenkirchen, encontrando-se tapado por Rafinha, o que o levou a ser cedido ao Hamburg, na segunda metade da época passada, para ajudar a equipa do norte da Alemanha a escapar à despromoção, embora também lá pouco tenha jogado (sete jogos), mas com a curiosidade de em todos eles o Hamburg não ter perdido, tendo vencido seis, Benedikt Höwedes, um internacional alemão sub-21, de 19 anos, que já brilhou pela selecção alemã de sub-18 – ajudou a conquistar o Europeu de sub-18 em 2007 – e que sendo um central visto como um possuidor de enorme potencial e de ter um futuro radioso pela frente, se encontra em fase de crescimento, sendo uma alternativa aos habituais titulares, que não lhe têm concedido muito espaço (ainda só fez dois jogos na Bundesliga), e Christian Pander, internacional alemão de 24 anos, que tem sido o jogador mais prejudicado pelo aparecimento e qualidade das exibições de Heiko Westermann, que lhe roubou o lugar no lado esquerdo da defesa, embora neste momento esteja lesionado e não seja opção, por isso mesmo. Christian Pander, que se estreou em Agosto último pela principal selecção da Alemanha, chegou ao Schalke 04 em 2001, depois de ter passado pelas camadas jovens de clubes de menor dimensão como o último que representou antes de ir para Gelsenkirchen, o Preußen Münster, e é um lateral esquerdo moderno, com forte propensão atacante, e dono de um pontapé com o pé esquerdo, temível, sobretudo na marcação de livres directos, pela força e colocação com que faz a bola dirigir-se em direcção às balizas adversárias.
Meio-campoNa zona intermediária, Mirko Slomka tem escolhido jogar com quatro unidades; duas de cariz mais defensivo, Jermaine Jones e Fabian Ernst, ambos pelo centro, ainda que em ataque, um deles, Ernst, se desdobre para a frente do outro, Jones, mais posicional, formando uma linha de três, com Ivan Rakitić, que surge mais pelo lado direito, e Levan Kobiashvili, pela esquerda, ainda que essa linha não se estenda em toda a plenitude, ou seja, Rakitić e Kobiashvili, procuram muitas vezes posições interiores, formando até um pequeno losango, dado que os quatro elementos do miolo apertam ao meio e juntam-se muito na saída para o ataque, embora o croata, apareça por toda a frente de ataque, abrindo espaço às entradas de Rafinha pelo corredor direito, o que também faz com que o brasileiro não ataque tanto como pode e está vocacionado a fazer e esteja sempre alerta às subidas que protagoniza, arriscando só pela certa, para não descompensar a defesa, ao passo que Kobiashvili, mais defensivo, encarrega-se de suportar o meio campo, aparecendo sobretudo nos primeiros passos da construção ofensiva, em triangulações curtas com Ernst e boas combinações com o lateral esquerdo, Westermann, que sobe muito, defendo-lhe ainda a posição num primeiro momento da transição defensiva. Estas foram ilações dadas pela intermediária do Schalke 04 ao longo do jogo com o Stuttgart, que marcou o regresso da Bundesliga, no início de Fevereiro, que me parece, perante a ausência por lesão de Zlatan Bajramovic, um médio de 28 anos, internacional pela Bósnia Herzegovina, com muitas épocas de futebol alemão, onde sempre jogou, primeiro pelo St. Pauli, que o lançou para o futebol, e antes de chegar a Gelsenkirchen, onde tem sido habitual titular e costuma ser elemento nuclear quer pelo papel que desempenha nas transições defesa/ataque e ataque/defesa, na zona central de meio campo, pelo Freiburg, a ideal para o Schalke 04 apresentar frente ao FC Porto. Jermaine Jones, de 26 anos, natural dos Estados Unidos, mas internacional pela Alemanha, por uma vez, que já teve passagens marcantes pelo Eintracht Frankfurt e pelo Bayer Leverkusen, entre outros clubes, é um jogador com grande disponibilidade física, por vezes rude nas entradas, muito forte no primeiro passe, ele que faz bem a ligação na saída para o ataque e, principalmente, porque não hesita em ir ao choque, revela-se tenaz na recuperação de bola, e actua como primeiro elemento à frente da defesa, mais posicional que os seus companheiros de sector. Ao seu lado, Fabian Ernst é outro jogador com grande capacidade de recuperação, mas participa mais nas jogadas de ataque da sua equipa, dado que tem instruções de Mirko Slomka, para se adiantar mais no terreno, surgindo mais perto dos homens da frente. Ernst, outro internacional germânico, de 28 anos, que já representou, além do Schalke 04, mais três clubes em 10 anos de carreira, a saber, Hannover 96, onde começou, até 1998, Hamburg, até 2000 e Werder Bremen, onde viveu momentos altos, até 2005, não é muito dotado tecnicamente, mas é um gladiador, até na aparência, e mostra aspectos interessantes ao nível da leitura de jogo, sendo precioso tacticamente na manobra do Schalke 04. Como médio direito, joga habitualmente Ivan Rakitić, internacional croata de apenas 19 anos, que nasceu na Suiça, tendo sido inclusivamente internacional helvético até aos sub-21, tendo optado, em 2007, por se dedicar à causa croata e representar o país dos pais ao mais alto nível, e que chegou esta temporada ao Schalke 04, com o título de melhor jogador jovem do campeonato suíço em 2006/07, oriundo do FC Basel, clube onde completou a sua formação iniciada no FC Möhlin-Rhyburg e jogava desde 2005. Dentre os jogadores europeus, ainda abaixo dos 20 anos, Ivan Rakitić é, neste momento, um dos mais empolgantes, não só pela forma como se movimenta por toda a frente de ataque, quer na procura de espaço em posições mais interiores, quer juntando-se aos colegas da frente, numa posição mais entre linhas, ou abrindo, fazendo uso da sua inteligência, a frente de ataque em três, caindo junto à linha direita, quando Kuranyi se fixa na área e Asamoah, cai na esquerda, nunca ficando muito amarrado à táctica, mas também pela forma como de trás para a frente, usando a velocidade, cai nas costas dos defesas contrários, para, fazendo uso da sua incomensurável qualidade técnica, finalizar, quase sempre de primeira, ainda que não tenha marcado muitos golos, esta época. No entanto, Rakitić é mais que isso, isto é, é só o jogador que bate as bolas paradas do Schalke 04, aquilo em que o conjunto de Mirko Slomka é mais forte, o que faz de forma esplêndida (três dos quatro golos do Schalke 04 frente ao Stuttgart foram obtidos na sequência de bolas paradas cobradas por si). Internacional pela Geórgia, Levan Kobiashvili, de 30 anos, jogador versátil, de cadência defensiva, muito resistente, bom no passe curto e forte tacticamente, capaz de desempenhar papéis de igual relevo, quer na defesa, sobre o lado esquerdo, se necessário, quer no meio campo, mais defensivo, ou também sobre o flanco canhoto, onde mais tem jogado ultimamente e, apesar de tudo, mais rende, dado que é originariamente essa a sua posição, está no futebol alemão há quase 10 anos, onde representou apenas dois clubes, sendo o outro, o Freiburg, que lhe serviu de porta de entrada na Bundesliga e onde esteve cinco temporadas, até ao Verão de 2003. Kobiashvili, que começou no Awasa Tbilisi, tendo passado depois pelo Metalurg Rustavi, Dínamo Tbilisi e Alania Vladiskavkaz, não vinha a jogar tanto esta temporada, como o tinha feito nas últimas, mas depois da paragem de Inverno, com a saída de Mesut Özil, o titular do lado esquerdo do meio campo do Schalke 04 durante a primeira metade da época, que rumou ao Werder Bremen, por quatro milhões e meio de euros, agarrou um lugar na equipa e não o voltou a perder. Se é verdade que perdeu Özil, uma das suas principais estrelas na primeira metade da época, também não deixa de ser verdade, que o Schalke 04 se reforçou imenso na reabertura de mercado e em posições do meio para a frente. Para o meio campo, chegaram Albert Streit, jogador alemão de origem romena, que se destacou como uma das melhores unidades da surpresa Eintracht Frankfurt, durante a última época e meia, mas sobretudo na primeira metade desta, onde começou o seu percurso profissional, embora registe também passagens pelo Wolfsburg e pelo 1.FC Köln, neste com algum sucesso, e joga sobre qualquer uma das alas, onde pode surgir, sobre a direita, Zé Roberto, jogador de 27 anos, baixo, muito veloz e de grande qualidade técnica, mostrando ainda capacidade de explosão nos últimos 30 metros, sendo forte no passe decisivo, quer vertical quer lateral, que rompe preferencialmente pelo meio, e que foi outra das aquisições de Inverno, chegado do Botafogo, onde realizou uma época excelente em 2007, depois de já ter passado pelo futebol nipónico, ao serviço do Kashiwa Reysol, e há já alguns anos por Portugal, nomeadamente pelo Benfica B, não tendo tido oportunidade de jogar na primeira equipa dos encarnados. Outras opções para o meio campo à disposição de Mirko Slomka são Markus Heppke, médio ala direito de 21 anos, internacional sub-20 pela Alemanha, que não tem sido utilizado esta época, Gustavo Varela, internacional uruguaio de 29 anos que foi contratado pelo Schalke 04 em 2002, ao Nacional Montevideo, com qualidades técnicas e sangue quente, que se mostra competente nos processos ofensivos, podendo deambular por toda a frente de ataque, um pouco à semelhança do que faz Rakitić, ainda que leve uma época em branco no que a utilizações na Bundesliga, diz respeito, e outro internacional uruguaio, Carlos Javier Grossmüller, médio centro de 24 anos, ex-Danubio, ele que foi um dos melhores jogadores da temporada passada no Uruguai, mais entregue a missões defensivas.
AtaqueNa frente de ataque, o Schalke 04 joga habitualmente com dois homens, bastante móveis, que caem muito nas faixas laterais, aproveitando os lançamentos longos, para entrar de fora para dentro, como faz exemplarmente Kevin Kuranyi, ou mesmo em acções verticais, o que é mais recorrente em Gerald Asamoah, e que trabalham muito, não se coibindo de pressionar a defesa adversária, num primeiro momento, e de vir atrás defender e tapar os primeiros espaços já dentro do meio campo defensivo, em prol da equipa do Schalke 04. Os titulares preferidos de Mirko Slomka são, como se pode perceber pela descrição acima, o avançado centro, Kevin Kuranyi, internacional alemão de 25 anos, nascido no Brasil – Rio de Janeiro – onde jogou, em duas fases, no Serrano de Petrópolis, mediada por uma experiência no Sporting 89 San Miguelito, do Panamá, filho de pai com dupla nacionalidade, alemã e húngara, e mãe panamiana, que, apesar de tudo, se fixa mais na área, entre os defesas centrais adversários, onde, fazendo uso da sua elevada estatura, mas também de um bom poder de impulsão e de desmarcação, recebe bem e ganha muitas bolas, de cabeça, que utiliza a preceito, quer a servir para entradas de colegas seus vindos de trás, quer nos remates directos à baliza, o que também faz muito bem com o pé direito, quando encontra espaço para o aplicar, ainda que não peça licença nem para o fazer nem para partir para cima dos adversários, já que quando recebe a bola, não fique à espera do que lhe fazer a seguir, isto é, de uma linha de passe, optando antes por, mesmo não sendo muito dotado tecnicamente, agredir a defensiva contrária, sobressaindo ainda pela entrega com que actua e pelo oportunismo que transporta, sobretudo dentro da pequena área contrária, e Gerald Asamoah, avançado de 29 anos, de origem ganesa, também internacional pela Alemanha, com marca já registada no Schalke 04, onde cumpre a sua nona temporada, depois de ter representado, entre outros, o Hannover 96, que é, em primeiro lugar, um batalhador e que, apesar de não ser tão objectivo assim nos últimos metros, a definir, faz valer a sua capacidade de choque e força, para desgastar imenso os defensores opositores, que são obrigados a recorrer imensas vezes à falta, para travar as suas investidas, já que Asamoah além de ser rápido, segura muito bem a bola. Em alternativa, para uma das duas posições da frente, um dos sectores em que o Schalke 04 se encontra melhor servido, existem vários jogadores bem reputados, como são os casos de Peter Løvenkrands, internacional dinamarquês de 28 anos, que tanto pode jogar numa posição de segundo avançado, como descaído para o lado esquerdo do ataque, a extremo, onde, fazendo uso da sua velocidade, quer a entrar em diagonais, de fora para dentro, de dentro para fora, ou indo à linha, causa desequilíbrios, que usa, para cruzar ou rematar directamente à baliza, já que tem um remate forte, que lhe proporcionou vários golos, inclusive ao FC Porto, quando actuava no Glasgow Rangers (2000 a 2006) – antes jogou no Akademisk Boldklub –, Vicente Sanchéz, internacional uruguaio de 28 anos, muito móvel, portador de excelentes dotes técnicos e com capacidade de finalização, que lhe permitem jogar descaído para uma das alas ou mais em cunha na área adversária, que o destacaram, tanto no Toluca, onde jogou desde que saiu do Nacional Montevideo em Julho de 2001 até Janeiro passado, antes de ingressar no Schalke 04, como na selecção do Uruguai, na última Copa América, onde foi uma das figuras principais, Halil Altintop, internacional turco de 25 anos, irmão de Hamit Altintop, médio completo do Bayern München, que já passou, entre outros, pelo 1.FC Kaiserslautern e pelo Wattenscheid 09, e que cumpre como segundo avançado, já que tem técnica e movimenta-se bem nos últimos metros, e o ponta-de-lança Søren Larsen, de 26 anos, internacional pela Dinamarca, que chegou ao Schalke 04 em 2005, por dois milhões e meio de euros, depois de se ter firmado como goleador no Djurgårdens, com um impacto imediato - marcou 10 golos na Bundesliga em 2005/06 - que não soube manter nas última época e na actual, sendo cada vez mais parca a sua utilização na equipa de Slomka, e que tem no jogo de cabeça a sua grande arma, utilizando a sua estatura que é muito alta, para se impor no espaço aéreo e marcar alguns golos, mas é limitado tecnicamente.