Como prometido é devido e mesmo que ainda esteja em obras de finalização:
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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008
Novo endereço: http://www.salesias.com
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Etiquetas: clássicos e dérbis, foguetes molhados, futebol internacional, futebol nacional, lendas e magos, notas de futebol, olho clínico, prospecção, torneios internacionais
Domingo, 10 de Fevereiro de 2008
O salésias entrou em pousio de edição (transitório). Há novos textos prontos, mas que para já não serão lançados. A relação 'turbolenta' que tenho enfrentado com o blogger, que volta e meia teima em me cortar o pio e a tornar inacessível o acesso ao blog, provavelmente em virtude dos imensos widgets que existem no template, levou-me a tomar medidas. Portanto, novidades surgirão, espero que, no mais tardar, até à próxima quarta-feira.
Publicada por nuno almeida em 14:11 1 comentários
Domingo, 3 de Fevereiro de 2008
Benfica não responde ao Inferno da Luz

Ao empatar a zero com o Nacional, o Benfica, que voltou a deixar uma pálida imagem diante do seu público, produzindo um futebol tétrico, defensivamente inconsistente e ofensivamente nulo, distante do que já conseguiu em algumas ocasiões esta temporada, somou o seu segundo encontro consecutivo, em casa, sem golos marcados, o que é lastimável para uma equipa que entrou em campo com a plena consciência de que a não conquista dos três pontos, dado o resultado que o FC Porto tinha conseguido, momentos antes, frente ao União de Leiria, podia arrumar de vez – se é que já não estava – a questão quanto ao futuro vencedor da Liga portuguesa.
O Benfica, que disputou, até ao momento, nove jogos em casa, para a Liga portuguesa 2007/08, não conseguiu introduzir a bola nas redes dos adversários que visitaram o estádio da Luz, em cinco dessas ocasiões, o que capitula parte das suas pretensões, já que fora os encarnados conseguem ter um rendimento de topo, superior em dois pontos ao do líder FC Porto, embora com mais um jogo. Essa inépcia atacante revelada pelo Benfica nos últimos jogos, em casa, é uma – longe de ser única – das razões, que ajuda a explicar a distância que neste momento separa os dois primeiros classificados da Liga portuguesa.
A prestação caseira do Benfica, sobretudo nos últimos jogos, tem sido tão paupérrima, que os encarnados já cederam 11 pontos em casa, produto de quatro empates e uma derrota, em 27 possíveis – 40,74% do total. De resto, o Benfica faz o seu segundo pior registo em casa – nos nove primeiros encontros de todas as épocas da 1ª divisão desde 1934/35 – igualável pelo que conseguiu na longínqua época de 1950/51, quando obteve cinco vitórias, um empate e três derrotas em cinco - o que daria os mesmos 16 pontos pelo actual sistema, embora em termos percentuais de pontos perdidos, já que a pontuação por vitória era diferente, o arranque não seja tão mau como o da época actual - e que só não consegue ser pior que o que as águias fizeram em 1996/97, quando, ao fim de nove jogos na Luz, tinham quatro vitórias, três empates e duas derrotas, a que correspondiam 15 pontos.
Se dissermos que 1934/35, época com campeonato disputado a 14 equipas, em que os encarnados acabaram a 15 (!) pontos do campeão Sporting com um saldo de 12 vitórias, seis empates e oito derrotas, e 1996/97, época em que o Benfica ficou a 27 (!) pontos do campeão FC Porto, com um total de 17 vitórias, sete empates e 10 derrotas – o seu maior número de derrotas de sempre na Liga a par do índice de 2000/01, quando o Benfica foi sexto classificado, a sua pior classificação de sempre – correspondem a duas das piores temporadas do vasto historial do Benfica na principal divisão do futebol português, arrumamos logo a questão, quanto à débil situação interna que o Benfica vive. Indo mais fundo, acrescentamos que os tais cinco jogos caseiros em branco, da equipa orientada por José Antonio Camacho, não têm qualquer precedente na história do clube encarnado na Liga portuguesa.
Já há algum tempo que se fala na fraca capacidade técnica que Camacho tem imprimido no comando técnico do Benfica, nesta sua segunda passagem pela Luz - com muita razão - e perante tais números restam poucas dúvidas de que no caso do espanhol, as frases da canção se aplicam na perfeição: 'nunca voltes ao lugar onde já foste feliz'.
As piores piores épocas do Benfica em casa (somente os primeiros nove jogos):
(clique na imagem para ver com maior detalhe)
critério utilizado: percentagem pontos perdidos
Publicada por nuno almeida em 17:43 1 comentários
Etiquetas: estatísticas, futebol nacional
Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008
Bundesliga: regresso pós-moderno
Depois de uma paragem de cerca de um mês e meio, recomeça hoje a Bundesliga, que vai entrar na sua fase decisiva. O Bayern München, melhor defesa da prova com apenas oito golos consentidos até à data e equipa com menos derrotas, uma, é líder desde a primeira jornada, mas ao empatar em Berlim, frente ao Hertha, na última jornada da primeira volta, foi apanhado no topo da classificação pelo Werder Bremen, que teve o mérito de ultrapassar, uma fase menos boa, em que chegou a estar a seis pontos dos bávaros, tirando partido do seu ataque que é o mais concretizador, com 42 golos, conseguindo ser ainda a equipa com mais vitórias até ao momento, 11. As duas equipas que dividem entre si o primeiro lugar, têm 36 pontos, mais quatro que o terceiro classificado, o Hamburg, que após uma época tremida em 2006/07, com um percurso inicial periclitante, tem feito, em 2007/08, uma campanha regular e sabido manter-se nos primeiros lugares, ainda em posição de ter uma palavra a dizer no que concerne ao título de campeão. Cinco pontos separam o quarto classificado, o Bayer Leverkusen, equipa bem cotada, que tem 30, do oitavo, que é o Stuttgart, uma das decepções da prova, com 25 pontos. Pelo meio, estão o Schalke 04, adversário do FC Porto na Liga dos Campeões, que tem o maior número de empates a par do Eintracht Frankfurt, oito, com 29 pontos, o Karlsruher, equipa que subiu este ano à Bundesliga e que chegou a andar pelos lugares cimeiros, não deixando mesmo assim, com o sexto lugar, com 28 pontos, de ser a principal sensação da prova, e o Hannover, que tem trilhado caminhos luminosos, com 27 pontos. Eintracht Frankfurt, última equipa da primeira metade da tabela, e Borussia Dortmund, primeira equipa da segunda metade da tabela, fecham o lote dos dez primeiros classificados, com 23 e 21 pontos, respectivamente. Seguem-se Wolfsburg e Hertha, duas equipas que partiam com aspirações a outro tipo de classificação no começo da temporada, ambos com 20 pontos, o Bochum com 19, o Arminia Bielefeld, que tem a pior defesa da prova, com 38 golos sofridos, com 18, e o Hansa Rostock, outra das equipas que subiu esta época, com 17 pontos, dois acima da linha de água, onde se encontram submersos, o Nurnberg, adversário do Benfica na Taça Uefa, e o Energie Cottbus, que é o conjunto com menos vitórias, três, ambos com 15 pontos, sendo que a lanterna vermelha é carregada pelo Duisburg, que tem somente 13 pontos e é a equipa com menos empates junto com o Stuttgart, um, mais derrotas, 12, e pior ataque da prova, com 14 golos marcados.
Os três primeiros
Bayer München Os bávaros, que gastaram mundos e fundos, no início de época, para construir um plantel forte que lhes permitisse apagar a má imagem deixada na última temporada e regressar ao topo do futebol germânico e europeu, atacam, por esta altura, várias frentes, sendo que por ora o maior destaque terá que ser dado à Bundesliga, onde o Bayern München começou de forma brilhante, amealhando pontos que lhe permitiram alcançar uma confortável vantagem na frente da classificação, desperdiçada, nas últimas jornadas, e, apesar de se apresentar como mais forte e consistente candidato à conquista do ceptro de campeão, a que não é alheio o facto de ter a melhor defesa do campeonato alemão, voltou a reforçar o sector defensivo com o brasileiro Breno, excelente defesa central de apenas 18 anos, que realizou uma temporada muito boa no São Paulo, tendo sido considerado o jogador revelação do último Brasileirão, e custou aos cofres do clube, cerca de 12 milhões de euros. Ottmar Hitzfeld, que está de partida no final da época – Jurgen Klinsmann será o treinador do Bayern Munchen a partir de Julho de 2008 – deverá também dar mais oportunidades entre os eleitos, nos próximos tempos, a Toni Kroos, médio organizador de jogo formado nas escolas do Bayern, que tem jogado alguns minutos nos últimos encontros, mais sobre a esquerda do meio-campo, e foi, ainda não há muito tempo, uma das principais figuras do Campeonato do Mundo de sub-17, ao lado das referências da intermediária, a quatro, onde o internacional turco Hamit Altintop, jogador tacticamente evoluído, tem jogado pela ala direita, Frank Ribéry, internacional francês chegado esta época à Alemanha, depois de lá ter brilhado no Campeonato do Mundo de 2006, sobe pelo flanco oposto, o canhoto, os internacionais Marc van Bommel e Zé Roberto, que actuam em posições mais interiores, com tarefas mais defensivas, e o fantástico Bastian Schweinsteiger, ditam leis. Para o que resta jogar da temporada, Ottmar Hitzfeld não deverá operar grandes transformações, no que diz respeito, ao desenho táctico da equipa. O Bayern München, que habitualmente se apresenta em 4x4x2, deverá continuar a contar com as prestações de Oliver Kahn, jogador em final de carreira que tem criado alguns atritos no seio do plantel, sendo que aqui surge Michael Rensing como alternativa, que já mostrou ser válida, a comandar uma defesa também de quatro unidades, onde Christian Lell, pela direita - ocupa o lugar que tinha sido nas últimas épocas de Willy Sagnol -, Philipp Lahm, pela esquerda - onde Marcell Jansen, outro jogador prodigioso, dá muita luta -, Lúcio e Martín Demichelis, dois sul-americanos, pelo centro, são as opções mais válidas, surgindo van Buyten, em alternativa para a posição de defesa central. No ataque, de duas unidades, a remodelação que o Bayern sofreu para esta temporada faz-se sentir ainda mais que em qualquer outro posto, sendo que Miroslav Klose, e o internacional italiano Luca Toni, adquirido à Fiorentina, dividem entre si a responsabilidade de terem que marcar golos - levam nove cada um e estão no topo da lista de melhores marcadores -, com Lucas Podolski, sobre quem muito se especulou nos últimos tempos, para uma eventual cedência a um clube europeu, que não se concretizou, à espreita de uma oportunidade para aparecer. Da Bavária, saíram, na reabertura de mercado, o defesa central francês, Valérien Ismaël, de 32 anos, que estava há duas épocas e meia no clube, depois de se ter destacado no Werder Bremen, mas que foi sempre uma escolha de recurso no plantel à disposição de Ottmar Hitzfeld, efectuando apenas um jogo para a liga alemã, no último ano e meio, que ingressou no Hannover 96, por 200 mil euros, e o polivalente, jogador defensivo, Mats Hummels, internacional alemão de sub-21, que foi para Dortmund rodar, por empréstimo.
Werder Bremen Eliminado na fase de grupos da Liga dos Campeões, pelo segundo ano consecutivo, pelos todo-poderoso Real Madrid e surpreendente Olympiakos, o Werder Bremen, que por ter sido terceiro classificado do seu grupo, seguiu para a Taça Uefa, onde vai medir forças com o Sporting de Braga, vira parte das atenções e expectativas para o campeonato caseiro, embora também ainda continue em prova na Taça da Alemanha. Com um início pífio, para o passado recente da equipa, onde se fez notar em excesso a ausência do atacante Miroslav Klose, transferido no último defeso para o Bayern München, o Werder Bremen, do experimentado Thomas Schaaf, que habitualmente se expõe em 4x3x1x2, com uma defesa a quatro, com Clementz Fritz e Petri Pasanen, nas laterais, Per Mertesacker e Naldo, no eixo central, e Diego, a sua melhor unidade, melhor marcador da Bundesliga até ao momento com 9 golos, a jogar com organizador de jogo, posicionando-se entre o trio defensivo de meio campo, composto pelo internacional croata Jurica Vranjes, que actua numa posição mais central, por Daniel Jansen, internacional dinamarquês, que varia para a direita, e Tim Borowski, internacional alemão que já acertou a saída para o Bayern München na próxima temporada, como interior esquerdo, e o duo de ataque, onde Hugo Almeida tem menos minutos nas pernas, mas mais golos (7), ajudando ao melhor ataque da prova, que os internacionais, Boubacar Sonogo - contratado ao Hamburg para esta temporada -, da Costa do Marfim, e Markus Rosenberg, da Suécia, teve em Carlos Alberto, antigo jogador do FC Porto, uma aposta claramente falhada. Contratado no início de época, ao Fluminense, o 'Feijão', que atravessou um período conturbado com alguns problemas do foro pessoal, não se adaptou – fez apenas 44 minutos na Bundesliga referente a dois encontros em que foi suplente utilizado – e foi emprestado ao São Paulo. Outros dos jogadores que saíram do plantel do Werder Bremen na reabertura de mercado foram o colombiano de 20 anos, John Jairo Mosquera, que depois de ter estado emprestado na última temporada ao Wacker Burghausem da segunda liga alemã, e ter regressado para participar em apenas três jogos, a nível interno, foi novamente emprestado ao Alemania Aachen, e o internacional dinamarquês contratado também para esta época, ao Mainz 05, Leon Andreasen, que fez vários jogos, despertando o interesse do Fulham, de Inglaterra que garantiu o seu passe por 4,3 milhões de euros. Recebido e investido. Sob o prazo para as inscrições, o Werder Bremen contratou ao Schalke 04, o médio ofensivo internacional alemão de sub-21, de apenas 19 anos, que efectuava uma boa temporada em Gelsenkirchen, a sua segunda ao mais alto nível, Mesut Özil.
Hamburg Desde que chegou aos lugares do pódio, à décima jornada, o Hamburg não mais os largou. Isso, depois de um começo instável, que fez, certamente, pairar sobre a cabeça dos adeptos, um novo pesadelo, semelhante ao que o clube viveu durante a primeira metade da época transacta. O Hamburg, treinado pelo holandês Huub Stevens, que sairá no final da temporada, deve parte da boa campanha a outro holandês, o patrão da equipa, Rafael van der Vaart, que também está de partida para Juventus, na próxima época. Sob a batuta de van der Vaart, um dos melhores marcadores da Bundesliga a par de Luca Toni, Miroslav Klose e Diego, com nove golos anotados, o conjunto do norte da Alemanha, mantém legítimas aspirações a conseguir um brilharete no final da época. Assente num 4x2x3x1, bem suportado pelas acções do duplo pivot defensivo onde os internacionais, David Jarolim, checo de 28 anos, e Nigel de Jong, holandês de 23 anos, têm sido as opções mais consistentes, e onde Vicent Kompany, belga de 21 anos de idade, que é defesa central de origem, tem ganho algum espaço perdido no centro da defesa, onde Bastian Reinhardt e Joris Mathijsen, têm dado poucas hipóteses à concorrência, compensando as subidas dos laterais Guy Demel, pela direita, e de Thimothée Atouba - Juan Pablo Sorín está lesionado desde o início da época -, pela esquerda, surgindo o alemão de origem ganesa Jérôme Boateng, de 19 anos e internacional pelos sub-21, contratado no início da época ao Hertha de Berlim, como uma alternativa válida, capaz de fazer ambas as posições com lucidez. Para esta temporada, o HSV investiu quase 8,5 de euros, tentando ofertar a Huub Stevens qualidade não só para os flancos, para acompanhar Rafael van der Vaart, que é o playmaker da equipa, como alguma capacidade e poder de finalização dentro da área. Chegaram então, Romeo Castelen, extremo campeão europeu de sub-21 pela Holanda em 2006, e Mohamed Zidan, egípcio que vinha de uma notável temporada, em 2006/07, no Mainz 05, onde apontou 13 golos, mas nenhum dos dois têm correspondido às expectativas geradas, sobretudo o africano, que marcou até ao momento apenas um golo e que, não obstante ter começado como titular, constituiu mais uma alternativa que solução no onze do HSV. Romeo Castelen, que chegou do Feyenoord, tem entrado aos poucos na equipa, mas conta com concorrência de peso, de Piotr Trochowski, internacional alemão capaz de desempenhar funções em qualquer posição do meio campo, e Ivica Olic, que tem alinhado sobre o lado esquerdo do meio campo ofensivo, alternando bastante de posição, numa simbiose muito interessante com Trochowski, quando a posição de homem mais adiantado da equipa é ocupada pelo peruano Paolo Guerrero, que demora a confirmar tudo o que prometeu quando surgiu na equipa do Bayern München, há três épocas, e ainda só conseguiu facturar dois golos. Durante a pausa de Inverno, o Hamburg investiu pouco, cerca de um milhão de euros, e optou por contratar jovens, o bielorusso Anton Putsilo ex-Dinamo Minsk, jogador de 20 anos, organizador de jogo, que actua numa posição central do meio campo ofensivo, e o belga de origem ganesa Vadis Odjidja-Ofoe, de 18 anos, um jogador polivalente que faz várias posições, da defesa ao meio campo defensivo, deixando sair apenas Sebastian Langkamp, defesa central, também muito jovem, que foi para o Karslruher.
A figura
Diego Internacional brasileiro de 22 anos, Diego Ribas da Cunha, que começou nas escolinhas do Comercial, de Ribeirão Preto, cidade de onde é natural, e que passou pelo Paulistinha de São Carlos, antes de ingressar no Santos, clube, onde se estreou com apenas 16 anos de idade e se lançou para a ribalta, depois de ter, junto com Robinho, Alex, Renato, Elano e Léo, ajudado a conquistar o título de campeão brasileiro em 2002, que repetiu em 2004, por lá ter jogado no primeiro semestre desse ano, chegou à Bundesliga, em 2006/07, depois de ter falhado no FC Porto, ao qual chegou no rescaldo da vitória europeia do clube em 2003/04, com a Copa América conquistada, nesse ano, ao serviço da selecção canarinha, e com a missão de fazer esquecer Deco, entretanto transferido para Barcelona, pese os títulos conquistados, os golos importantes marcados e alguns bons jogos efectuados. Olhando para trás, podemos dizer que Diego, que não teve um primeiro ano ano pior que qualquer um dos seus ex-colegas de equipa, e que quase sempre que entrava em campo, na Liga portuguesa, era massacrado com entradas, algumas delas à margem das leis - um dos motivos que o levavam a passar, por vezes, ao lado dos jogos - foi dos que acabou por pagar a factura da derrota do FC Porto no terreno do Estrela da Amadora, à 18ª jornada da época 2005/06, já que daí para a frente fez apenas mais três jogos pelos dragões para a Liga portuguesa – dois deles como suplente utilizado – situação que terá sido agravada pelo penúltimo que fez, em que foi titular e em que mesmo não tendo sido das piores unidades da equipa, não escapou incólume às críticas de que foi alvo toda a acção do meio campo da equipa, muito pífia, onde o FC Porto não conseguiu bater o Rio Ave, em Vila do Conde, empatando a zero e realizando uma exibição horrível. Afastado por Co Adriaanse, durante boa parte do ano 2006, Diego seria transferido para o Werder Bremen, que mostrou interesse nos seus serviços, depois de se falar com alguma insistência de um regresso ao Brasil. No clube germânico, Diego voltou a mostrar um futebol de elevado grau como grande municiador de ataque e principal finalizador, realizando uma primeira época estupenda em termos pessoais, mesmo não tendo conseguido ajudar o Bremen a manter a primeira posição, que tinha antes da pausa de Inverno – Werder Bremen acabou em terceiro – participando em 33 dos 34 jogos na Bundesliga – falhou um castigado – e facturando 13 golos, que fizeram dele o melhor marcador da equipa a par de Miroslav Klose, que culminou com o seu chamamento pelo técnico Dunga à selecção brasileira, para a Copa América, prova que ajudou a vencer. Este ano, o Werder Bremen, perdeu algum brilho com a saída de algumas das suas principais figuras, e disso se ressentiu a equipa no início da época, tendo dificuldades em conseguir resultados consentâneos com os de um candidato ao título e à passagem da fase de grupos da Liga dos Campeões. Todavia, Diego, que viu, por isso, também serem redobradas, sobre si, expectativas e a responsabilidade de conduzir a equipa a bons resultados, respondeu positivamente e tem feito uma época ainda mais positiva que a anterior, tendo já obtido nove tentos, que fazem dele o actual melhor marcador da Bundesliga, a par da dupla atacante do Bayern München, Luca Toni e Miroslav Klose, com os mesmos nove, cada, e de Rafael van der Vaart, que pode muito bem vir a ser seu colega na Juventus, na próxima temporada. A importância e influência de Diego no Werder Bremen, vinha a crescer cada vez, antes da paragem, sendo que dos últimos cinco jogos efectuados para a Bundesliga – o Werder Bremen venceu quatro –, Diego fizera cinco golos – realizou o seu primeiro bis na Bundesliga frente ao Karslruher –, média de um por encontro, portanto, e de todos os jogos em que conseguiu marcar, oito no total, a sua equipa perdeu apenas um. Jogador destro muito técnico e habilidoso, forte no um para um, com enorme capacidade de transporte de bola em progressão, muito difícil de travar, sem se recorrer à falta, aplicando depois a sua excelente visão de jogo, para abrir, com passes alguns de ruptura, brechas nas defensivas contrárias, Diego é um número dez cerebral que joga muito bem nas costas dos avanços, mais até que longe deles, aparecendo muitas vezes, dentro dos últimos vinte metros, a finalizar, capítulo em que revela bons predicados, seja de bola corrida, onde consegue vistosos golos, beneficiando para isso de um forte e colocado remate, que não tem pejo em executar, ou em lances de bola parada, que cobra quase sempre a preceito.
Outros concorrentes e movimentações de mercado
Bayer Leverkusen Tendo perdido várias peças importantes, no último defeso, em praticamente todos os sectores da equipa, como foram os casos dos internacionais Juan, Marko Babic, Andrej Voronin e, mesmo, Hans Jörg-Butt, que mesmo em final de carreira, só foi perdeu a titularidade, depois de uma expulsão frente ao Eintracht Frankfurt, na 21ª ronda, o Bayer Leverkusen, depois de ter realizado uma temporada um pouco abaixo das expectativas em 2006/07 apesar do quinto lugar final, tem feito um campeonato com alguns altos e baixos, ainda assim, melhor e mais constante que o anterior. Partindo de um 4x2x3x1, imposto pelo treinador Michael Skibbe, onde se destaca a acção dos internacionais germânicos Gonzalo Castro, lateral direito versátil de 20 anos, que tem jogado muitas vezes esta temporada como um dos elementos – sob a direita – de contenção no miolo da sua equipa, e Simon Rolfes, de 25 anos, forte na recuperação de bolas, que é a outra unidade nuclear da equipa na posição de trinco, podendo actuar também, como tem feito, em alguns jogos fora, mais adiantado, numa posição mais central, ou até sobre o lado esquerdo, junto à linha, onde reina, este ano, o excelente Tranquillo Barnetta, internacional helvético, que também pode fazer o mesmo papel no flanco contrário. Na frente, ora Theofanis Gekas, o grego que é o artilheiro da equipa, com oito golos, como o foi na última Bundesliga, ao serviço do Bochum, e na primeira divisão grega de 2004/05, uma das principais aquisições do Bayer Leverkusen para esta temporada, ao lado do chileno Arturo Vidal, referência defensiva no seu país, que até tem actuado bastantes vezes, encontrando-se ainda em fase de ambientação a outro tipo de futebol, ora a estátua Stefan Kießling, que aos 24 anos faz uma das suas temporadas mais consistentes, em termos de actuações, levando já cinco golos no seu pecúlio, metade do melhor que conseguiu na Bundesliga, em 2005/06, têm sido garante de golos. O Bayer Leverkusen não procedeu a ajustamentos, no que toca a entradas, durante a reabertura do mercado, mas devolveu o francês Ricardo Faty ao AS Roma, jogador com imenso potencial que tinha sido emprestado no início da época pela equipa romana, mas que não rendeu o esperado, tendo feito apenas dois jogos, incompletos, e permitiu a saída do avançado checo de origem grega Michal Papadopoulos, rumo ao Energie Cottbus. Schalke 04 Quem recorreu ao mercado para reforçar a equipa tendo em vista não só a Bundesliga, mas também a Liga dos Campeões, onde vai medir forças com o FC Porto, campeão português, foi o quinto classificado, o Schalke 04 que normalmente se perfila em 4x2x3x1. Mesmo tendo perdido Darío Rodríguez, defesa uruguaio pouco utilizado esta época, e sobretudo Mezut Özil perto do encerramento do mercado, esta uma perda certamente importante, já que o alemão realizava uma temporada de afirmação, o Schalke 04, parece mais forte ofensivamente e capaz de ir mais além internamente. Chegaram à equipa dos brasileiros Bordon, uma das maiores figuras da primeira parte da Bundesliga, e Rafinha, lateral direito prodigioso e de grande espectáculo, que gastou cerca de 6,5 milhões de euros, Zé Roberto, médio de ataque brasileiro, que teve uma passagem muito boa pelo Botafogo, depois de já ter, há uns anos, jogado no Benfica B, Vicente Sanchéz, avançado uruguaio com carreira feita no México, oriundo do Toluca e Albert Streit, médio ala consistente, que era um dos bons jogadores do Eintracht de Frankfurt. Karslruher O Karlsruher é o actual sexto classificado e uma das gratas surpresas da corrente edição do campeonato alemão. Depois de ter vencido a 2. Bundesliga em 2006/07, o Karlsruher, embora tenha perdido três dos primeiros seis jogos, teve um primeiro terço de campeonato notável. Com efeito, a equipa chegou a andar pelo segundo lugar, mas terminou o ano em perda, com derrotas e empates, nos jogos fora, ou contra equipas de outro gabarito, que lutam por objectivos diferentes, como o Werder Bremen e o Hamburg. Ainda assim, nada disso retira mérito à campanha ao Karlsruher - 4x2x3x1 -, que tem uma equipa certinha e homogénea, e que nem se reforçou assim tanto no início da época, altura em que perdeu a sua maior estrela, Giovanni Federico, centro campista de ataque, de ascendência italiana, que saiu para o Borussia Dortmund. Agora, a equipa que luta pela manutenção, já com o desiderato quase conseguido, recebeu Langkamp do Hamburg e gastou 450 mil euros, na aquisição do ponta-de-lança internacional australiano, de 25 anos, Joshua Blake Kennedy, que se notabilizou na Alemanha ao serviço do secundário Dínamo Desden, entre 2004 e 2006, e que não conseguiu depois disso responder ao desafio que lhe lançou o Nurnberg, onde era figura de recurso, embora tenha participado em 12 jogos da equipa, quase sempre como suplente utilizado, e marcado um golo. Saiu o avançado montenegrino Sanibal Orahovac, que não entrava nas contas do treinador Edmund Becker. Hannover 96 Uma temporada à imagem do clube. É a principal ilação que se pode extrair da primeira volta, efectuada pelo Hannover 96 - 4x2x3x1 -, do português Sérgio Pinto, que tem um conjunto muito experiente, com jogadores muito rodados, e se reforçou muito no defeso, com principal destaque para Michal Hanke, possante avançado contratado ao Wolfsburg, que tem respondido com golos, contabilizando oito, e que agora recebeu apenas o defesa central francês que estava na prateleira do Bayern München, mas que leva muitos anos de Bundesliga, Valérien Ismaël, que chega para colmatar a saída de Thomas Klein, defesa central que fez carreira no SpVgg Greuther Fürther, e que agora regressa à segunda divisão, para tentar ajudar o Borussia M’gladbach, que é o líder da prova, a subir à Bundesliga. Stuttgart A principal desilusão da Bundesliga, até ao momento, é sem sombra de dúvidas o Stuttgart, campeão em 2006/07, que tem percorrido um caminho muito sinuoso, cheio de espinhos. Para além da péssima imagem deixada na Liga dos Campeões, em 17 jornadas de liga alemã, o Stuttgart, que tem um plantel recheado de internacionais de várias nacionalidades, incluindo a portuguesa, através de Fernando Meira, com o seu 4x1x3x2, consentiu oito derrotas, tantas como o número de vitórias que tem até ao momento, e só esteve cinco jornadas, acima da nona posição, o que é terrível para as aspirações da equipa de quem, mesmo não se assumindo como candidata à revalidação do título, no começo da temporada, se esperava bem mais. O Stuttgart reforçou-se com o jovem promissor de 19 anos Sven Schipplock, homem de área que jogava no modesto SVV Reutlingen, das divisões inferiores do país, onde conseguiu marcar oito golos, e Sergiu Marian Radu, ponta-de-lança internacional romeno, figura do Energie Cottbus nos últimos dois anos, onde fez 26 golos para as 1. e 2. Bundeligas, e que não vingou na passagem de meio ano, que teve em 2007, pelo Wolfsburg, onde fez só dois golos, e de onde chega agora, juntando-se ao seu compatriota Ciprian Marica, aquisição de início de época, que demora a ambientar-se e não tem correspondido ao valor depositado por si nos cofres do Shaktar Donetsk, da Ucrânia (sete milhões de euros), e perdeu Gledson, defesa central brasileiro, que não se impôs, nem sequer efectuou um jogo na Bundesliga, e retornou ao Hansa Rostock de onde saíra, no final da transacta temporada, e o guarda-redes austríaco Michael Langer, vendido ao Freiburg, onde deverá ter mais oportunidades de jogar. Eintracht Frankfurt Meritória tem sido a prestação do Eintracht Frankfurt em 2007/08, que não virava a Bundesliga com tantos pontos e em tal posição há mais de uma década. Contudo, o Eintracht Frankfurt - 4x2x3x1 em casa e 4x1x4x1 fora -, que praticamente não gastou fundos, no início da temporada, tendo optado pela aquisição de jogadores a custo zero, parece querer mais, e, desta feita, gastou mais de 7,5 milhões de euros, em jogadores jovens, mas talentosos, como o médio ofensivo brasileiro Caio, de 21 anos, que jogou no Palmeiras na última temporada, um avançado de grande qualidade Martin Fenin, internacional checo de 20 anos, que se encontrava escondido no campeonato do seu país, no FK Teplice, e o possante ponta-de-lança grego, ex-carta do baralho de José Peseiro, no Panathinaikos, Evangelos Mantzios. Saíram Albert Streit, para o Schalke 04, o japonês Junichi Inamoto, que retornou ao seu país para representar o Urawa Red Diamonds, e Michael Thurk, avançado experiente que transitou para o Augsburg da 2. Bundesliga.
Borussia Dortmund Começam a perder-se no tempo, os anos áureos do Borussia Dortmund. E nem Thomas Doll, que conseguiu levar o Hamburg à Liga dos Campeões há duas épocas, mostra arte e engenho para reerguer a equipa - exposta preferencialmente em 4x1x3x2 -, que tem um percurso pautado pela irregularidade e inconstância exibicional, sendo uma das segundas defesas mais batidas da competição. Ao Borussia Dortmund, que não sabe o que é acabar nos primeiros três lugares da Bundesliga, desde 2002/03, chegou este mês, como aquisição de maior renome, Antonio Rukavina, lateral direito ex-Partizan Belgrad e internacional pela Sérvia, que chegou a ser cogitado para reforço do FC Porto. Wolfsburg Depois de três épocas em Munique, Felix Magath chegou esta temporada ao Wolfsburg, para reestruturar a equipa, tentando dar-lhe um toque pessoal, para a tornar competitiva. Só que o Wolfsburg, que gastou rios de dinheiro para o ataque a 2007/08, tem feito uma campanha fraca. Nem podia ser de outra forma. A equipa, que joga em 4x3x1x2, tem variado muito de forma e tanto consegue ter um índice de concretização de equipa de topo, como apresenta uma das piores defesas, apanágio das equipas do fundo da tabela. A Ricardo Costa, Josué, Grafite, Jan Simunek, Vlad Munteanu, entre outros, contratados no Verão, juntam-se agora Diego Benaglio, guarda-redes suíço contratado ao Nacional da Madeira, Danijel Ljuboja, que estava a fazer figura de corpo presente no Stuttgart, e o japonês Makoto Hasebe, médio interior, oriundo do Urawa Red Diamonds. Hertha A situação do Hertha é, em tudo idêntica, à do Wolfsburg. A equipa de Berlim reforçou-se imenso para esta temporada, e não conseguiu, até ao momento, retirar proveito desse investimento. Ladeando jogadores de fino recorte com gregários e lutadores, mesclando experiência com juventude, o Hertha - 4x4x1x1 - já andou por cima, nos primeiros lugares, mas a verdade é que, não conseguiu manter uma regularidade em termos de resultados, quedando-se pela 12ª posição no final da primeira volta, o que é francamente fraco, para o plantel de que dispõe o suíço Lucien Favre, que entretanto perdeu o internacional brasileiro Gilberto, que rumou ao Tottenham Hotspur, mas reforçado agora, com Raffael, atacante de 22 anos, que jogava no FC Zurich, que tem a particularidade de ser irmão de Ronny, lateral esquerdo do Sporting, Gojko Kacar, médio defensivo sérvio, ex-Vojvodina Novi Sad, o finalizador búlgaro Valeri Domovchiyski, que pertencia ao Levski Sofia, Rudolf Skacel, médio ala esquerdo que chega do Southampton, e que brilhou ao serviço do Hearts, da Escócia, há um par de anos, emprestado pelo Marselha, e Bryan Arquez, jovem médio de contenção, ex-DC United. Bochum Depois de uma temporada muito positiva em 2006/07, o Bochum - 4x4x2 -, que perdeu o seu goleador e garante de muitos pontos, Gekas, no último defeso, entrava na Bundesliga 2007/08 com a já árdua tarefa de escapar à descida ainda mais dificultada. A carreira da equipa não tem impressionado, mas tem sido certinha, sobretudo em casa, onde o Bochum, não concede grandes veleidades aos adversários, tendo perdido apenas um jogo, frente ao Bayern München, ao contrário de fora onde embora já tenha vencido por duas vezes, tem sido uma presa demasiado fácil, perdendo os restantes de forma esclarecedora. Se assim se mantiver, na segunda metade da época, a manutenção será um cenário plausível e para que tal aconteça o Bochum garantiu Shinji Ono, médio centro de 28 anos, que estava no Urawa Red Diamonds e que regressou deste modo à Europa, onde esteve cinco anos e meio a representar o Feyenoord, o avançado centro ucraniano ex-Shaktar Donetsk Aleksei Belik, e o internacional alemão sub-21 Mimoun Azaouagh, cedido a titulo de empréstimo pelo Schalke 04. Arminia Bielefeld Pior defesa da Bundesliga, o Arminia Bielefeld - 4x1x3x2 fora e 4x2x2x2 em casa - até arrancou bem na competição, com três vitórias nos cinco primeiros jogos, mas desde então apenas venceu em mais duas ocasiões, tendo sofrido na pele várias goleadas, como a maior da competição imposta pelo Werder Bremen por 8x1. Como se não bastasse a péssima imagem deixada pela defesa, o ataque também apresentado à flor da relva dos estádios da Bundesliga um rosto muito pálido, como atestam os 19 golos marcados, um dos piores índices entre as equipas primodivisionárias da Alemanha. Apesar de tudo isso, o Arminia Bielefeld, que é uma das duas únicas equipas que já trocou de treinador, não atacou o mercado em Janeiro e vai precisar de batalhar muito para escapar à degola. Hansa Rostock Não se esperava muito do Hansa Rostock e a primeira volta da Bundesliga tratou de o confirmar. Ainda assim, a equipa - 4x1x3x2 - já ultrapassou o lastimoso arranque de competição, com cinco derrotas em outros tantos encontros, que a tornavam lanterna vermelha à quinta jornada. Entretanto, a equipa melhorou e fruto de algumas vitórias – conseguiu três seguidas – saiu da zona de rebaixamento, onde não voltou a cair, estacionando no último lugar que garante a permanência na Bundesliga 2008/09. Não se afigura fácil a missão do Hansa Rostock para o que resta jogar na temporada, que volta a contar com Gledson, que não se firmou em Stuttgart, e o promissor guarda-redes que chegou dos amadores do FSV Frankfurt Kenneth Kronholm, 22 anos de idade, como novidades nas opções às ordens de Frank Pagelsdorf. Nurnberg Futuro adversário do Benfica na Taça Uefa, onde tem deixado uma imagem positiva, o Nurnberg - 4x2x1x3 - não consegue repetir a dose em termos caseiros, e se a Bundesliga tivesse terminado ao cabo de 17 jogos, teria descido de divisão. Porque isso não acontece e porque a Taça Uefa não é de desprezar, o Nurnberg, que venceu a taça da Alemanha na última estação, não mediu esforços para se reforçar, com o gigante Jan Koller, que certamente dará trabalho e dores de cabeça aos defensores contrários, e ajudará a dirimir parte dos problemas ofensivos com que a equipa se debate. O internacional checo pode ser elemento fundamental para o futuro a curto prazo do Nurnberg, que recebeu ainda para reforço do eixo da defesa o experiente defesa central francês Jacques Abardonado, jogador formado no Olympique de Marseille e que se encontrava no Nice. Além do supracitado Kennedy, o Nurnberg deixou sair Chhunly Panenburg, extremo da selecção nacional de sub-20, que foi para o TSV 1860 München. Energie Cottbus Energia é o que se pede ao Energie Cottbus, para sair do fosso em que caiu, esta temporada. Apesar de não ser, no momento, o lanterna vermelha, a campanha do Energie Cottbus foi fraquíssima e foi a equipa que mais tempo carregou esse fardo, entre a 6ª e a 16ª jornada. Se quiser manter-se o Energie Cottbus, que é a equipa com menos vitórias, tem que melhorar quase exponencialmente, não só a qualidade, como o sentido prático do seu futebol, o que não se afigura fácil, já que o clube tem sido, esta época, um foco de instabilidade, cifrando-se em três o número de treinadores que já passaram pelo banco da equipa no segundo semestre de 2007. Foram algumas as aquisições feitas pelo Energie Cottbus -4x2x3x1 -, quase todas para as linhas mais adiantadas, como o referido Papadopoulos, ex-Bayer Leverkusen, Branko Jelic, ponta-de-lança sérvio que jogava no Xiamen Lanshi, do longínquo campeonato chinês, o médio ofensivo, também da Sérvia, Dusan Vasiljevic, que estava no campeonato húngaro onde representava o Kaposvári e o extremo direito internacional sub-21 pela Alemanha, Christian Muller, emprestado pelo Hertha, sendo a única excepção o bósnio Ivan Radeljic, oriundo do Slaven Belupo Koprivnica, que passa a ser mais uma unidade a lutar por uma presença na equipa, aumentando o leque de opções no centro da defesa. Duisburg A sina das vindas e idas no que toca a subidas e descidas de divisão não tem fim na história do futebol alemão e há uma equipa, o Duisburg, percursor do 4x4x2, que precisa arrepiar caminho, se não quiser, no final da época, passar a figurar entre as estatísticas. Sem os recursos económicos de outros concorrentes, embora se tenha reforçado muito para a temporada, o Duisburg é, sem grandes surpresas, não obstante o promissor começo de campeonato, último classificado e, para já, principal candidato a primeiro conhecer o seu destino na Bundesliga 2007/08. Nuvens negras pairam sobre os céus da MSV Arena, casa do Duisburg, que perdeu o marroquino Youssef Mokhtari, jogador com cartel na Alemanha, para o Al-Rayann, do Qatar, e que tem no defesa central argentino Fernando Ávalos, que militava no Nacional da Madeira, a mais dispendiosa das suas aquisições de Janeiro, que englobam o avançado centro croata Bojan Vrucina, proveniente do Slaven Belupo Koprivnica, o experiente internacional romeno Niculescu, ex-Dinamo Bucareste, e o lateral esquerdo francês, internacional sub-21 pelo seu país Olivier Veigneau, cedido pelo Mónaco a título de empréstimo, condição em que chegou também o médio ala direito Sílvio Schröter, do Hannover 96.
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Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008
A matilha de Cláudio Pitbull

Para se perceber a época que o Vitória de Setúbal tem feito, é preciso, em primeiro lugar, entender o papel que Cláudio Pitbull, instruído por Carlos Carvalhal, desempenha em toda a estrutura sadina. Mais que Matheus, que tinha feito uma primeira metade de Liga fabulosa, e entretanto regressou ao Sporting de Braga, que o tinha emprestado ao clube do Bonfim, no início da temporada, que Edinho, o 'joker' sadino também em trânsito para o futebol helénico tendo por destino, o AEK de Atenas, ou que qualquer outro jogador que compõe o plantel da equipa do Bonfim, dos que ontem entraram em campo, frente ao Beira-Mar, no jogo que deu ao Vitória de Setúbal o passaporte para a final da Taça da Liga, com principal relevo para o trio de meio campo, composto por Sandro, Elias e Ricardo Chaves , sempre eficaz na marcação, na circulação de bola e na saída para o ataque, aos que não actuaram, Cláudio Pitbull é o grande responsável pelo futebol perfumado, com resultados práticos, que teima em ser libertado, semana após semana, para desespero dos seus opositores, nos ares do Bonfim.
Cláudio Pitbull chegou ao FC Porto em Janeiro de 2005, como reforço de Inverno do FC Porto, depois de se ter destacado no Grêmio, onde foi o melhor marcador em 2004, apesar da equipa de Porto Alegre ter caído para a segunda divisão brasileira, mas não se conseguiu afirmar sob as ordens de José Couceiro, que era o técnico dos portistas na altura, e foi emprestado sucessivamente pelos dragões, desde a segunda metade de 2005, primeiro ao Al Ittihad, da Arábia Saudita, onde passou como um cometa e depois, ao Santos, passando pelo Fluminense, em 2006, pela Académica, na primeira metade de 2007, até à actual temporada, de 2007/08, ao Vitória de Setúbal, onde realiza a melhor época da carreira. Opção de ataque ao lado de Matheus, Edinho, Paulinho, Bruno Gama e outros, Cláudio Pitbull demonstrou, desde cedo, ser um dos elos mais fortes - ao lado de Matheus -, ajudando a melhorar qualitativamente a frente de ataque vitoriana, que explora a acção de três unidades, da qual, só ele, que era alvo do interesse do América, do Newcastle United e do Monaco para a segunda metade da temporada, parece restar. Mas não. Há lá mais. Só que o futebol de Pitbull encandeia os defesas contrários e ofusca o brilho dos colegas. Com Cláudio Pitbull em campo, que leva somente dois golos em 13 jogos na Liga, o Vitoria de Setúbal sofreu apenas duas derrotas, frente ao FC Porto e ao Vitória de Guimarães, e a segunda teve origem num golo obtido por Mrdakovic em posição irregular. Na Taça da Liga, a equipa do Vitória de Setúbal atinge a final também sem qualquer derrota.
Jogando mais pela direita do tridente ofensivo, como sucedeu frente ao Benfica, no jogo que afastou a equipa da Luz, da fase de grupos da Taça da Liga, ou pelo centro, como aconteceu ontem e já tinha acontecido noutras ocasiões, Cláudio Pitbull não tem marcado muitos golos, como referido, mas os adversários que não se deixem enganar; tem feito imensas assistências e a forma como, no papel de falso lento, faz girar todo o jogo e carrossel do Vitória, é exemplar, pela positiva. Reparem como só se vê na frente do ataque quando em situação defensiva. Depois, quando o Vitória parte para o ataque, deixa-se ficar numa posição entre linhas até receber a bola, permitindo que os seus colegas se adiantem. Temporiza ou progride um pouco, e de repente, solta um passe curto ou longo, sempre a rasgar as marcações contrárias, solicitando um dos seus colegas que rompem das alas, em diagonais, ou um dos médios, que foi substituído na acção e o tenta substituir lá na frente. É um estilo que parece simples, mas que requer muito trabalho, e além de se revelar eficaz, torna-se muito interessante de seguir. Além disso, esta parece-me ser a melhor forma de encaixar Pitbull, que aos 26 anos ainda tem muito para crescer, numa equipa e aí mérito para Carlos Carvalhal, retirando dele o máximo proveito, já que é aquele o habitat, de que ele melhor se apodera fazendo-o seu, lembrando, salvo as devidas distâncias, uma evolução que sofreu Deco, numa primeira fase da carreira. Tem tudo para ser, pelo menos, similar. Ele que, embora seja muito aguerrido, não é muito dotado para jogar em cunha entre os centrais, nem tão forte assim nos últimos metros, a posicionar-se e principalmente no capítulo da finalização, pode, porque é tecnicamente evoluído, e sabe lançar muito bem as jogadas, também a partir de lances de bola parada, que cobra exemplarmente, seja a cortar a bola para a área, a partir de livres laterais e de pontapés de canto, seja a rematar directamente à baliza, trilhar novos rumos. Há sempre equipas e tantas por aí, a necessitar de um candidato a mágico.
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Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008
Júlio César: novo imperador no Restelo?

O Belenenses foi um dos clubes portugueses que aproveitou a reabertura do mercado para reforçar e corrigir lacunas em vários sectores do seu plantel, da baliza ao ataque, passando pela defesa e pelo meio-campo para o qual já tinha garantido há algum tempo Marco Ferreira. Ao Restelo chegaram, por estes dias, Edson, defesa central brasileiro de 20 anos que jogou pelo Brasil o último Campeonato do Mundo de sub-20, cedido pelo FC Porto, que garantiu o seu passe junto do Figueirense, onde nasceu e cresceu como jogador, Edgaras Jankauskas, internacional lituano de 32 anos, que estava em final de contrato com o AEK Larnaca, do Chipre, e que em Portugal, já representou o Benfica e o FC Porto, pelo qual venceu a Taça Uefa em 2003 e se sagrou campeão europeu em 2004, e Júlio César, guarda-redes que jogou o último campeonato brasileiro pelo Botafogo, que vem preencher uma vaga aberta pela saída, por empréstimo, para o Duque de Caxias, do seu compatriota Thiago Schmit, que, apesar de ter chegado com boas referências, oriundo do Avaí, não se conseguiu impor entre os eleitos de Jorge Jesus na primeira metade do ano. O Salésias, porque segue a evolução de Júlio César há algum tempo, tendo visionado vários dos jogos em que o jogador foi interveniente em 2007, traça, a partir daqui, um perfil do novo guarda-redes do Belenenses.
Júlio César Jacobi, guarda-redes brasileiro de 21 anos (02/09/1986) nasceu em Guaramirim, município litorâneo do estado de Santa Catarina, e começou a carreira nas categorias inferiores do J. Malucelli, clube empresa, que hoje em dia tem um protocolo com o Vitória de Guimarães, ao qual fez chegar recentemente dois jogadores para Manuel Cajuda avaliar. Depois, transitou para o Paraná Clube, onde completou a sua formação, dando nas vistas na Copa São Paulo de Futebol Júnior, em 2005, quando ajudou o tricolor paranaense a subir ao último lugar do pódio, atraindo a atenção de Acácio, treinador de guarda-redes do Botafogo e antigo guarda-redes do Beira-Mar e Tirsense, levando o alvinegro carioca, que entretanto perdia o talentoso Jefferson, para o Trabzonspor, da Turquia, a investir na sua contratação. A estreia de Júlio César no Botafogo aconteceu só na parte final do campeonato brasileiro de 2006, na penúltima jornada, contra o Corinthians, que terminou com uma igualdade a zero, tendo ainda alinhado no último jogo dessa prova, frente ao Cruzeiro, que o Botafogo perdeu por 3x1, antes de ir para férias, com a certeza de que, embora partindo de trás, como terceiro guarda-redes, entraria numa disputa sadia pela baliza, em 2007. E assim foi. Chamado à responsabilidade com apenas 20 anos na Taça Rio, segunda parte do Campeonato Estadual Carioca de 2007, depois de Max, que foi o titular durante a Taça Guanabara – primeira fase do Cariocão – ter comprometido no derradeiro jogo da fase de grupos frente ao Boa Vista, que o Botafogo perdeu por 3x2, falhando dessa forma, uma presença nas meias-finais, Júlio César deslumbrou, não só pelos bons jogos efectuados, sobretudo frente aos rivais Fluminense e Vasco da Gama, mas porque transmitia alguma maturidade invulgar para a idade e segurança ao sector mais recuado do Botafogo, algo em que a equipa era carenciada, sofrendo só 5 golos em 6 jogos e ajudando o Bota, além de vencer o seu grupo, a chegar à meia-final onde encarou o Vasco da Gama, num dos melhores jogos que o Brasil teve oportunidade de presenciar no último ano, que terminou empatado a quatro bolas, decidido nos penaltis, onde Júlio César foi, de novo, decisivo, para a passagem da equipa à final, que venceu frente ao Cabofriense. Na final do Estadual, que coloca frente a frente, os vencedores da Taça Guanabara e da Taça Rio, Júlio César teve o seu primeiro momento verdadeiramente negativo, comprometendo, quando foi expulso frente ao Flamengo, no primeiro dos dois jogos da decisão, numa altura que o Botafogo vencia por 2x0 (o jogo acabaria empatado a dois), acabando desse modo por falhar o segundo encontro que o Botafogo perderia com o rival, por penaltis, depois de nova igualdade. Todavia, Júlio César, considerado muito promissor e acarinhado pela ‘torcida’, começaria o Brasileirão como titular, ajudando o Botafogo, apesar dos episódios caricatos que protagonizou entre os postes, como os golos que sofreu diante do Figueirense, para a Copa do Brasil, que ajudaria à eliminação da equipa nas meias-finais, e do Náutico, em pleno Maracanã, à 6ª jornada, ou o penálti que travou a Amoroso, mesmo confuso, depois de ter desmaiado no lance que o originou, num jogo contra o Grêmio, à 4ª jornada – acabaria substituído –, a chegar à liderança da prova, onde o clube alvinegro esteve algum tempo, bem destacado da concorrência, mas Júlio César seria afastado à 15ª jornada, depois de uma derrota frente ao Cruzeiro por 3x2, em que voltou a não se sair bem, falhando em momentos decisivos. Curiosamente o afastamento de Júlio César, que já era por essa altura alvo da ira dos adeptos, que lhe apontavam saídas nocturnas - junto com o seu colega Diguinho eram alegadamente conhecidos na noite carioca, como Batman e Robin - como motivo para menor rendimento, da baliza botafoguense coincidiu com a quebra da equipa no Brasileirão, que perdia por essa altura a liderança para o São Paulo, e a seu tempo haveria de cair para fora da zona de acesso à Copa Libertadores. O regresso de Júlio César à baliza do Botafogo, depois de vários meses afastado, deu-se na 29ª jornada, pois nem Max, nem Marcos Leandro – contratado ao Paraná Clube com a época em curso – nem o experiente Roger, ex-Santos, que entretanto se lesionara, conseguiam evitar a soma de golos com que o Botafogo era presenteado semana após semana, mas não correu muito bem. O Botafogo perdeu três jogos consecutivos, todos com dois golos averbados, e mesmo depois de um quarto, vencido na recepção ao Sport Recife, por 3x1, Júlio César perdia novamente o posto para Roger, entretanto refeito da lesão, que não mais recuperaria até final do ano. Insatisfeito pela escassa utilização e aproveitamento, Júlio César, acabou o ano em litigio com o Botafogo, na justiça, alegando salários em atraso e incumprimento do clube no pagamento do seu Fundo de Garantia, acabando por rescindir amigavelmente, antes de acertar com o Belenenses para os próximos três anos e meio.
Júlio César é um guarda-redes promissor e que tem uma margem de progressão elevada, já com cartel dentro do Brasil – chegou a ser apontado como alvo para reforçar o Corinthians –, pese a irregularidade que marcou a sua época de 2007, mas algo inexperiente. Dono de uma compleição física assinalável (85kg distribuídos por 1,90m), com muita presença na baliza, destaca-se pela agilidade e elasticidade com que defende entre postes, onde se posiciona bem. Já fora deles, o seu jogo é um pouco débil, e embora arrisque pouco nesse capítulo, nomeadamente em lances de bola parada – cantos e livres laterais –, parecendo muitas vezes indeciso em qual a melhor opção a tomar, sempre que o faz, mesmo em jogo corrido, revela-se algo precipitado, com algumas saídas extemporâneas – mais no tempo que na intercepção (embora também esteja longe da perfeição na segunda) – quer por alto, quer por baixo, que lhe tem rendido algumas falhas clamorosas, sendo esse um dos itens em que mais necessita de trabalhar e, naturalmente, evoluir. Outro aspecto importante que carece de algum trabalho é a nível da concentração, pois Júlio César, além de revelar excesso de confiança em algumas abordagens que faz aos lances, mostra-se por vezes desatento, o que lhe tem valido dissabores, ao longo da ainda curta carreira. É, no entanto, um guarda-redes com enormes qualidades, que, como referido, arrisca pouco a sair da baliza, porque é debaixo dela, seu habitat preferido, que consegue efectuar as defesas mais incríveis, algumas verdadeiramente instintivas, tirando partido de reflexos apurados. Bom na reposição da bola em jogo - tem jogo de mãos e de pés -, comandando de um modo geral, bem a defesa à sua frente, Júlio César revela-se ainda fortíssimo a defender penaltis, uma das suas especialidades, que, tal como ao seu ídolo Taffarel, o tornaram conhecido no Brasil.
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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008
Simon Vukčević e Marat Izmailov: tons eslavos clássicos

Simon Vukčević chegou ao Sporting, no defeso, proveniente do FC Saturn, da Rússia, depois de ter sido aventado como alvo do FC Porto, para substituir Anderson, que se transferiu para o Manchester United, e demorou algum tempo a engrenar. Aquele jogador de quem muitos diziam, no início, que só conseguia fazer 20 minutos a um nível mais intenso é, actualmente, o jogador mais decisivo dos leões, que vivem em estado de graça, depois de várias vitórias, incluindo a que obtiveram sobre o FC Porto, no clássico, com um dos golos a ser assinalado precisamente pelo montenegrino. O outro foi obtido por Marat Izmailov, internacional russo, que pouco a pouco e apesar da inconstância exibicional, tem vindo a construir um espaço próprio no seio do miolo leonino.
Com uma carreira muito precoce, que conheceu um dos seus momentos áureos já há uns bons anos, quando foi chamado a representar a selecção da Sérvia e Montenegro nos Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas, depois de ter jogado o Europeu de sub-21, nesse ano, que voltaria a jogar em 2006, em solo lusitano, Simon Vukčević, que começou a sua carreira no FK Budućnost Podgorica, antes de ingressar, com 16 anos, na escola do Partizan de Belgrado, clube pelo qual se estreou como profissional, em 2003, realizando logo de entrada duas temporadas bem positivas, onde jogou até Janeiro de 2006, quando foi para a Rússia, jogar ano e meio, sem grande sucesso – caiu em desgraça por chocar de frente com o treinador –, no FC Saturn, participou, até ao momento, em 16 dos 17 encontros realizados pelo Sporting na Liga portuguesa – falhou a visita a Braga, onde, curiosamente, os leões encaixaram a sua maior derrota esta temporada – e leva cinco golos, que fazem dele o melhor marcador da equipa de Alvalade na prova. Com défices físicos visíveis, que não lhe permitiam manter um ritmo de jogo elevado durante muito tempo, no início da época, a entrada de Simon Vukčević no onze do Sporting, fez-se de forma faseada. Embora tenha arrancado a titular, Vukčević só completou o primeiro jogo a tempo inteiro pelo Sporting à 6ª jornada, numa vitória por 3x0 sobre o Vitória de Guimarães, e o segundo, à 13ª jornada, diante do Marítimo, onde foi o jogador chave dos leões, na obtenção dos três pontos, agarrando o lugar, primeiro, à esquerda no meio campo ofensivo dos leões, variando para o centro, e depois, nos últimos encontros, surgindo no apoio mais directo a Liedson, como segunda unidade de ataque, a tempo inteiro, com utilidade extrema. Jogador ambicioso, com grande disponibilidade física, muito combativo, tecnicista, rápido e explosivo, no raio de acção que compreende os últimos 30 metros de terreno da sua equipa, e com um remate qualificado, Simon Vukčević leva, esta época, ao todo, sete golos pelos leões, e além da sua enorme utilidade, também a assistir companheiros, tem um dado curioso: nos jogos em que marcou (seis entre Liga e Taça da Liga), o Sporting venceu sempre.
Marat Izmailov, jogador de 25 anos, foi recrutado, no início da época, por empréstimo, ao Lokomotiv de Moscovo, onde completou a sua formação e realizou grande parte do seu percurso profissional, depois de se ter feito a parte inicial da sua formação no Torpedo de Moscovo. Ele, que cedo despertou cobiça tendo sido considerado como um dos jogadores russos mais promissores da sua geração, em menos de meio ano, conseguiu o fantástico feito de passar da segunda equipa do Lokomotiv de Moscovo para a selecção russa, pela qual se estreou, então com 19 anos de idade, e que atravessava uma fase de menor fulgor na carreira nos últimos anos, também muito fustigado por lesões, foi decisivo na vitória do Sporting frente ao FC Porto. Autor de parte da jogada e assistência que resultou no primeiro golo dos leões, Izmailov apareceu bem na pequena área portista a finalizar, para o segundo, após defesa incompleta de Helton, e constitui-se como uma importante mais valia para este Sporting, não só pelo que joga, quando as coisas lhe correm bem, mas também pelo que dá a jogar e pelos importantes golos que marca. O médio russo foi, aliás, a primeira grande figura do Sporting versão 2007/08, por ter sido decisivo na final da Supertaça, em Agosto de 2007, ao marcar o único golo com que os leões derrotaram o FC Porto, proporcionando a elevação do troféu ao Sporting. Marat Izmailov, que já foi falado como alvo potencial de Sven Goran Eriksson para reforçar a intermediária do Manchester City, é um jogador que actua pelas alas, preferencialmente pela direita, com forte cadência para jogar em contra-ataque, muito forte em transições rápidas e capaz de assumir movimentos de ruptura, tirando partido da sua velocidade e drible, para desequilibrar as defensivas contrárias. Além disso, movimenta-se bem e surge quase sempre no sítio certo, dentro da área contrária, quando a jogada se desenvolve sob o flanco ao posto em que actua, o que lhe tem valido alguns golos. Com o internacional russo, que tem ainda um forte e colocado remate, que utiliza sem receios, e que o tornam temível quando lhe é dado espaço à entrada da área, e que ainda só jogou 90 minutos seguidos na Liga portuguesa, em duas ocasiões, sendo que o jogo com o FC Porto foi uma delas, e que tem tido uma carreira, à semelhança de um passado recente, algo intermitente, ao serviço do Sporting, pese os quatro golos que já marcou para o campeonato e os pontos que já ajudou, com isso, a arrecadar, o Sporting, ganhou, esta época, uma qualidade na ala direita, da qual tem, sobretudo internamente, tirado muito pouco proveito.
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Domingo, 27 de Janeiro de 2008
Sporting vs FC Porto: histórias do clássico

É um dos maiores clássicos do futebol português. Será, porventura, o que menos importância tem actualmente no que concerne a jogos entre os três grandes, mas nem sempre assim foi. Nos primórdios das competições nacionais, com efeito, FC Porto e Sporting eram as equipas com maior notoriedade e, subsequentemente, os jogos entre si acabavam por ser os mais importantes.
Os primeiros jogos. Aconteceu assim em 1922, na decisão do primeiro Campeonato de Portugal, que colocou face a face, em duas mãos, o campeão de Lisboa, o Sporting, e o campeão do norte, o FC Porto. Mais sagazes e embalados pelo seu público, os portistas venceram o primeiro jogo por 2-1, mas em Lisboa, o Sporting, foi mais forte e superiorizou-se por 2-0, pelo que foi necessário recorrer a uma finalíssima para se achar o vencedor. Disputado no Bessa – por sorteio –, a 18 de Junho de 1922, o derradeiro jogo consagraria o FC Porto, como primeiro campeão de Portugal, mas só depois do prolongamento ao qual se chegou depois de Emílio Ramos ter dado a igualdade ao Sporting, que correra atrás do prejuízo causado pelo tento de Balbino, para os azuis e brancos, logo a abrir o encontro. João Nunes e João de Brito fariam os golos decisivos que despoletaram a festa do FC Porto. Comemorava-se também o feito de Gago Coutinho e Sacadura Cabral que tinham chegado ao Rio de Janeiro no dia anterior. Esse FC Porto tinha curiosamente um jogador formado no Campo Grande, de seu nome Velez Carneiro, médio centro, que tinha ingressado no clube dois anos antes, depois de oito anos na equipa de Francisco Stromp, e que seria assassinado à queima-roupa, dois anos depois, antes de novo título portista - comandados pelo eterno guardião húngaro Miguel Siska - , de novo, frente ao Sporting, em 1924, e depois do primeiro do Sporting como campeão de Portugal, em 1923.

Anos mais tarde, em 1934/35, numa altura em que Ricardo Zamora assombrava com o seu brilho a Europa do futebol, decorrente da magnífica prestação ao serviço da selecção espanhola no Campeonato Mundial de 1934, era criado em Portugal, o Campeonato da Liga. Disputado por oito equipas, a competição chegava à sua etapa final, com uma deslocação do FC Porto, que era primeiro, ao campo do Sporting, que era segundo, mas com legítimas aspirações à conquista da prova – era a única equipa tirando o FC Porto, que lá podia chegar –, bastando-lhe para o efeito a vitória. A 12 de Maio de 1935, jogou-se então o primeiro Sporting versus FC Porto, no covil dos leões, para o campeonato nacional de futebol. A partida, disputada no Campo Grande, trazia um FC Porto ferido, por ter tido de repetir um jogo, que tinha vencido em primeira instância, que tornou a vencer, ao Belenenses, receoso, por ter perdido e empatado nas outras deslocações ao sul – o FC Porto empatara nas Salésias, na abertura do campeonato, perdera em Setúbal frente ao Vitória na 4ª jornada e nas Amoreiras, frente ao Benfica, na 10ª jornada, e desfalcado, por não poder contar com a sua maior estrela, Artur de Sousa ‘Pinga’ que se encontrava doente – único jogo falhado pelo ponta esquerda nessa prova. O Sporting, embora tivesse perdido na deslocação à Invicta, na 7ª jornada, por 4-2, naquele que foi, de facto, o primeiro jogo entre ambas as equipas para o campeonato, entrou bastante moralizado pela presença em massa dos seus adeptos, e adiantou-se no marcador à passagem do 25º minuto, com um golo de Ferdinando. Carlos Nunes, talentoso jogador de 20 anos, e Lopes Carneiro marcaram, antes e depois do intervalo, virando a contenda a favor dos portistas e o melhor que o Sporting conseguiu foi chegar ao empate, pelo seu avançado Soeiro, melhor jogador da equipa e melhor marcador desse campeonato com 14 golos apontados, a quem o FC Porto andava à tempos a tentar lançar a rede para a época seguinte, para criar um ataque demolidor, ao lado de Pinga, Lopes Carneiro, Waldemar Mota e Carlos Nunes. O Sporting, carregado de brio, para se defender, nessa altura, revidou com interesse em Pinga. Acabariam por não se concretizar, nem uma nem outra saída e, hoje, Pinga é figura eterna do FC Porto e Soeiro - tio e responsável pela chegada, anos mais tarde, de Manuel Vasques (um dos cinco violinos) ao Sporting -, o 4º melhor marcador de sempre do clube de Alvalade.
A história em números: Sporting manda em casa, FC Porto é superior no cômputo geral. Sporting e FC Porto já se enfrentaram 73 vezes, no terreno dos leões, e 147 vezes, no total, em jogos a contar para a divisão maior do futebol português. A jogar em casa, o Sporting levou a melhor por 40 vezes, contra 15 empates e 18 vitórias do FC Porto, conseguindo um total de 147 golos marcados e 80 sofridos. Porém, é o FC Porto que somando todos os jogos entre ambos, consegue estar na frente. São 56 triunfos do FC Porto, 53 do Sporting e a igualdade prevaleceu em 38 ocasiões. Em golos totais, a vantagem é leonina com um parcial de 221-208. A maior goleada conseguida pelo Sporting, em casa, remonta à época de 1936/37, quando os portistas saíram vergados por 9-1. Os azuis e brancos, que durante muitos anos viveram sob a malapata de não triunfar a sul, venceram fora o Sporting, pela primeira vez apenas em 1948/49, e conseguiram o seu resultado mais expressivo, em Alvalade, em 1972/73, quando venceram por 0-3. Em casa, a história é, no entanto, diferente. O FC Porto já venceu o Sporting, por 10-1, em 1935/36, mas também já perdeu por 1-4, em 1959/60.
Contrastes. Para se perceber o domínio caseiro do Sporting frente ao FC Porto é preciso olhar para os primeiros anos de campeonato. Até ao final da época 1960/61, os leões tinham vencido 22 vezes e permitido, apenas, quatro empates e uma vitória aos dragões. Todavia, o FC Porto é quem domina nas últimas três décadas. Desde 1977/78, os de Alvalade, em casa, só saíram por cima no clássico por nove vezes, empataram sete jogos e perderam 14. O melhor período do FC Porto em casa do Sporting, aconteceu entre 1990/91 e 1996/97, em que os dragões obtiveram seis vitórias e se registou somente uma igualdade, em 1992/93, primeira época do inglês Bobby Robson, em Portugal e no Sporting.
Clássico à tarde, como no filme. Esse foi um dos últimos, senão último clássico disputado à tarde em Alvalade de que há memória. Aconteceu à 10ª jornada, dessa época (1992/93). O FC Porto, orientado por Carlos Alberto Silva, era líder isolado do campeonato, com mais dois pontos que o Benfica, e visitava o Sporting, que era apenas quinto classificado, com menos um ponto que o saudoso Salgueiros. O jogo começou bem para os leoninos, que se adiantaram no marcador antes dos dez minutos, pelo internacional polaco Juskowiak, referência do torneiro olímpico 1992, que aproveitou da melhor maneira um ressalto na pequena área azul e branca, para bater Vítor Baía. O FC Porto, pese a estratégia sempre defensiva que imperava enquanto era dirigido pelo ‘Professor Astromar’ conseguiria, no entanto, chegar ao empate, antes do intervalo, pelo internacional búlgaro Kostadinov, que aproveitando uma má decisão de Ivkovic, após centro do capitão João Pinto que levou a bola a embater no poste mais distante – ao qual é tirado o cruzamento – da baliza leonina, mergulhou para facturar de cabeça. 1-1 seria o resultado final. É curioso notar que essa equipa do Sporting tinha uma média de idade, embora parecida, ainda mais curta do que a que Paulo Bento deverá apresentar amanhã de início.
Maior vitória e maior derrota nos confrontos em Alvalade. Foi a 4 de Abril de 1937 que o Sporting venceu o FC Porto, que realizava um campeonato abaixo do esperado, por 9-1, mais de um ano depois de terem sido copiosamente batidos pelos portistas (10-1), a 22 de Março de 1936, no estádio do Lima. Soeiro, com um poker, João Cruz, com um hat-trick, e Pireza, com um bis, construíram o resultado final, honrado por Pinga, para os da Invicta. O húngaro Joseph Szabo, que fora campeão em 1934/35 pelos azuis e brancos, era o treinador do Sporting. O FC Porto obteve o seu resultado mais dilatado sobre o Sporting, em Alvalade, em 72/73, no início da segunda volta, por 0-3. Os dragões tinham perdido na estreia, em casa, às mãos dos leões e realizaram, nessa época, em que eram penúltimos à 4ª jornada, com apenas dois pontos - duas derrotas e dois empates -, um campeonato de trás para a frente, concluindo-o à frente do rival.
O pentacampeonato nasceu e festejou-se em Alvalade: a vingança de Robson e a engenharia de Santos. O Sporting embalou para o título no ano seguinte: Inácio trilha caminhos aprendidos nas Antas. Em termos internos, o FC Porto ostenta, como é sabido, a melhor série de vitórias em campeonatos nacionais, cinco. O primeiro e o último desses títulos tiveram expressão máxima em Alvalade. Em 1994/95, o campeão decidiu-se à 30ª jornada quando o FC Porto, de Bobby Robson, que fora despedido do Sporting na época anterior, derrubou o conjunto leonino, em Alvalade, com um golo de Domingos, que já fora decisivo na vitória portista, um ano antes, de penálti. Na 33ª jornada de 1998/99, quando os dragões, líderes isolados, com cinco pontos (quatro na prática, porque o Boavista tinha empatado em Faro e o FC Porto já era campeão ao entrar em campo) à maior sobre o Boavista, visitaram Alvalade para obter um resultado que teria sido, em qualquer caso, suficiente para os seus objectivos, uma igualdade a um golo. Pedro Barbosa, que passou pelos escalões de formação do FC Porto, adiantou o Sporting, no início da segunda metade, mas o esloveno Zahovic, concluiu na sequência de uma bola parada, a cinco minutos do fim, garantindo a festa azul e branca. Na temporada seguinte, em 1999/00 os rivais encontraram-se à 26ª jornada, com o FC Porto na liderança e o Sporting, a dois pontos. O encontro criou enormes expectativas, porque o Sporting não perdia há 16 encontros e em Alvalade acreditava-se piamente que seria, finalmente, aquele o ano da reconquista do campeonato depois de um jejum de quase duas décadas. O Sporting marcou dois golos antes do intervalo, num livre superiormente executado por André Cruz e num remate seco de Beto Acosta, de fora da área perante um desamparado Vítor Baía, após erro grave de Secretário que entregou a bola para uma zona de ninguém, arrumando a questão quanto ao vencedor do encontro e passando, dessa forma, para a frente da Liga, posição que não mais largaria até final.
Diferentes lados da barricada. Muitas são as histórias de jogadores e treinadores que alinharam em clássicos entre Sporting e FC Porto, por ambos os clubes, ou que simplesmente jogaram com o símbolo de ambos ao peito. Carlos Alhinho, António Oliveira, Eurico Gomes, Fernando Gomes, Paulo Futre, Jaime Pacheco, António Sousa, Emílio Peixe, Augusto Inácio, Mário Jardel, Fernando Mendes, Ricardo Fernandes, Edmilson, Rui Jorge, Costinha, são quinze, dentro de algumas dezenas de nomes. No actual plantel do Sporting, apenas Derlei jogou o clássico por ambos os clubes, sendo que Tonel, apesar de ter sido formado nas Antas, nunca o jogou pelo FC Porto contra o Sporting, ao mais alto nível. No plantel do FC Porto existe, além de João Paulo, que jogou numa derrota do Sporting, nas Antas, em 2002/03, Ricardo Quaresma, que se formou em Alvalade, antes de sair para Barcelona, onde o FC Porto o foi recrutar. O extremo e actual figura dos dragões estreou-se pela equipa principal do Sporting, na Liga, precisamente frente ao FC Porto, na jornada inaugural da temporada 2001/02. Foi uma estreia em cheio de Quaresma, então com 17 anos – entrou aos 22 minutos para o lugar de Sá Pinto –, que colocou a cabeça em água a Mário Silva, lateral esquerdo do FC Porto, e que os leões venceram com um tento solitário do romeno Marius Niculae, começando aí, da melhor maneira, a caminhada para o seu último título de campeão.
A era Mourinho e a noite de Jorginho. Nos anos dourados de 2002-04, encarnados pela equipa liderada por José Mourinho, o FC Porto não perdeu em Alvalade e averbou uma vitória, em 2002/03, num jogo em que não deu qualquer hipótese ao Sporting, pese o escasso resultado de 0-1, construído com um golo de Costinha, e, um empate, em 2003/04, a uma bola, com golos de Jorge Costa após canto de Deco, pelo FC Porto, aos 10 minutos de jogo, e de Pedro Barbosa, na transformação de uma grande penalidade, à entrada para os últimos vinte minutos, depois de Fábio Rochemback ter falhado uma, ainda na primeira parte. Acabou por ser um jogo polémico, pelos acontecimentos no rescaldo, com o célebre episódio da camisola rasgada e pelas afirmações produzidas por José Mourinho: ‘Liedson é um enganador’ e ‘Presidente, deixe-me ir embora’ aludindo, pela primeira vez, à sua - futura - saída do futebol português. Dois anos mais tarde, no reinado de Co Adriaanse, o FC Porto venceria em Alvalade à 30ª jornada - o Sporting, tal como em 99/00, havia recuperado parte da desvantagem trazida para o FC Porto chegando apenas com dois de atraso ao clássico, que jogava em casa - com um golo solitário do brasileiro Jorginho, garantindo praticamente a conquista do título de campeão. Na última temporada, Yannick Djaló e Ricardo Quaresma foram os autores dos golos que garantiram divisão de pontos. E amanhã? Como será escrita a próxima página do clássico?
Publicada por nuno almeida em 04:17 4 comentários
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Sexta-feira, 25 de Janeiro de 2008
A defesa do ataque
O Belenenses foi a Braga arrancar um empate a uma bola, frente ao Sporting local, na abertura da ronda 17 da Liga portuguesa. Foi a 12ª vez, em 48 jogos disputados entre ambas as equipas no campo do Sporting de Braga – 23 triunfos para os da casa e 13 dos forasteiros –, para a primeira divisão portuguesa, que as equipas terminaram igualadas, o que já não acontecia desde 2002/03. Embora tenha estado em vantagem, que não conseguiu manter, o Belenenses deu uma boa resposta aos acontecimentos que marcaram as últimas semanas do emblema da Cruz de Cristo e acabou por conseguir um resultado positivo, num terreno que lhe é tradicionalmente difícil, interrompendo uma série de quatro vitórias arsenalistas, em partidas, entre ambas as formações, na cidade dos Arcebispos.
Rolando, 22 anos, defesa central azul de origem cabo-verdiana, que esteve presente nos dois últimos Europeus de Sub-21 por Portugal e que passou pelo Campomaiorense, ainda júnior, antes de chegar ao Restelo, onde efectua a sua quarta temporada ao mais alto nível, abriu o activo antes do intervalo, na sequência de um livre movimentado por Zé Pedro, o homem das bolas paradas às ordens de Jorge Jesus, depois de um primeiro remate ao poste da baliza de Paulo Santos, pelo brasileiro ex-Sport Recife Weldon. Foi o primeiro golo de Rolando esta época, sexto do seu percurso na Liga, para a qual não marcava há duas temporadas – a sua mais produtiva –, que começou na estreia, frente ao Marítimo, na 1ª jornada de 2004/05. Rolando é, nesta altura, um dos mais cobiçados jogadores do campeonato português e um dos elementos chave da estrutura defensiva, que fazia do Belenenses, à entrada para a 17ª jornada, a terceira menos batida da Liga, ex-aequo com o Sporting, com 15 golos sofridos.
Roland Linz foi o autor do golo que valeu o empate ao Sporting de Braga e já leva nove tentos na Liga, encontrando-se a apenas um, da marca conseguida na temporada passada pelo Boavista. O austríaco, além de estar a realizar uma das melhores épocas da carreira, vale, até ao momento, nove dos 24 pontos da caminhada bracarense na Liga. Senão vejamos:
- 3ª jornada: vitória sobre o Estrela da Amadora por 2-1 (marcou o segundo golo);
- 7ª jornada: vitória sobre o Nacional por 1-0 (marcou o único golo);
- 8ª jornada: empate, na Figueira da Foz, frente à Naval, 1-1 (marcou o golo bracarense);
- 12ª jornada: vitória sobre o Marítimo por 2-1 (marcou o segundo golo);
- 15ª jornada: empate, em Coimbra, frente à Académica, 3-3 (marcou dois dos golos do Sporting de Braga);
- 17ª jornada: empate frente ao Belenenses, 1-1 (marcou o golo bracarense).
Publicada por nuno almeida em 23:13 0 comentários
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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008
Kevin Keegan: actos em St James Park

O jogo do passado fim-de-semana entre o Newcastle United e o Bolton Wanderers, a contar para a Liga inglesa, que terminou com uma igualdade a zero, marcou o regresso de Kevin Keegan ao comando técnico dos Magpies. O Salésias, atento ao futebol inglês, não podia deixar passar a ocasião e o que propõe é uma viagem no tempo, até à segunda passagem – primeira como treinador – de Kevin Keegan por St James Park.
Kevin Keegan, um dos mais reputados jogadores ingleses de todos os tempos, duas vezes considerado o melhor jogador do continente europeu, chegou ao Newcastle em 1982. Em fim de uma extraordinária carreira, depois de ter representado o Scunthorpe United, onde a principiou – foi chumbado pelo Doncaster Rovers –, Liverpool, Hamburgo e Southampton, o antigo avançado, exemplo para gerações vindouras, realizou duas épocas de bom nível, com 48 golos obtidos em 78 jogos disputados, ajudando, na derradeira temporada, junto com Peter Beardsley – haveria de ser seu jogador – e Terry McDermott – seu ex-colega no Liverpool que seria seu adjunto – o clube do norte de Inglaterra a subir à Primeira Liga.
Cinco anos. Foi o tempo que durou essa aventura do Newcastle United, que Keegan ajudara a lançar, na liga inglesa. Em 1988/89 a equipa, que tinha Jim Smith – treinador já com alguma experiência no Birmingham City e no Queens Park Rangers e que se notabilizaria no Derby County – ao leme, era muito frágil – Mirandinha, antigo internacional brasileiro, era um dos jogadores – e não evitou a descida, terminando no último lugar da classificação. Era o início de uma travessia no deserto, que duraria alguns anos, e que Kevin Keegan, por opção própria, experimentava em Espanha, afastado do mundo que tudo lhe tinha dado.
Parco em recursos, com um plantel tecnicamente muito limitado, o Newcastle United entrava para a temporada 1991/92 sem grandes aspirações, tendo por meta, exclusivamente, a manutenção na Division 1 – segunda de Inglaterra. Orientados pelo antigo campeão do mundo, o argentino Osvaldo “Ossie” Ardilles – era a sua segunda experiência como treinador depois de ter começado no Swindon Town – que construíra a sua reputação em Inglaterra como jogador no Tottenham Hotspur, os Magpies até começariam o campeonato de forma regular, realizando um primeiro terço bastante aceitável, mas, a partir da 20ª jornada, a equipa entrou estranhamente em declínio, agravado à 29ª, quando depois de uma derrota em casa, com o Charlton Athletic por 3x4 (o Newcastle Utd tinha saído para o intervalo a vencer por 3x0), a equipa caiu pela primeira vez, abaixo da linha de água. A 30ª ronda trouxe uma goleada, imposta pelo Oxford United por 5x2, e precipitou a saída de Ardiles. O Newcastle United era penúltimo com 29 pontos em igualdade com o Brighton and Hove Albion, embora tivesse desvantagem circunstancial.
Para o lugar de manager, Sir John Hall, que junto com a sua equipa directiva depois de traçar um plano para reformar o estádio, tentava reanimar o clube, contratou Kevin Keegan, que se estreou no comando técnico do Newcastle United, a 8 de Fevereiro de 1992, com uma vitória por 3x0 sobre o Bristol City. Era o início de uma era, a do Geordie Messiah, que tornaria o Newcastle United um dos expoentes máximos do futebol inglês, que só foi tornada possível porque Keegan salvou a equipa sobre a meta – o Newcastle United depois de uma recuperação voltara a cair para a penúltima posição a duas jornadas do fim – com duas vitórias preciosas, sobretudo a última, fora, na ronda decisiva, frente ao Leicester City por 1x2. Em 1992/93, Kevin Keegan guiaria a equipa, para a qual contratara Barry Venison, John Beresford, Paul Bracewell e Robert Lee, de forma soberba ao título da Division 1, terminando a prova desse ano com 96 pontos, fruto de 29 vitórias, 9 empates e 8 derrotas, com índices de concretização e de defesa, de topo, tornando realidade o sonho dos lideres e dos dedicados adeptos do Newcastle United, com ascensão à Liga principal de Inglaterra.
E não podia ter corrido melhor o retorno do Newcastle United ao principal escalão do futebol britânico.1993/94 corresponde a uma época excelente da equipa de St James Park, que acabaria o campeonato como 3º classificado, com 77 pontos, só superada pela equipa que já dominava o futebol inglês, o Manchester United, e pela sensação da primeira metade dos anos 90, em Inglaterra, o Blackburn Rovers, respectivamente, primeiro e segundo classificados, com 92 e 84 pontos. Além disso, era a melhor época do Newcastle United dos últimos 65 anos, só superada pela de 1926/27, quando conquistara o quarto – 1994/05, 1906/07 e 1908/09 – e último título de campeão do seu historial. Nessa temporada de 1992/93, o Newcastle United só não foi ainda mais longe porque capitulou parte das aspirações, com um mau arranque na prova – a equipa era 11ª classificada à 12ª jornada, com quatro vitórias, quatro empates e quatro derrotas. Foi com o desenrolar da época que os jogadores, muitos deles novatos naquelas andanças, se soltaram para constituírem o melhor ataque da Liga, com 82 golos. Mais de dois terços desses tentos, seriam obra de uma dupla atacante demolidora, composta por Andy Cole, entusiasmante avançado de 22 anos, recrutado ao Bristol City, que terminaria a época com 34 golos em 40 jogos, cotando-se como o melhor marcador da Liga inglesa – receberia o prémio de melhor jogador jovem em 1994 – à frente de Alan Shearer (31 tentos), e Peter Beardsley, que regressado a St James Park proveniente do Everton, conseguiria 21 tentos em 35 jogos, concluindo a estação mais produtiva da sua enorme carreira.
Kevin Keegan expunha a sua equipa em 4x4x2 clássico, mas a fraca prestação defensiva, que fora o calcanhar de Aquiles em 1993/94 – pior defesa dos cinco primeiros classificados –, tornava imperativo o reforço da equipa, nomeadamente no sector mais defensivo, para atacar a época 1994/95 e assim aconteceu. Nesse defeso, chegaram ao Newcastle United, dois internacionais, o belga Philippe Albert, defesa central goleador, ex-Anderlecht, e o lateral direito suiço Marc Hottiger, que chegava do FC Sion, onde fora colega de um então desconhecido Túlio que haveria de ser Maravilha, anos mais tarde. Isso ajuda ao magnífico começo, com seis vitórias consecutivas nas seis primeiras rodadas, e sem derrotas averbadas até à 12ª jornada (somente dois empates), que faziam do Newcastle United líder isolado, seguido da sensação Nottingham Forest, equipa liderada por outro prodígio atacante, Stan Collymore, que haveria de se perder no espaço e no tempo, mais por falta de cabeça que de qualidades, e pelo endiabrado Bryan Roy, que tal como os Magpies regressava depois de um hiato temporal ao convívio da elite futebolística inglesa. Contudo, o que os antigos campeões europeus fariam não fez o Newcastle United, isto é, manter uma bitola de resultados de nível elevado e coerente até final. Assim, o campeonato terminaria com o Newcastle United apenas no sexto lugar. Isso tem explicação em diversos factores. Primeiro e talvez mais importante de todos, a perda de Andy Cole, que depois de obter mais nove golos em 18 encontros, rumaria ao Manchester United, por troca com Keith Gillespie, jovem internacional norte irlandês, considerado na época o melhor e o mais talentoso produto das escolas dos Red Devils. Depois, a quebra de forma que o conjunto do norte de Inglaterra enfrentou nos momentos chave da temporada, a virar a prova, com apenas uma vitória em 11 jogos e a terminar, com apenas duas vitórias nas últimas nove jornadas, o que o penalizou muito, atirando-o para fora dos lugares de acesso à Europa. A época acabava sob o signo da desilusão em St James Park, para técnico, jogadores e dirigentes. O campeão 1994/95 seria o Blackburn Rovers, que muito deve nesse título à acção de dois jogadores, Alan Shearer, que terminou com 34 golos, e Chris Sutton, jovem contratado ao Norwich City, que fez 15. Andy Cole não conseguiu ajudar o Manchester United a repetir a conquista do campeonato, mas acabou a época como segundo melhor marcador da equipa de Old Trafford, a par de Eric Cantona, com 12 golos, só ultrapassado por Andrei Kanchelskis, que perfez 14, correndo em beleza a cortina da sua participação às ordens de Alex Ferguson, antes de ir para o Everton.
Mais precavidos, Kevin Keegan e os seus directores, contrataram alguns reforços importantes e que abrangiam todos os sectores da equipa, para a temporada seguinte, elevando muito a fasquia tendo em conta a conquista da Liga Inglesa, mas, no fim, a frustração seria ainda maior do que no ano anterior. Chegavam a St James Park, no defeso de 1995/96, Shaka Hislop, guarda-redes de origem tobaguenha que se tinha destacado no Reading, para rivalizar na baliza com o checo Pavel Srnicek, Warren Barton, defesa direito polivalente com um percurso interessante feito ao serviço do Wimbledon, Les Ferdinand, um espantoso atacante que Loftus Road e o Queens Park Rangers, viram nascer, crescer e explodir, e a sonante aquisição francesa, ao PSG, David Ginola. É preciso dizer que o Newcastle United fez em 1995/96, uma época a quase todas as premissas, fabulosa, excepto naquela que se revelaria essencial. St James Park vibrava a cada fim-de-semana com o futebol vistoso da sua equipa, que com um começo deslumbrante – nos primeiros 16 jogos o Newcastle Utd só consente uma derrota – conseguiu uma vantagem substancial – 12 pontos – para o principal perseguidor Manchester United, mantida – na ordem dos 9 pontos – além da 25ª jor